OPINIÃO DO LEITOR
Por que só agora?
É uma repugnante demonstração de má-fé a falta de divulgação sobre o direito legal de descontos especiais na tarifa para moradores próximos aos locais das praças de pedágio no Paraná. O governo do Estado, através do DER, sempre teve conhecimento das cláusulas contratuais, entretanto, durante quase 20 anos da concessão nunca tornou público tal benefício. E os prefeitos e vereadores das cidades contempladas, por que não lutaram por essa prerrogativa dos seus munícipes? Por que tanto descaso com o usuário e o conveniente silêncio de todos os envolvidos no sistema, por esse longo tempo? Na região, foi preciso a mobilização de algumas dezenas de destemidos cidadãos para "acordar" os governantes de Arapongas e Rolândia, sensibilizando-os a lutarem pelos direitos dos seus munícipes. O modelo de concessão das rodovias paranaenses por si só é uma irracionalidade. Jaime Lerner, o seu criador, manipulou ao seu bel-prazer o sistema tarifário para se reeleger, permitindo que as concessionárias alegassem quebra de contrato e se livrassem de outros compromissos assumidos. Não há em nenhuma parte do mundo desenvolvido ações para fechar rodovias alternativas. Pelo contrário, lá são obrigados a mantê-las, dando opção ao usuário e são chamadas de estradas secundárias. Aqui, no país do atraso e da promiscuidade entre o público e o privado, prefeitos complacentemente permitem o fechamento de estradas rurais e até de vias urbanas porque as concessionárias sarcasticamente as tratam como "rotas de fuga". A construção de um muro para interromper a ligação por estrada municipal entre Rolândia e Arapongas, obrigando os moradores a pagarem pedágio para o deslocamento de poucos quilômetros, é uma dessas lamentáveis atitudes vergonhosas.
LUDINEI PICELLI(administrador de empresas) - Londrina
Aplaudamos, eles são artistas
Vejo notícia que o Senado vai gastar R$ 8,3 milhões com o aluguel de carros por 30 meses. Há tempos escrevi neste mesmo jornal que se isentassem os carros de impostos que atinge um valor altíssimo e suas excelências poderiam comprar bons carros no valor de R$ 40 mil cada e depois dos 30 meses revendê-los. Numa conta simplista, daria para comprar 207 carros que é um número imensamente maior que os 81 senadores da República. Após o período, estes carros poderiam ser vendidos com a inclusão dos impostos e a União se beneficiaria com o lucro da venda, ao passo que desta forma no fim do contrato os carros são simplesmente devolvidos. Se fosse uma empresa privada, teria falido há muito tempo, mas para aumentar o caixa da União é melhor falar em alta de impostos, pois a "carneirada" chia um pouco, mas depois acaba pagando.
EDSON MEDARDO SCARCHETTI (bacharel em Teologia) - Figueiró dos Vinhos (Portugal)
Porco magro
Que a corrupção, o roubo e as diversas maracutaias sempre existiram, não é novidade. Todavia, na era Lula-Dilma este inacreditável proceder tomou uma alarmante desenvoltura. Chegamos até a duvidar da fome e ousadia desta quadrilha que sempre pregou o progresso e a honestidade. Os ex-presidentes José Sarney, Collor de Mello e Fernando Henrique não são flores que se cheirem, mas seus sistemas eram devagar e sempre. Por que será que a corrupção avolumou tanto que chegou a quebrar a Petrobras? Só existe uma explicação plausível. Tem um ditado muito ilustrativo que diz "porco magro pega a espiga maior". Quem conviveu com as lidas de fazenda conhece bem o ditado. Nos idos de 1940-50, nas fazendas de Minas, os porcos eram engordados em chiqueirões. Jogavam-se balaios de milho em espigas e eles que se virassem. Aí, vem a explicação: os porcos magros, como tinham mais mobilidade, pulavam por cima dos outros e pegavam sempre a espiga maior. Os adeptos do PT se encaixam bem no ditado, pois achando que o "milho" poderia acabar logo não perderam tempo: pularam por cima de qualquer critério e obstáculo. Assim, conseguiram transformar o Brasil em manchete internacional.
WELLINGTON AMARAL SAMPAIO (administrador aposentado) Londrina
Aumento dos combustíveis
Os postos têm que vender todo o estoque velho pelo preço antigo e depois reajustar os preços. A venda do produto em estoque de preço velho por um preço novo apresenta um lucro contábil, mas não financeiro (por exemplo, se você tem R$ 100 em estoque e vende a R$ 110, normalmente você gasta R$ 100 para repor o estoque e R$ 10 para despesas e lucro). Em caso de aumento de 20%, tem R$ 100 em estoque; se vender a R$ 110 (preço velho) para repor o estoque precisa de R$ 120, faltam R$ 10 e ainda tem que pagar as despesas, o empresário acabou de falir. O caso me faz lembrar do bandido invadindo a casa: se o morador atira e mata, vai para a cadeia; se não atira, está sujeito a ser morto. A situação do empresário é a mesma: se subir o preço é processado, se não subir quebra.
SANDRO VICENTE ZANCHET (economista) Londrina
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