OPINIÃO DO LEITOR
Pesquisas e as amostras
Alguns tipos de pesquisas, devido à enorme quantidade de indivíduos da população pesquisada, se tornam inviáveis no formato de censo, onde a totalidade de indivíduos que compõem a população participam. Portanto, utiliza-se métodos estatísticos para se calcular as amostras populacionais que melhor representam a população. Assim acontece, como quando se quer saber das preferências e opiniões políticas, dentre toda a população apta a votar no Brasil - atualmente em 144 milhões pessoas. Isso posto, me parecem um tanto tendenciosas e manipuladoras pesquisas dessa natureza, realizadas com mil indivíduos, por exemplo, de determinada região do país, que se propõe a identificar opiniões ou determinar atitudes do eleitorado em nível nacional, dada à enorme diversidade existente em cada região do nosso país. Será que indivíduos de diferentes escolaridades, níveis socioeconômicos e culturais ou outras características que os distinga, caberiam numa amostra de mil pessoas, extraídas de um bairro nobre de São Paulo ou Rio de Janeiro? Então, se não quisermos continuar nos deixando enganar pelas informações que a mídia costuma veicular, sugiro que comecemos a nos preocupar com o tamanho da amostra.
RUY CARNEIRO GIRALDES NETO (servidor público) - Londrina
A China e reforma trabalhista
Nesse assunto, o espaço é restrito à OIT (Organização Internacional de Trabalho). A OIT visa sempre a modernidade do trabalho. Enquanto a nossa proposição enfoca mais na sobrevivência dos trabalhadores brasileiros. Os deputados e senadores não devem se esquivar dos fatos reais: utensílios domésticos, roupas, sapatos e outros produtos derivados de petróleo de fabricação chinesa que entram no País. Tais produtos poderiam ser fabricados no Brasil para melhoria de salário e a redução do desemprego. O 911 artigo da CLT e o artigo 7 e seus incisos da Constituição de 1988 não favorecem mais aos empregados, além disso, tais leis espantam as empresas japonesas e europeias que preferem instalar suas fábricas na China. Além do mais, hoje quase tudo é derivado de petróleo. Este e outros assuntos não são triviais aos políticos brasileiros. Eles devem conhecer um pouco sobre como funcionam as máquinas que processam os produtos derivados de petróleo. Em geral, tais máquinas trabalham aquecidas de 100ºC a 120ºC, por isso só desligam uma vez por semana; isto obriga os empregados trabalharem 12 horas por dia. Coisa que é incompatível com norma da OIT e a lei brasileira. A reforma trabalhista traz alguma novidade, no entanto, com tal lei os brasileiros ainda não podem competir com chineses.
OSAMU ARAZAWA (contador) - Londrina
Incêndio em Portugal
Figueiró dos Vinhos, uma pequena cidade com seis mil habitantes, é vizinha de Pedrogão Grande, que em junho foi o epicentro do maior incêndio da história de Portugal. Toda a região é montanhosa e dominada pelo plantio de eucaliptos (chegam a medir 30/40 metros de altura). Esse plantio é absorvido pela indústria de papel. Por ser um terreno montanhoso, percebe-se claramente que o proprietário retira determinada área faz a venda, o replantio e volta a colher após oito anos. É comum cruzarmos na estrada com caminhões tipo bitrem carregados de toras com destino a Figueira da Foz onde tem uma fábrica de papel. O incêndio iniciado em Pedrogão em pouco tempo atingiu Figueiró dos Vinhos e daí todas as cidades circunvizinhas num raio aproximado de 15 km. O fogo alastrou-se rapidamente e as chamas chegaram a atingir o dobro do tamanho das árvores (comparado a um edifício de 10 andares ardendo em chamas). Foi muito difícil controlar o fogo. A água das piscinas das casas ferveu e chegou a borbulhar. O asfalto (que aqui eles chamam de alcatrão) atingiu temperaturas incrivelmente altas e literalmente derreteram a borracha dos pneus. Centenas de bombeiros trabalharam no combate às chamas. Ouvi conversas extraoficiais que o fogo foi ação criminosa e quem o fez não tinha noção da dimensão que poderia atingir. A polícia está investigando. Criminoso, pois o preço do metro cúbico da madeira vale 30% depois do incêndio. Parece incrível, mas a madeira não se consome após o fogo. Essas chamas de 50/60 metros chegaram bem perto das casas do centro. O número extraoficial de mortos foi de 64 e mais de 200 internados principalmente pela inalação de fumaça. A recuperação é lenta, gradual e bastante difícil e acredita-se que o número de mortos possa chegar a 150.
EDSON MEDARDO SCARCHETTI (bacharel em Teologia) Figueiró dos Vinhos (Portugal)
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