OPINIÃO DO LEITOR
Políticos protegidos
Meu velho pai, filho de imigrantes italianos, sempre dizia: "Contra o poder econômico não tem quem possa". Acho que isso que ele falava cabe em tudo, mas principalmente no meio político que, agora, com muito mais clareza em razão dos excelentes meios de comunicação e da imprensa em geral nos atualizam on-line dos acontecimentos. Através do dinheiro farto, começam a nos enganar bem antes das campanhas políticas, quando por um emaranhado de "ingredientes forjados" colocam certos elementos para a disputa. Depois, tomam posse - uma boa parcela sem que tenham a maioria dos votos. E a enganação continua até mesmo quando flagrados com malas de dinheiro nas mãos, na cueca e em contas secretas, etc. Através de altíssimos honorários pagos a hábeis doutores distorcem a realidade e, o pior de tudo, em nome da lei que eles mesmos os fazedores de leis - forjam dando brechas a interpretações, ficam imunes e impermeáveis como não o são os demais mortais. Como nos enganam! Durante inquirições de investigações criminosas, já não exercem mais o direito de não produzir provas contra si próprios, vão além, imputam aos delatores colaboradores fatos criminosos, na ânsia de toldar a visão dos leigos que, para o espanto nosso, conseguem. Sei que jamais mas jamais mesmo fariam isso na lei criminal, mas a meu ver, ela (a lei) deveria ter um dispositivo no qual a primeira pergunta que o inquiridor deveria fazer ao investigado seria: "Ao senhor está sendo imputado tal crime, o senhor pode ficar calado, mas se disser alguma coisa que venha a ser desmentido, sua pena será agravada e não receberá nenhum tipo de benefício". Se existisse isso (o agravamento da pena) será que o investigado não tomaria mais cuidado ao dizer que tal coisa não lhe pertence, ou que nunca fez isso ou aquilo? Será que não preferiria ficar calado para não correr o risco de ser engaiolado incontinente? Afinal, como diz o ditado "quem não deve não teme", não é?
JOSÉ ROBERTO BRUNASSI (advogado) Londrina
Foro privilegiado: vergonha nacional
O ministro Dias Tóffoli, do Supremo Tribunal Federal, para variar, tem dificuldades em interpretar a legislação brasileira. Tendenciosamente, com o firme propósito de retardar o processo, o que não deixa de ser uma atitude vergonhosa, de alguém que deveria, primar pela guarda da Constituição do país (mas não o faz). Aliás, essa aberração chamada foro privilegiado nem deveria ser discutida, é um descalabro sem tamanho. Segundo nossa Carta Magna: somos todos iguais perante a lei. Todos, sem distinção de raça, cor, posição social, religião, etc., devemos pagar pelos nossos erros. Já passou da hora de dar um basta nessas mazelas. Alguns ministros já defendem a extinção do famigerado foro; já que não é o cargo que é julgado e sim o ocupante do cargo que pratica a conduta deplorável. Para finalizar, uma pergunta que não me faz calar: por que não se prende o juiz que engaveta processo intencionalmente?
WILSON OLIVEIRA TRINDADE (bacharel em Direito) Londrina
Espinheira
Enquanto faltam moradias e hospitais públicos pelo Brasil afora, em Cambé temos dois exemplos péssimos que ilustram o descaso dos nossos políticos com essa questão. O primeiro, se refere às casas inacabadas do Programa Minha Casa Minha Vida, destinadas às famílias de baixa renda, localizadas entre os jardins Santo Amaro e São Paulo que, após um longo imbróglio jurídico com referência ao local de construção, começaram a ser erguidas, mas logo tiveram as obras interrompidas. E estão lá a céu aberto sem quaisquer perspectivas de conclusão. O segundo péssimo exemplo é com relação às ruínas do antigo Hospital Londrina. Caracterizar aquilo como mau exemplo ou descaso da administração pública, seja municipal, estadual ou federal, é um estrondoso elogio, pois na realidade trata-se de um antro de prostituição e de usuários de drogas, dentre outras práticas nada recomendáveis. Quando das campanhas eleitorais e, isso já vem há mais de 12 anos, é um tal de "eu vou acertar isto, aquilo" e uma infinidade de lorotas. E a nós, cabe entoar a canção: "Eta espinheira danada que o pobre atravessa para sobreviver/Vive com a carga nas costas e as dores que sente não pode dizer/ Sonha com as belas promessas da gente importante que tem ao redor/Quando entrar o fulano e sair o ciclano será bem melhor/Mas entra ano e sai ano e o tal do fulano ainda é pior".
LUIZ ALBERICO PIOTTO (servidor público) Cambé
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