OPINIÃO DO LEITOR
Senhor das moscas
A jovem estudante Ana Júlia tornou-se o símbolo das ocupações das escolas no Paraná, adotando um discurso de que "... tivemos de ocupar para ser ouvidos". Ana Júlia discursou na Assembleia Legislativa logo após a morte de um aluno (tanto o assassino e a vítima eram manifestantes, e dentro de um ambiente "democrático" utilizaram psicotrópicos). Ana Júlia discursou aos deputados que "... suas mãos estavam sujas do sangue de Lucas". Esse factoide de "afronta e desafio" é que desencadeou a fama de Ana Júlia. Realmente, caberia ao Estado, através da Secretaria de Segurança, impedir o tráfico de drogas. A Polícia Federal também poderia desempenhar o seu papel... mas é simplesmente complicado (quase utópico). O que incomoda na exposição de Ana Júlia é simplesmente ignorar a morte do aluno que estudava na escola... da mesma forma que o Estado falhou, cada adolescente e maior de idade que estavam dentro da escola também acabam sendo cúmplices, tendo suas mãos ensanguentadas. Afinal, relatos de consumo de drogas e álcool, em ambiente contextual similar ao do "Senhor das Moscas", acabando em tragédia. Existem metáforas relacionadas ao livro, mas vou me atentar apenas ao essencial: não posso ignorar que a forma tomada pelo governo federal para resolver o problema do ensino médio é autoritária; todavia é necessário constatar que há necessidade de modificações drásticas (ou será que alguém vai contrariar o óbvio? Qual seja: mudanças). Há anos estão discutindo a questão, e um projeto do governo anterior tinha inúmeros pontos em comum. Agora, questionar muitas questões necessárias apenas por que a liderança não "representa" os interesses? A questão deveria ser a urgência no trato de um assunto tão importante, com a abertura de espaço para a sociedade... o uso do poder de legislar pela Presidência não deveria ser utilizado de forma indiscriminada. É o caso dos fins justificam os meios, ante o exercício de oposição indiscriminada. Desculpe Ana Julia, respeito as manifestações, e por isso pondero apenas que muitas vezes há a confusão entre interesses sociais, políticos e difusos. Por isso, acredito que ignorar uma morte na defesa da ideologia é uma forma desprezível de exercer os direitos políticos.
SEBASTIÃO SEIJI TOKUNAGA (advogado) Londrina
Segurança pública
Concordo plenamente com o artigo "Segurança pública com tecnologia, direito universal", do presidente da Acil, Cláudio Tedeschi, (15/11) e tenho duas questões. Londrina se vangloria de ter a Sercomtel, empresa com tecnologia de ponta e que domina a telefonia, a transmissão de dados e agora também a iluminação pública. Por que necessitamos licitar e pagar empresas terceirizadas para serviços de videovigia e radar de trânsito? Com os postes, fios e fibra óptica que percorrem toda a cidade, não seria fácil a eles administrar este serviço? A segunda é com relação ao juiz Katsujo Nakadomari, que tem o poder de deixar solto os criminosos presos em flagrante. A implantação desse serviço certamente trará resultados, mas se for para polícia prender e o juiz soltar estaremos gastando recursos à toa. Se pelo menos eles obrigassem os infratores a arcar financeiramente com os prejuízos causados antes da soltura, haveria um aprendizado, mas da forma que está ocorrendo hoje é perda de tempo da polícia e da sociedade londrinense.
PAULO MAURICIO ACQUAROLE (aposentado) - Londrina
Ordem e progresso
A crise econômica, decadência social, moral e ética nos lembram as célebres frases: "O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever" ou "Ordem e Progresso", inseridos na Bandeira Nacional. Fomos criados e orientados para amar à pátria, respeitá-la, obedecer os padrões da sociedade, espelhar nos bons costumes, dentro da lei. Quem mudou? O país ou nós? Por que tanta bagunça, arruaça, desmandos, roubalheira? Precisamos ser politizados, termos o nosso voto como defesa e exercer a democracia. Assim, podemos mudar o país. Sem produzir, não haverá empregos, progresso, investimentos na educação. Afinal, por que sermos coniventes com fatos que nos prejudicam? Precisamos moralizar, retomar o controle e separar o joio do trigo. Não podermos tolerar manifestações de quem nos enganou.
MOISÉS DOS SANTOS (entregador de gás)- Londrina
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