Revolução dos bichos
Quarta-feira passada um grupo de aproximadamente 50 brasileiros, acompanhados de uma advogada entusiasta, invadiu a Câmara dos Deputados (a casa do povo) para protestar contra a endêmica corrupção política, para defender um golpe contra o regime democrático de direito e para clamar pela condução de um general do exército à Presidência da República. Os trabalhos parlamentares foram suspensos e todos foram indiciados para responderem ação penal por crime contra a ordem institucional. Na hipótese da proposta deles ser acolhida, o Congresso Nacional e o Poder Judiciário seriam imediatamente fechados; a Presidência do Brasil seria conduzida por um regime totalitário; a liberdade de imprensa e da divulgação de pensamentos e opiniões, inclusive nas redes sociais, seriam submetidas ao controle de censura estatal; a liberdade de ir, vir e permanecer seria condicionada aos critérios subjetivos do comandante em chefe; e o mais decepcionante para esses idealistas: ninguém poderia divulgar, apurar e punir eventuais atos de corrupção próprios do regime absolutista. O eminente escritor inglês George Orwell, através da obra "Revolução dos Bichos", já previu o desfecho deste cenário: "A revolta dos animais da quinta contra os humanos é liderada pelos porcos Bola-de-Neve e Napoleão. Os animais tentam criar uma sociedade utópica, porém, Napoleão, seduzido pelo poder, afasta Bola-de-Neve e estabelece uma ditadura tão corrupta quanto a sociedade de humanos". De fato, no regime totalitário todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros!
RICARDO LAFFRANCHI (advogado) - Londrina

PL 91/2016
Dois fatos recentes merecem destaques. O nacional é a prisão do ex-governador Sérgio Cabral. O local é o parecer contrário da Comissão de Justiça (CJ) da Câmara de vereadores de Londrina ao projeto de Lei 91/2016, de autoria do Executivo, que revoga dois benefícios pagos aos servidores comissionados, atendendo pedido do Ministério Publico de Londrina e do Tribunal de Contas (TC) do Paraná. O nexo eventual que se percebe entre estes acontecimentos é a reprodução de uma cultura entrelaçada sustentada no apego ao poder e que sucumbem muitos atores na esfera pública. Os agentes públicos que se rendem a essa cultura tendem ao ostracismo, na medida em que vão sendo superados por outros que utilizam essa cultura do vale tudo de uma maneira mais agressiva. O caso de Sérgio Cabral é emblemático. Sua trajetória desponta como um político acima de qualquer suspeita e com práticas de enfrentamento da cultura estabelecida. No entanto, deixou-se corromper e figura como um exemplo do quão corrompido está a política brasileira. Já em Londrina, a atual legislatura tem o aspecto como a mais fisiologicamente e corporativa. Contrariar uma recomendação do MP e do TC e criar óbice para o Executivo municipal é de um atrevimento desmedido.
LIDMAR JOSÉ ARAUJO (professor de Sociologia) – Londrina

Pedintes e artistas nos semáforos
Concordo em parte com o questionamento do leitor Wagner Costa (Opinião, 19/11) sobre a questão de pedintes e artistas de rua nos semáforos de Londrina. Sim, o problema existe! É crescente a incidência de pessoas em situação de vulnerabilidade social nos semáforos da cidade. Todos vivenciamos e compartilhamos essa "dor". Mas discordo com o desfecho e sua indagação: "Será que não tem nenhuma autoridade para tomar providências?". Acredito no protagonismo de cada um de nós: se o problema existe, e existe mesmo, o que eu posso fazer para amenizá-lo ou neutralizá-lo? Pensando nisso um grupo de cidadãos (do qual eu faço parte) criou um aplicativo para conectar doadores, fornecedores e ONGs da cidade, unindo "anjos" que querem ajudar às ONGs sérias que sabem fazê-lo. Vamos participar juntos!
RONALDO KMITA (empreendedor social) – Londrina

Desencontros
Em uma situação hipotética, uma famosa apresentadora de um programa de televisão é vítima de um "sequestro relâmpago", quando saía de um banco, junto com seus três filhos (número também hipotético). A família (naquele momento, não se sabe por que, o pai não estava junto) é levada em seu próprio veículo pelo sequestrador. Um policial de folga, com treinamento e experiência em primeiros socorros, percebe a ação criminosa e acompanha o veículo da apresentadora. Em determinado momento o veículo se choca com uma árvore e, ao se aproximar ,o policial vê que todos os ocupantes do veículo estão feridos. A apresentadora e seus filhos aparentemente com lesões leves e o criminoso com lesões mais graves. Quem o policial deve atender primeiro?
JANOS TONCOVITCH NETO (escrivão de Polícia Civil) – Assaí

■ As car­tas de­vem ter no má­xi­mo 700 ca­rac­te­res e vir acom­pa­nha­das de no­me com­ple­to, RG, en­de­re­ço, ci­da­de, te­le­fo­ne e pro­fis­são ou ocu­pa­ção. As opi­niões po­de­rão ser re­su­mi­das pe­lo jornal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup