OPINIÃO DO LEITOR
A tocha, a onça e a condenação
Como todos nós sabemos, a chama é um dos símbolos dos Jogos Olímpicos e evoca a lenda de Prometeu que teria roubado o fogo de Zeus para o entregar aos mortais. Durante a celebração dos Jogos Olímpicos antigos, em Olímpia (Grécia), mantinha-se aceso um fogo que ardia enquanto durassem as competições. O Barão Pierre de Coubertin - fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna - dizia: "Que a tocha olímpica siga o seu curso através dos tempos para o bem da humanidade cada vez mais ardente, corajosa e pura". Pois bem, em sua peregrinação por cidades brasileiras, especificamente em Manaus (AM), a divulgação da passagem da tocha provocou um incidente que resultou no abate de uma onça pintada (animal ameaçado de extinção e símbolo da capital amazonense), causando comoção internacional e inúmeros protestos de indignação pelo mundo. Nessa toada, ao chegar à Cidade Maravilhosa, cujo estado do Rio já decretou situação de calamidade pública, a tocha vai iluminar as portas do Parque Olímpico e acabar encontrando a inscrição que Dante Alighieri dependurou na porta do Inferno: "Ó, vós que entrais, abandonai toda a esperança..."
RICARDO LAFFRANCHI (advogado) Londrina
Dúvidas, quem não as têm?
Às vezes, acreditamos em coisas que depois de bem olhadas ficamos em dúvida.
As pessoas agarram-se em verdades quaisquer, em alguma coisa que lhe dê alívio e segurança em coisas duvidosas. Há uma tendência em todos nós de buscar a ordem, tentando sempre fugir da ruptura das contradições. Aguentar sem crítica, sem tomada prévia de posição, fica-se com a cabeça quente e até no absurdo em brigar defendendo esta ou aquela ideia. É complicado entrar em atrito sobre o quer que seja. Será que os políticos corruptos merecem que briguemos por eles? Às vezes discordamos, entristecemos diante do que vemos e não conseguimos entender que algumas pessoas continuam defendendo suas ideias em favor do PT como verdadeiras, sem dúvida, embora as evidências são óbvias. O que eu discordo, tenho inúmeras dúvidas e não há ninguém para dar uma explicação honesta. Não aquela de sempre, muito manjada: "Nada aconteceu de errado, a presidente foi apeada do cargo sem comprovação de crime, a situação do Brasil é boa, os governantes não erraram". Eles nada fizeram de errado? Não há dúvida? Eu penso diferente seria do mal? Será que quem pensa assim faz parte daqueles que torcem para que o Brasil não siga em frente nos princípios democráticos? Não há santos no PT, e porque não dizer nem na pequena e velha sigla partidária. Continuo com dúvidas. Por favor, esclareça-me. Eu e muita gente queremos saber a verdade e ter menos dúvidas!
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO (jornalista) Londrina
Calamidade pública?
O estado do Rio de Janeiro possui cidades e população idênticas aos demais estados da Federação que conseguem pagar suas despesas com os impostos que arrecadam. Além dessa arrecadação, o Rio possui a segunda maior cidade brasileira, recebe dinheiro de todos os demais estados e também do mundo através de seu enorme polo turístico que envolve centenas de hotéis, milhares de restaurantes, bares, boates, vários teatros e inúmeras atrações turísticas que cobram suas visitações. Além desta arrecadação e do turismo, por décadas beneficiou-se dos royalties que o petróleo e a Petrobras fartamente distribuíram aos cofres do estado e possui um grande diferencial dos demais estados brasileiros devido a seu porto e à indústria de siderurgia naval também fortemente alavancada pela União. Recebeu milhões para investimento e mobilidade nos Jogos Pan-americanos, Copa do Mundo, Olimpíada e Paraolimpíada e, duas vezes por ano, racha as burras de dinheiro com o Carnaval e a Virada do Ano. O Rio era um estado que tinha que ter bilhões em poupança, de ter todas suas contas em dia, elevado nível de saúde, educação e segurança fruto de todos os pontos acima que dão a ela um diferencial espetacular se comparado com outros estados. A verdadeira calamidade do Rio é a administração pública dos recursos do estado.
PAULO MAURICIO ACQUAROLE (aposentado) - Londrina
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