OPINIÃO DO LEITOR
O Dia do Saio
Seja qual for o resultado do processo de impeachment em curso e diante de todas as evidências de desmandos e assaltos ao patrimônio público consumados em seu desgoverno, a presidente Dilma não terá jamais clima para retomar as rédeas da governabilidade. Os danos devastadores já estão evidentes. Crê-se que mesmo sem ela a recuperação de nossa economia já seria assaz árdua e complicada; com ela, então, se tornaria praticamente inviável a médio/longo prazos. Não há mais clima para completar seu mandato. O estrago - e que estrago! - já está consumado. Diante desse cenário tão sombrio, nossa presidente bem que poderia ir a São Bernardo do Campo, abraçada ao Lula, cercada pelos seus asseclas e do alto de um palanque em praça pública, recitar parodiando dom Pedro 1º: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronta! Diga ao povo que saio". Seria, certamente, a atitude mais sensata em toda sua desastrada, e não muito longa, trajetória política. Sonhar faz bem e não tem custo.
AGOSTINHO BACON (bancário aposentado) - Cornélio Procópio
A revolução pacífica
Uma operação que começou reprimindo crimes menores, denominada Lava Jato, foi se desenvolvendo e mostrando a verdadeira face de um Brasil que muitos de nós conhecíamos, mas não tínhamos poder, nem força para divulgar. Inúmeros procuradores de Justiça, juízes de Direito e policiais federais foram transformando em realidade aquilo que a sociedade brasileira tanto esperava. Empreiteiros, políticos importantes, operadores de esquemas, inúmeros esquemas fraudulentos, lavagem de dinheiro, peculatos, quadrilhas desmontadas, tudo isso foi sendo revelado. Até mesmo uma nova forma de investigação foi utilizada, com grande êxito, como a delação premiada o que motivou a descoberta dos maiores crimes cometidos contra uma nação inteira. Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e tantos outros competentes, eficientes e patriotas foram trilhando os caminhos da busca incessante e do desvendamento daquilo que precisava ser feito para uma sociedade verdadeira e séria. Na era cristã nenhum País conseguiu limpar o seu espectro social e varrer a corrupção, sem o derramamento de sangue. No Brasil, com a Lava Jato estamos conseguindo um fato inédito: o País está sendo passado a limpo sem violência, sem demagogia e sem os salvadores da Pátria.
SERVIO BORGES DA SILVA (advogado) Londrina
Final fúnebre
Pelo andar da carruagem os próximos dias serão históricos para nossa história. A presidente Dilma terá que arrumar as malas. Lamentavelmente, acredito que ninguém pode estar contente com um desfecho assim. Melancolicamente O PT terá que organizar o velório. Para carregar o caixão desse governo, Dilma e Lula própria deverão segurar duas alças, duas poderiam ser destinadas ao PMDB por ter emprestado sua sigla anos a fio garantindo horários eleitorais e ganhado ministérios. Outra alça teria que ser destinada à Rede Globo por ter sido complacente demais com lulopetismo desde os tempos do mensalão. As duas últimas alças do esquife poderiam ser agarradas por Zé Dirceu por ter tido a ousadia de, mesmo condenado, ter voltado à atividade criminosa. Chico Buarque, pela sua lealdade e coerência partidária, não poderia faltar ao cerimonial. Padres e pastores não irão faltar para as exéquias, mas ficaria muito bem se fosse Frei Beto. Tudo isso poderia ser evitado por somente uma pessoa que poderia tomar a decisão de renunciar o que lhe resta do poder levando um legado de dignidade e dando-nos uma visão nova para o nosso gigante Brasil. Não se esquecendo antes em pedir desculpas à nação pela imensa confusão que nos causou.
WALTER COSTA BARROSO (cirurgião dentista) Londrina
Trabalhadores rurais
Sobre o comentário do leitor Paulo M. Acquarole (Opinião, 29/4), observo que o pagamento do Funrural sempre foi obrigatório. Opção é se aposentar como trabalhador rural. O que acontece é que quando o empregador não recolheu o Funrural diversas exigências são feitas para comprovar ter sido trabalhador rural. Quando não se consegue comprovar o vínculo rural, opta-se pela aposentadoria convencional. Vender animais ao frigorífico não gera recolhimento automático do produtor, o que acontece automaticamente é a obrigatoriedade de o frigorífico recolher 3,2% do valor da comercialização a título de Funrural. Absurdo é pagar 3,2% de toda comercialização e não poder se aposentar sem fazer outro recolhimento. Desocupados e baderneiros se aposentarem como trabalhadores rurais é outra questão.
ILDO YUKIO MARUBAYASHI (agricultor) - Londrina
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