OPINIÃO DO LEITOR
Somos ou não somos iguais?
Se o caixa da Previdência é único, não é justo existir nenhuma situação especial. Médicos, radiologistas, policiais, mulheres e todas as demais categorias que se acham sob risco de qualquer natureza em suas atividades laborativas e que merecem aposentar-se de maneira diferenciada, ou seja, com menos tempo de trabalho/contribuição ou sem calcular a média de recolhimentos para definição do benefício devem então recolher de forma diferenciada também. Receber mensalmente insalubridade ou periculosidade, por exemplo, é receber duas vezes pelo mesmo risco. As empresas, público ou privadas, que possuem vagas em atividades deste tipo e os empregados que laboram nestes segmentos precisam ter um percentual extra de recolhimentos para a Previdência, se não for assim deverá existir aporte de recursos de outras fontes para cobrir o rombo que, como está acontecendo agora, será transferido para todos os participantes da Previdência pública. Se é para sermos justos, vamos ser justos com todos, sem eleger minorias privilegiadas.
PAULO MAURICIO ACQUAROLE (aposentado) - Londrina
Terceirização
A reforma trabalhista peca quando apresenta a mudança nas relações de trabalho reforçando que a terceirização vai beneficiar o trabalhador, desafogar a Justiça do Trabalho e criar novas oportunidades de emprego. Não acredito que a terceirização vá beneficiar o trabalhador, muito menos vá mudar a relação de trabalho. É utopia acreditar que as demandas trabalhistas irão diminuir, ao contrário, vão quase que duplicar e - o que é pior - vai atacar o polo mais forte dessa relação, o contratante que mais cedo ou mais tarde terá que arcar com as demandas em que sua terceirizada é parte. É é comum em nosso país ligar terceirização à fuga de responsabilidades sociotrabalhista, isso automaticamente vai gerar mais e mais demandas trabalhistas; terceirizadas de fachadas sem bens para dar em garantia vão surgir aos montes, o que fatalmente trará para o processo a figura de quem a contratou. Isso pode ser evitado com leis protetivas, como a obrigação de o terceirizado - ao fechar o contrato com o seu contratante - ser obrigado a dar em garantia bens para que em uma quebra de contrato ou desrespeito às leis trabalhistas venha a ter como arcar o prejuízo. Acredito que isso possa garantir tanto o trabalhador como também a iniciativa privada.
LUIZ FURTADO (vendedor) Londrina
Passe livre
Já manifestei minha opinião sobre o passe livre e ela não mudou um milímetro. Dobrar o número de ônibus e pontos e passe livre para todos custaria quase R$ 200 milhões aos cofres públicos, cerca de 10% do orçamento municipal. Empresas instaladas no município pagariam valor equivalente ao do vale transporte e um casal sem filhos, que pegue 4 coletivos diários por 25 dias, teria em seu orçamento R$ 350 a mais. "Não existem recursos", declarou o prefeito Marcelo Belinati. Para quem deseja ser o melhor prefeito que esta cidade já teve, ele foi infeliz nesta justificativa. Sou agricultor e recentemente o TSE, condescendente com o governo federal, considerou legal a bitributação com a cobrança do Funrural. A falta de dinheiro justifica tomar qualquer decisão? Vidência: filas para se comprovar o enquadramento nas condições impostas.
ILDO YUKIO MARUBAYASHI (agricultor) Londrina
Democracia e capitalismo
Finalmente, a democracia e o capitalismo praticados no Brasil mostram suas entranhas. O primeiro desnudado pelo comportamento das grandes empreiteiras flagradas corrompendo executivos da área pública ou privada para obter vantagens em contratos. A segunda contestada pelo maior escândalo de corrupção e de compra de votos já visto neste país. Ambos confrontados pelo desemprego devastador cujos tentáculos já arrastaram em torno de 14 milhões de trabalhadores no país. A democracia precisa ser depurada, e, para isso, requer reforma política profunda e sem as malandragens tão comuns no meio político. Caixa 2, nem pensar. Abuso de poder econômico, punição com rigor. O capitalismo é o regime predominante no planeta pelo aceno à mobilidade social e pela ocultação de sua face perversa: pobreza e desemprego, mesmo nas economias mais sólidas do mundo. No Brasil, o capitalismo precisa aprimorar suas relações com os governos, parceiros, concorrentes e com a sociedade praticando a ética empresarial suficiente para atestar seus compromissos de governança. Com os empregados, o respeito, abertura para participação nos conselhos, planos de cargos, treinamentos, bons salários, com participação nos lucros periodicamente apurados. Democracia e capitalismo precisam ser fortes e andar de mãos dadas para enfrentar os desafios recorrentes no mercado competitivo atual.
IZAIAS BITENCOURT MORAES (contabilista) - Londrina
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