OPINIÃO DO LEITOR
O trânsito em liquidação
Lendo a matéria "Multas de trânsito vão pesar mais no bolso" (Geral, 31/10), concordei plenamente com o médico Jean Sangiórgio, para quem "aumentou pouco" o reajuste das multas de trânsito, "tem muita gente que não sabe dirigir nessa cidade" (e por extensão no país). Entre os inaptos e negligentes ao volante estão até os que teriam de coibir as barbaridades. "A gente vê carros oficiais mal estacionados ou em local indevido, falta de sinalização nas ruas, buraco no asfalto", observou o caminhoneiro Abelardo Moreno. Dedução lamentável ao ler na terça "O Estado de S.Paulo": a finalidade precípua do reajuste é arrecadar, afinal a União e os estados em sua maioria estão quebrados, por causa do populismo, das mamatas e da corrupção (opinião nossa). Conforme a reportagem, as multas, com aumentos de até 244%, se forem pagas imediatamente à notificação via internet, terão desconto de 40%. Uma infração média, de R$ 130,16, cairá para R$ 78,10, inferior até ao valor que vigorava antes do reajuste. O infrator poderá pagar por um aplicativo (Sistema de Notificação Eletrônica SNE) ora em testes pelo Denatran em Santa Catarina e Minas Gerais, ainda não estendido a todo o país devido a algum imprevisto. Infrinja e pague com desconto, parece ser a mensagem, semelhante às liquidações das redes de eletrodomésticos.
WIDSON SCHWARTZ (jornalista) Londrina
O flautista de Hamelin
Na história dos Irmãos Grimm, a cidade de Hamelin estava sofrendo com uma infestação de ratos. Um dia, chega à cidade um homem que reivindica ser um "caçador de ratos" dizendo ter a solução para o problema. Prometeram-lhe um bom pagamento em troca dos ratos - uma moeda pela cabeça de cada um. O homem aceitou o acordo, pegou uma flauta, hipnotizou-os, afogando-os no rio. Apesar de obter sucesso, o povo da cidade não cumpriu a promessa feita e recusou-se a pagar o "caçador de ratos", afirmando que ele não havia apresentado as cabeças. O homem deixou a cidade, mas retornou várias semanas depois e, enquanto os habitantes estavam na igreja, tocou novamente sua flauta, atraindo dessa vez as crianças de Hamelin. Cento e trinta meninos e meninas seguiram-no para fora da cidade, onde foram enfeitiçados e trancados em uma caverna. Essa história está parecendo as atuais ocupações das escolas feitas por nossos estudantes, pois alguns grupos, partidos políticos, movimentos sociais ao se sentirem traídos por promessas não cumpridas pelo governo resolveram se vingar tentando obter vantagens na marra, fazendo chantagem emocional, usando nossos jovens escolares como escudo e massa de manobra. Peço a todos jovens envolvidos para usarem suas inteligências, as quais sabemos que têm, para prestarem atenção se essas lideranças que apareceram do nada, passandose por flautista de Hamelin, se estão acabando com os velhos ratos da política ou com nossos jovens e seus sonhos escolares.
OSVALDO SANTOS JR. (arquiteto) Londrina
Agora o remédio vai ser amargo
A nossa Constituição de 1988, chamada de Constituição cidadã, garantiu uma quantidade de direitos aos cidadãos para os quais exige uma receita muito maior do que o País arrecada. Embora se arrecada muito, só que não é o suficiente para atender o que transcreve a CF. Ao longo desses 30 anos, cuidaram de ir implementando os direitos constitucionais, mas, não conseguiram dar à iniciativa privada condições de crescimento. Daí, a receita não acompanhou os gastos. Agora, o remédio tem que ser amargo. Quero ver quem vai aceitar reduzir direitos adquiridos. Pois é! Sempre é assim, ferro no cidadão! É o fator previdenciário, é a dificuldade de corrigir os benefícios dos aposentados, é o criar impostos. Cadê o sacrifício dos banqueiros e da classe política? Cadê?
PEDRO MARQUES GARCIA (bacharel em Direito e Administração) Cambé
Funcionários públicos
É a quantidade de servidores que impacta nas despesas do governo. Estamos lutando para diminuir deputados federais em 25%, vamos diminuir também os funcionários públicos. Por que o governo não faz um Plano de Demissão Voluntária (PDV)? E não paga de acordo com sua arrecadação? Digamos que se determine em R$ 90,00 o gasto com salário de determinada repartição. Se um funcionário der conta, seu salário será R $90,00; se for necessário mais um então, salário de R$ 45,00. Se forem necessários quatro, R$ 22,50 cada. Arrecadar mais de nada adianta se continuarmos a sangrar os cofres do Estado com salários de servidores improdutivos. Para políticos e comissionados não pode, para servidores pode? Temos 55 deputados estaduais. O Estado sangra mais dando R$ 1 milhão por deputado ou 5% de aumento para cada funcionário público?
ILDO YUKIO MARUBAYASHI (agricultor) Londrina
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