Nivelando por baixo

É bem verdade que os políticos saem do povo que os elegeu. Espera-se, portanto, que sejam no mínimo a média do povo: não tão intelectuais nem tão incultos. O que se viu na sessão da Câmara dos Deputados no dia 17 demonstrou que o resultado das urnas apontou para muitos que estão muito abaixo da média de nosso povo. São mesmo muito poucos os que têm condições de estarem naquela casa. Para a maioria, faltou objetividade, sobrou desconhecimento do que estava em questão. Faltou educação, sobrou baixaria e até palavras de baixo calão. Faltou respeito aos colegas e a quem estava acompanhando a votação Brasil afora, sobrou arrogância. Faltou a mínima condição de usar a linguagem com mediano nível de correção (constante falta dos "esses" nos plurais e dos "erres" no fim de muitas palavras, além da supressão constante da sílaba "tu" em "inconstitucional", sem falar em concordância e regência), sobrou "correio elegante" com recadinhos, dedicatórias e juras de amor incabíveis no momento. O humorista-deputado Tiririca usava o mote "pior não vai ficar". Ledo engano: ficou pior. E ficaria pior mesmo sem ele.
REINALDO MATHIAS FERREIRA (escritor) – Londrina




Não piore o que já está ruim

São tempos difíceis. Isso é fato. Lutamos por dias melhores. Todos, cada um a seu modo, lutamos por melhorias. Infelizmente, algo vital está se perdendo no meio do trajeto: o respeito. Pessoas se atacam das mais inusitadas formas: saem no tapa, perdem a compostura, cospem, ameaçam, etc. Se já está difícil como está, o que dizer com essas atitudes? Não houve e não há justificativa para o desrespeito, em nenhum caso e para nenhuma pessoa. Quando passamos dos limites com a natureza, a resposta é impiedosa. Nas relações humanas não é diferente. Pode ser que a resposta não venha da pessoa que você de alguma forma desrespeitou, contudo, a resposta vem. Na próxima vez que cogitar em atacar alguém, sair no tapa, perder a compostura, cuspir ou ameaçar, tente lembrar-se em como a vida devolverá isso. Porque ela devolve.
KARINA JANUÁRIO DA SILVA SUBIRES (estudante de Direito) - Londrina




Império das mentiras

A futura quase ex-presidente do Brasil deve continuar achando que tudo permanece como estava antes. Senão, vejamos: primeiro, mentiu quando disse que, se a votação do último domingo não lhe fosse favorável, seria uma "carta fora do baralho"; mal terminou a votação, declarou que "vai lutar até o fim". Surto de bipolaridade? Depois, começa a dizer que "estão vendendo terreno na Lua". Como essa prática vem sendo uma constante do governo nos últimos 13 anos e 4 meses, parece-me um caso de projeção psicológica ou mesmo de imputação objetiva, pela visão jurídica. Não foi à Grécia receber o fogo olímpico, mas foi aos Estados Unidos queixar-se do "golpe" inexistente e envergonhar mais ainda o povo brasileiro com seus discursos sem lógica e nexo, prova inequívoca de confusão mental. Creio ser necessária, com urgência, a presença de um psicólogo ou psiquiatra no Palácio da Alvorada.
NINA CARDOSO (psicóloga) – Londrina




Democracia não pode justificar a corrupção

A primeira etapa do impeachment foi vencida, mas ainda há outros trâmites para enterrarmos de vez esse desgoverno do PT. É certo que não há a mínima condição do PT permanecer, porém Dilma ao invés de fazer um gesto de grandeza renunciando, prefere o caminho da difamação, repetindo a ladainha de golpe e em defesa da democracia. Ora, a própria Constituição prevê o impedimento do presidente diante de falcatruas, pois golpe mesmo foi sofrido pelo povo ao ser iludido de que não havia crise, que a conta de luz ficaria baixa, que não se mexeria em direitos trabalhistas (nem que a vaca tussa!), aumento de impostos, pedaladas fiscais (rombo de R$ 100 bilhões), além dos cortes orçamentários para a saúde e educação. Diante disso tudo não se pode fazer nada por conta da defesa da democracia? A defesa dessa "democracia" nos custará um preço muito alto até o fim desse mandato. Não podemos aceitar um partido com uma ideologia social, mas que na prática funciona para enriquecer e se perpetuar no poder por desvios monetários jamais vistos nesse país. Ser contra esse governo não significa ser a favor do Eduardo Cunha, outro exemplo de corrupção, mas temos que cortar mal maior nesse momento e depois exigir também a saída de Cunha e Renan Calheiros, indo igualmente às ruas. Só com pressão popular caminharemos pela moralização de nosso país.
MATHEUS CLEMENTE GOMIDE DA SILVA (encarregado contábil) - Londrina


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