Autofagia nos EUA
Hillary conseguiu se autodestruir, é a grande verdade. Num mundo em que há terrorismo crescente e camuflado, no qual um "Rambo Ariano" alojado em Moscou ameaça toda humanidade com sua pretensão marcial, os trejeitos e histéricos comentários pré-eleições americanas destruíram sua confiabilidade. Não que ela seja corrupta, que seja despreparada (ao contrário), mas porque ela não é nem foi nem será jamais o predecessor Obama, e nem ele se pudesse se reelegeria (embora tivesse minha preferência). A América clama por heróis (é uma característica americana e de todos os povos) e, na falta desta figura, apenas rejeitou alguém que não se mostrou capaz de auscultar o "pulso dos novos tempos" e ficou presa ao modelo de mais de uma década. A única responsável pela derrota foi a própria Hillary que, com gritinhos histéricos e estranhos durante a campanha e com o discurso do "vamos continuar melhorando" (melhorando?), não se deu conta do sentimento maior do americano: se consolidar como a nação mais poderosa, mais segura e mais preparada para enfrentar os "heróis" russos e os terroristas. Não votaria em Trump jamais, não o vejo qualificado para tal função, mas nem em Hillary, pois não vejo capacidade dela em gerir o comando da estabilidade mundial. Mas, sem dúvida, ela cometeu autofagia, tanto nos e-mails explicados em véspera de eleição como em apoios pedidos e conseguidos no mundo artístico (sinal para mim de fraqueza e falta de confiança) como na forma ingênua de encarar a nova realidade desse planeta.
LUIZ EDGARD BUENO (escritor) – Londrina

Democracia e mercado
Se Donald Trump fizer política extremamente protecionista como alguns preconizam, haverá uma necessidade urgente de se remodelar o consumo dos mercados internos. Se os mercados se fecharem em si mesmos ainda assim haverá necessidade de consumo imprescindível entre os países e uma política de América para os americanos não poderá ser exatamente a de uma América só para os norte-americanos. Os EUA sempre dizem defender a democracia e, nesse sentido, devem mostrar que fazem isso, caso contrário, estarão incorrendo no erro dos regimes autoritários que sempre combateram. Isso vale para a economia mundial de hoje. Isolamento será demonstração de fraqueza e, se os EUA querem realmente ser fortes, deverão levar o mundo a uma economia em que haja distribuição de riquezas e menos desigualdade social para a sobrevivência da própria democracia. Que nos deem o exemplo a ser seguido, se querem ser realmente líderes e fazer a economia global crescer e fortalecer os regimes democráticos que sempre os apoiaram. Só o tempo nos dará as respostas.
DAILTON MARTINS (comerciante) – Londrina

Reformas gaiatas
Vejo em Londrina algumas construções até em áreas muito nobres desrespeitando o recuo imposto pela municipalidade. Parecem-me um estratagema para iludir a fiscalização. É (ou parece ser) assim: entra-se com pedido de alvará para reforma do prédio, derruba-se todo o prédio, mas deixa-se a parede da frente que já não tinha recuo, constrói-se novo prédio (alicerce, piso, colunas, teto) por dentro, aproveitando a parede. Esta por sua vez será reformada. Surge então um novo prédio fora do alinhamento. Outras vezes é o aproveitamento do recuo já existente com cobertura. Num site da Secretaria de Obras da Prefeitura de Londrina, encontro isto: "Artigo 3º- Nas edificações existentes que estiverem em desacordo com as disposições deste Código não serão permitidas obras de reconstrução, parcial ou total, ampliação e reformas, com exceção dos serviços de pintura, troca de esquadrias, telhado, revestimentos de pisos e paredes, desde que não impliquem em alterações estruturais". Encontro também: "Artigo 43- Uma obra é considerada concluída quando (...) IV não estiver em desacordo com as disposições deste Código e demais legislações aplicáveis." Então é de se perguntar: a Secretaria de Obras sabe disso, aprovou a invasão do recuo, aceitou pedido de reforma que nada mais é que obra nova? Antes do fim do ano (e da troca de administração municipal) essas obras estarão funcionando sem o menor incômodo. A equipe de transição municipal vai aceitar isso?
REINALDO MATHIAS FERREIRA (escritor) – Londrina

STF
O ministro Dias Toffoli pediu vista aos outros ministros para analisar o processo que envolve o presidente do Senado, Renan Calheiros. É para analisar ou uma tentativa de atrasar o processo? Qualquer um sabe que não existe muito o que analisar neste caso (a não ser que ele ache que um réu possa ser presidente da República). Lembramos que Renan ainda não é réu (e esse é o motivo da questão), mesmo havendo 11 inquéritos contra ele. Isso só deve ter acontecido (como no caso do Eduardo Cunha) por causa do seu poder e influência. Dizem que o Brasil precisa de reforma em vários setores e uma das mudanças é que um ministro do STF não ser escolhido por indicação política.
SWAMI VERONESI (músico) – Santo Antônio da Platina

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