Pedágio
Irmano-me à opinião de Luiz Gustavo Packer Hintz (Espaço Aberto, 14/3) sobre o escrachante caso dos pedágios no Brasil. Tudo começou errado, quando as concessionárias se apoderaram de rodovias prontas e acabadas e por longo tempo só fizeram se empanturrar com a arrecadação. A promessa de melhorias está longe de ser cumprida, pois as pistas de rolamento, em geral, são péssimas. Duplicação, então, nem se fala. Foi o verdadeiro conto da carochinha. Para os governos lenientes, está tudo ótimo, pois além de se livrarem de um abacaxi, ainda surrupiam 25% da tarifa em forma de ISS. Cada vez que vejo a cancela da guarita se abrir na minha frente, sinto-me um perfeito trouxa. Como gosto de música, copio a ideia do senhor Luiz Gustavo e cito um tema significativo em forma de samba: "Cara de palhaço, pinta de palhaço, boca de palhaço" foi o que restou para nós...
MAURO DE OLIVEIRA CARLOS (professor) - Apucarana

Ciclovias
Que o londrinense não tem a cultura de utilizar a bicicleta como meio de transporte, isso é evidente, e por vários motivos, entre eles a topografia da cidade, que não ajuda. Há anos foi construída a ciclovia na Avenida Ayrton Senna. Dificilmente vemos algum ciclista utilizando aquela via. Como aquela área tem muitos escritórios e comércios, é muito difícil encontrar um local para estacionar veículos, pois as vagas são reduzidas em razão da ciclovia. Mas, como se não bastasse, a prefeitura resolveu fazer outra ciclovia na Avenida Madre Leônia. Há meses que foi construída e raramente vê-se um ciclista utilizando-a. Mas o pior é que criaram um transtorno no já complicado transito local, como na Rua João Wyclif, na Avenida Garibaldi Deliberador e no supermercado da região. Com uma lata de tinta, fizeram uma sinalização, piorando o trânsito e deixando os motoristas confusos, o que já causou alguns acidentes. Já não está na hora de rever essas ciclovias e consertar isso?
SIDNEY GIROTTO (médico) - Londrina

Burle Marx
Burle Marx foi um dos maiores ambientalistas e paisagistas que tivemos. Felizmente, Londrina foi privilegiada em ter uma obra fantástica deste gênio, o complexo do nosso Zerão, que contorna boa parte de uma das margens do lago Igapó, cartão postal de Londrina. O tempo passou e a nossa mais bela área de lazer clama por maiores cuidados. Entra prefeito, sai prefeito e notamos que o local nem sempre foi prioridade. Mas o que me leva a fazer este artigo é chamar a atenção das pessoas que frequentam este parque monumental que temos para observar o estado deplorável daquelas estruturas que foram concebidas e chamadas de sanitários. Imaginar aquelas relíquias projetadas por Burle Marx é muito triste. Quando aquele cheiro fétido se mistura ao amanhecer com o canto dos pássaros e cheiro das flores, o único consolo que nos resta é a indignação. Gostaria de ter o poder de sensibilizar as autoridades municipais em relação a pelo menos aquela monumental construção, que faz frente para a Rua Estela Moreira e fundos para a ciclovia. Transformar aquele espaço em alguma coisa que preserve a memória de Burle Marx. Um ponto turístico ou um quiosque, logicamente feito pela iniciativa privada, através de licitação pública. Custo do empreendimento, zero. Vamos nessa, prefeito Marcelo! Tenho medo de que aconteça o mesmo ocorrido com os dois sanitários do Zerão, que de tão sujos que ficaram, ao invés de limpá-los, optaram pela demolição, e assim foi feito.
WALTER COSTA BARROSO (cirurgião dentista) - Londrina

Quem fez o quê
Quando é que os políticos vão começar a entender que eles não são pais de nada, não fazem nada, a não ser administrar bem ou mal, e o mal é bem mais fácil, mesmo porque o mal sempre será em benefício próprio? "Eu fiz a transposição do São Francisco..." E bradam a plenos pulmões: "Eu fiz isso, eu fiz aquilo..." Com o dinheiro do erário, com o dinheiro do povo, e cobraram muito caro para investir esse dinheiro, bem ou mal. Aí, ficam brigando para dizer quem fez ou não fez; e foi caro, o preço nem comentam, porque se o povo souber quanto eles pagaram na transposição de um rio, vão pensar que daria para transpor o mar. E assim, só gostam de estar em evidência. A única evidência de que não gostam é aparecer na Lava Jato. Todos os bandidos vão sair da cadeia e ir direto para a campanha, e logo depois serão eleitos, falando: "Eu fiz isso, fiz aquilo, fui perseguido por ser um político honesto e trabalhador..."
MÁRCIO DICESAR BENASSI (escritor) – Sertanópolis

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