OPINIÃO DO LEITOR
O homem nu outra vez?
As palavras de rancor e de ódio do professor e sociólogo Pedro Rossi no artigo "Precisamos falar sobre o 'homem nu'" (Espaço Aberto, 17/10) aos que se manifestaram contra o que se diz arte pela exposição do homem nu, é lamentável. E ainda com a exposição de crianças que, diga-se de passagem, é contra o estatuto do menor. O professor não sabe que arte é revelação de talento do criador e de sensibilidade do observador. As obras que citou, como o pensador de Rodin, sobrevivem até hoje justamente porque são expressão da arte com talento e de reconhecimento pelos que a viram e verão muito mais ainda. Esta arte de mau gosto de homem nu, que defende, terá seu sucesso efêmero pelo poder de causar impacto e repercussão na sociedade, mas a história cuidará de que seja banida e esquecida.
ANTONIO BENEDITO ALMEIDA CAMARGO (engenheiro agrônomo) Cornélio Procópio
Precisamos desnudar a fala
Vi, com solidariedade, a indignação de um pai que passeava com seu filho às margens do Lago Igapó, no último final de semana, e se deparou com uma apresentação artística de caráter discutível e, penso eu, alienatório frente aos múltiplos problemas que deveríamos estar discutindo no momento atual. A verborrágica defesa feita por um sociólogo em artigo na FOLHA levou-me imediatamente a uma passagem bíblica (Mt 18,6) e a um conceito de escândalo bem adequado à situação: "Pôr uma armadilha no caminho de alguém".
LOURIVALDO PEREZ BAÇAN (escritor) Londrina
Dia do Professor
Gostaria de saber se o pseudo empresário Joesley Batista, autointitulado "professor" do ex-procurador da República Rodrigo Janot, foi homenageado pelo Congresso Nacional no Dia do Professor. No País onde infanticidas são beneficiados com uma saidinha da prisão no Dia das Crianças e familicidas recebem o mesmo tratamento no Dia das Mães, nada mais normal que este bandido também receber tratamento especial. Um bandido que não só comete o assassinato da Língua Portuguesa a cada frase que pronuncia, mas que também mata milhares ao roubar o dinheiro que poderia equipar hospitais, melhorar a segurança e, principalmente, ser investido em educação. Há muito pouco para se comemorar. Todos dias a corrupção neste e nos últimos governos assassina os sonhos de milhares de crianças e jovens que teriam melhores chances se o País investisse em educação. Todos os dias deveriam ser Dia do Professor, dia dos verdadeiros heróis que incansavelmente lutam para livrar o Brasil dos sanguessugas, como o senhor "Nóis-num-vai-preso", através da educação.
RUBEM CAUDURO (professor) Londrina
O professor e o dever de casa
Pouco se falou do professor no seu dia. Algumas mensagens, poucas lembranças "daquele professor ou professora que marcou minha vida", homenagens nas escolas com a semana do saco cheio que vem em boa hora. O ofício, missão ou profissão de professor está em baixa. Descrédito, remuneração baixa, cansaço, desânimo diante de tão nobre profissão. Como tantos outros valores importantes da humanidade moderna, a pessoa do professor está em crise. Ainda tem gente que acredita no professor e ainda tem professor que acredita na sua vocação, para isso insiste, persiste, atualiza-se, esforça-se e entra em conflito quando avalia o seu trabalho e se pergunta: onde foi que eu errei? Com a experiência de professora alfabetizadora, lembro-me de uma vez em que uma aluna de seis para sete anos, me contava, na sua ingenuidade: "Tia, a minha mãe te xingou tanto ontem!". Surpresa, perguntei o motivo e ela me disse que era por causa da tarefa que eu havia pedido. Outro garoto me emocionou muito quando, ao cantar uma musiquinha infantil, dessas de final de aula, me disse que era a primeira música que ele aprendia a cantar. Aos sete anos! Com e por essas pequenas coisas a gente continua e passa trinta anos da vida ensinando, ensinando... A pequena lição me faz pensar que o maior problema do professor é o dever de casa. Que não é acompanhado pelos pais, que não se ensina, que não se forma. E quando a criança chega à escola, aparece de tudo, desde problemas de saúde, psicológicos, de aprendizagem, traumas, falta de educação, de disciplina, de respeito, enfim, o professor tem que deixar de ser professor para assumir outras atribuições que não são a de professor, mas que são as tarefas que se aprende em casa. E o seu ofício de ensinar, a sua arte de levar a descobertas, a sua técnica, os seus recursos, a sua pedagogia, todos os conhecimentos que buscou para realizar o sonho de ser um bom professor? Inversão de papéis? Obrigada, professor, obrigada professora! A despeito de tudo, você tem muito valor só pelo fato de ainda resistir...e existir. Parabéns!
ESTELA MARIA FREDERICO FERREIRA (professora) Londrina
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