OPINIÃO DO LEITOR
Em Londrina, democracia significa trabalho dobrado
A democracia se fez presente em Londrina. Ou melhor: o londrinense a resgatou. Isso é invariável. Certo é que 88.891 eleitores não compareceram, anularam ou votaram em branco, relativamente ao cargo de prefeito municipal. A despeito disso, 255.447 votos validamente alçaram 19 candidatos à função legislativa. Destes, 7 a título de reeleição, 2 conhecidos da Casa e 10 novos vereadores. O quadro, assim, por ora, suaviza as eleições anteriores, conturbadas, sem continuidade e, de maior destaque, recheadas de necessárias intervenções do Poder Judiciário. De outro lado, quanto ao mérito eleitoral, os resultados se revelam, no mínimo, surpreendentes (para não usar esquisitos) e contraditórios, o que recai especialmente sobre o conjunto de vereadores eleitos, permeado de ideologias contrapostas. Talvez, essa seja a essência da pura democracia, de freios e contrapesos internos, que só poderá ser julgada pelo tempo. Em todo caso, a estranheza gera a presunção relativa de que Londrina não soube votar. Por tal razão, a partir de janeiro de 2017, cada vereador, individualmente, terá o ônus de demonstrar o contrário. Isto é, trabalho dobrado aos eleitos.
HUGO CAMPITELLI ZUAN ESTEVES (advogado) Londrina
Belinati, nos surpreenda
O senhor Marcelo Belinati (PP) foi o vitorioso na eleição para prefeito de Londrina. Durante a campanha expôs seu ponto de vista e a maneira como iria atuar junto à prefeitura. Pois bem, o senhor terá mais de 500 mil juízes que irão fiscalizá-lo e, por fim, julgá-lo ao término de seu mandato. Vamos ser honestos: boa parte dos londrinenses escaldados está com os pés atrás e com receio de ligações com pessoas que machucaram a nossa cidade. Então, caro futuro prefeito, nos surpreenda e mostre-nos que é mesmo digno, como nos fez crer na sua campanha, pois Londrina merece o melhor. Boa sorte, vamos torcer mesmo para que esteja e seja iluminado pelos bons princípios.
JOSÉ ROBERTO BRUNASSI (advogado) Londrina
Vamos cobrar
O senhor Emerson Miguel Petriv, o Boca Aberta, foio vereador mais votado em Londrina. Tornou-se conhecido pela sua forma diferenciada de ser e até de se locomover (bicicleta). Causou vários tumultos na sessões da Câmara Municipal, desafiou policiais conforme vídeos postados pelo futuro vereador na internet. Esperamos que na condição de vereador continue com a boca e olhos abertos e ouvidos atentos para com o Executivo e também os demais colegas do Legislativo. E mais, não se esqueça de dar sequência no projeto de sua autoria para que os vereadores de Londrina tenham salários de R$ 1.192,28 (salário mínimo). Parabéns, por ter sido o vereador mais votado.
ADONIRO PRIETO MATHIAS (contabilista) Londrina
Eleições em Londrina
Aos poucos a população londrinense vai eliminando as raposas políticas que insistem em sujar as cadeiras da Câmara de Vereadores. São necessárias estas mudanças para que venham pessoas com mais vontade de trabalhar que lutem pelo desenvolvimento de nossa cidade. Vamos acreditar também que essa administração que assumirá em 2017 faça um bom trabalho. E vamos olhar para frente, o sobrenome não é motivo para desconfiança. A partir de janeiro, não será mais necessário pegar atestado médico para participar de torneio de sinuca.
ANTONIO JOSÉ RODRIGUES (aposentado) Londrina
Validade do acordo coletivo de trabalho
A despeito da recente decisão do STF, acerca da validade das normas firmadas em acordo coletivo de trabalho, sobrepondo-se à legislação trabalhista (CLT e correlatas), trata-se de um importante e tão aguardado avanço nas relações laborais no Brasil. Acordo Coletivo de Trabalho (reconhecido pela Constituição Federal como instrumento legítimo de composição e prevenção de conflitos trabalhistas) representa as vontades das partes, de um lado a empresa (cada qual com a sua realidade, dependendo do segmento) e de outro, os empregados, representados por seu sindicato, culminando em um acordo onde as partes citadas modulam determinadas regras, conforme a realidade daquela determinada empresa/segmento. Evidente que o acordo entre sindicato e empresa não pode ultrapassar os limites do razoável, respeitando sempre a saúde e segurança do trabalhador. Todavia, a maleabilidade de determinados preceitos legais possibilita, muitas vezes, a manutenção de postos de trabalho e geração de empregos. Como exemplo, por que não compensar eventuais horas extras com o fornecimento de outros benefícios? Já que não conseguimos a tão atrasada reforma trabalhista, surge, neste caso, a possibilidade de flexibilizar contratos de trabalho de acordo com os costumes e necessidades contemporâneos de empresas e trabalhadores. Um avanço!
EDUARDO AYRES (advogado empresarial) - Londrina
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