Vereador não é profissão!
Sobre a provável proposta de redução dos salários dos vereadores da Câmara Municipal de Londrina, já rechaçada pelos parlamentares da Casa, vale a pena analisar os argumentos contrários elencados por eles na edição de ontem da FOLHA. Um ilustre vereador argumentou: "... a remuneração (R$ 12,9 mil) está adequada ao tamanho da responsabilidade". Outro emendou: "É uma bandeira equivocada, porque a questão salarial está ligada à qualidade profissional". Um terceiro asseverou que gasta mais de R$ 1,9 mil por mês com o seu gabinete itinerante. Na mesma esteira, o derradeiro vereador entrevistado afirmou que é impossível "sobreviver" com um salário de R$ 1,9 mil por mês, como propõe o recém-eleito Emerson Petriv (o Boca aberta), já em 2017. Não votei nesse senhor, mas não posso discordar do seu mote de campanha. Há que se perguntar o número de brasileiros que sobrevive nesse país com um salário mínimo. Será que todos, no exercício de suas diferentes funções, não possuem capacidades, qualificações e responsabilidades para o trabalho, que só os nossos vereadores alegam possuir e que, segundo eles, justificam os R$ 12,9 mil por mês? Meus caros senhores, é preciso melhorar muito os argumentos para justificar os atuais ganhos, simplesmente porque vereador não é profissão! Professor em início de carreira precisa ter graduação, especialização, passar em concurso público, esperar pacientemente as aulas que sobrarem, seja lá onde estiverem disponíveis e, por fim, enfrentar o cansaço diário da função de educar. Isso é profissão! A profissão insubstituível no processo de transformação social.
MARIA DE LOURDES PAIVA SIMON (professora) – Londrina

Boca Aberta
Digo que o papa Francisco é "o cara" porque vive o que prega. Longe de comparar a pessoa do papa com à de Boca Aberta, mas se este ficar com R$ 1,9 mil e doar o restante dos vencimentos de vereador ao Hospital do Câncer (instituição conhecida) mostrando o recibo de doação todo mês - embora discorde da bandeira de redução dos subsídios - na próxima eleição voto nele. E espero que obtenha não 11 mil, mas 30 mil votos. O leitor Murillo Leal (Opinião, 5/10) citou diversas consequências que a redução poderá causar, ignorando que existem poderes constituídos para investigar e punir os crimes citados e que é preciso respeitar os votos do vereador mais votado de Londrina. Sugiro a quem disse que o mandato de vereador é igual a de um executivo de empresa que fatura R$ 1,8 bilhão/ano (Política, 5/10) que procure emprego por lá.
ILDO YUKIO MARUBAYASHI (agricultor) – Londrina

Vereadores
Na edição de 4/10, a FOLHA publicou a relação de vereadores eleitos e reeleitos para a Câmara Municipal de Londrina. Foi informado o nome (ou codinome), o partido e a profissão. No entanto, de quatro vereadores ficamos sem saber qual a sua experiência profissional, pois a mesma não foi declarada por eles. Gui Belinati se diz estudante; Nantes se diz aposentado; Roberto Fu e Junior Santos Rosa são ditos vereadores. Estudante e aposentado não são ocupações laborais, são apenas características de vida. Se Gui nunca trabalhou, deve se declarar sem profissão e o Nantes, para ser aposentado, trabalhou em algum tipo de ocupação, portanto, deveria informar qual. Quanto aos outros dois, vereadores reeleitos, cabe explicar que cargos eletivos não se configuram em profissões, porque desde o vereador até o presidente da República, nenhum eleito é. Todos apenas estão pelo prazo de 4 anos. Aguardo a complementação de dados para constar nas fichas de controle que estou organizando. Como sempre faço, a cada 4 anos.
NINA CARDOSO (psicóloga aposentada) – Londrina

Prisão à moda da casa
A Polícia Federal está preocupada com a prisão de "peixes grandes", pois terá que oferecer pratos mais requintados. Talvez, "lula na mantega", "lula a la lulinha" ou o genérico e apimentado "lula lá a la cumari" , embora alguns nutricionistas considerem os mesmos indigestos, além de riscos às hemorróidas. Como a palavra da moda é "italiano" (código secreto da máfia), sugiro uma tradicional "macarronada pallociana". Por outro lado, se for confirmada a nova modalidade de "prisão familiar", haverá melhor custo benefício nos gastos com a suíte, especialmente em termos de energia elétrica. Seria legal um ambiente musical. Até imagino um marido recepcionando a esposa, segurando uma tornozeleira conjugada e cantando a música da atual estação: "Quando o inverno chegar, eu quero estar junto a ti" (Tim Maia, Primavera). Nesse caso, o cardápio noturno, à luz de velas, poderia ser "baião de dois", acompanhado de "bem casados", ao som de "Não quero dinheiro" (Tim Maia). Afinal, casamento é assim, "na alegria e na tristeza".
AMARILDO PASINI (professor) – Londrina

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