OPINIÃO DO LEITOR
Carta aos (ainda) indecisos
Estamos a poucos dias das eleições. Alguns políticos ainda não conseguiram expor seus planos, projetos e estratégias de ação de maneira convincente. Algumas candidaturas têm apoio de diversos segmentos da sociedade. Isso é importante. Porém, alguns candidatos enfatizam veementemente suas posições religiosas para poder angariar votos. O problema é que a maioria não está interessada ou até mesmo disposta a chamar a população para refletir sobre a importância e as consequências que o voto pode trazer. Quem entra na política e é eleito sabe que seu trabalho deve ser pautado a fim de pensar o bem-estar da sociedade de forma geral. E não apenas para uma parcela. Então, desconfie das pessoas que fazem promessas exclusivas. Temos pouco tempo. Não vote em quem mistura política com religião.
BRUNO AMARAL DA SILVA (estudante de Jornalismo) Londrina
Greve dos bancários: a quem interessa?
A greve geral de uma categoria trabalhadora deveria ser o recurso extremo, após falharem todas as tentativas de obter ou evitar perda de benefícios e melhorias das condições de trabalho. Antes disso, devem-se analisar diferentes alternativas criativas (greve padrão, de braços cruzados, etc.) e o custo-benefício para a categoria patronal (Febraban) e a sindical (representando 500 mil bancários), versus todo o restante da sociedade (200 milhões). Costumeiras greves anuais, desgastam e desacreditam os sindicatos (patronal e dos trabalhadores), partindo de propostas utópicas frente ao cenário nacional. A consequência é do cidadão ser privado do acesso às agências em operações que nos caixas eletrônicos e nas lotéricas (só para quem tem conta na CEF) se tornam operacionalmente muito difíceis, senão impossíveis. Por acaso, a Febraban e/ou os sindicatos dos bancários arcam com as multas dos clientes impedidos de pagarem suas contas em dia? A Febraban reduz as taxas de juros cobrados ou ela busca cada vez mais automatizar suas operações e reduzir o número de bancários?
MARIO JORGE TAVARES (administrador) - Londrina
Atualização da Planta de Valores
Atualização não é aumento. É ajuste de valores e justiça social. A maioria confunde atualização com aumento. Quem tem muitos imóveis, que se valorizaram ao longo do tempo, se aproveita desta confusão para impedir a atualização e consequentemente os mais pobres sofrem as maiores consequências. Propor aos nossos candidatos o compromisso de que esta atualização, para mais ou para menos, ocorra a cada 4 anos é o que sugere o controlador geral do Município de Londrina, João Carlos B. Perez (Espaço Aberto, 27/9). É uma boa proposta porque se não for automática, sabendo da provável confusão entre aumento e atualização, nenhum vereador em ano de eleição aprovará esta medida. Aliás, a atualização da Planta de Valores deve se dar no último ano de governo. Assim, o futuro prefeito não sofrerá o desgaste da medida e iniciará seu governo com o caixa cheio.
ILDO YUKIO MARUBAYASHI (agricultor) Londrina
Quando Jesus Cristo chorou
No indiciamento do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, por que o brilhante procurador Deltan Dallagnol chamou Lula de "comandante", "general" e "maestro" do Mensalão e do Petrolão, algumas pessoas o criticaram. Principalmente, os acólitos do PT aproveitaram a deixa para tentar vitimizar Lula. Não conseguiram, mas tentaram e muito. Ora, em certas situações os seres humanos reagem diante da barbárie e da odiosa agressão perpetrada. Tivemos no Brasil um saque nos cofres públicos, que rebaixou o País a uma nação de oitava categoria. Milhões de desempregados; pessoas sem remédio para sobreviver; famílias endividadas; empresários chegando à beira do suicídio diante da falta de perspectiva. Sei muito bem o que é uma situação de calamidade provocada pelo ser humano, vivi uma situação parecida. Quando promotor de Justiça, me deparei com o inquérito de uma menina trucidada, estuprada e morta por algozes "fantasmagóricos", sem piedade, então, tive uma reação inapropriada, pois fui à televisão e "desatei o verbo", falei muito contra os marginais. Agora, quando o brilhante procurador Dallagnol desabafou, eu o compreendi perfeitamente. Até Jesus Cristo, quando os vendilhões ocuparam o templo de seu pai, conspurcando uma casa santa, sacou um chicote de cordas e os enxotou dali. Esta hora brasileira é de extrema gravidade, por isso requer uma resposta à altura e o procurador não exagerou diante do mal imenso praticado contra uma nação indefesa, diante de marginais truculentos que nos deixaram de "tangas" como diz o ditado popular. Muita cautela nesta hora, mas não vamos abaixar muito as nossas cabeças senão o chão desaparece de nossos pés. Somos pequenos mas sabemos reagir a altura. Diante dos gritos, das caras feias e das maldades vamos nos defender, gritando mais alto ainda.
SERVIO BORGES DA SILVA (advogado) Londrina





