Conflito no campo
Tenho acompanhado pela FOLHA as matérias sobre a batalha travada pelos chamados sem-terra e a PM no Sudoeste do Paraná. Vejo o braço forte do Estado medindo forças com um movimento que acredito eu ser composto por camponeses em busca de um pedaço de chão para plantar. Não me assusta que, dessa batalha, o poder de coerção do Estado seja mais violento e eficaz, pois é composto por homens bem treinados e preparados para o combate. Repudio que o Estado tenha que usar seu poder de coerção, onde vidas podem serem ceifadas e como foram, para a solução de um conflito meramente social e jurídico. O embate tem que ser nos tribunais e não no campo de batalha. Nossas autoridades têm que abrir os olhos e levar o embate para uma mesa de reunião e buscar metas para a solução do problema que não se resolve com armas e sim com canetas.
LUIZ FURTADO (vendedor) – Londrina

Inexplicável
Li na FOLHA que o governo do Estado vai gastar R$ 11 milhões para alugar por um ano 200 viaturas para equipar a polícia de Curitiba. Este valor me pareceu absurdamente irreal, senão vejamos: o custo médio de cada unidade será de R$ 55 mil/ ano. Hoje compramos nas concessionárias um carro no porte de uma viatura por R$ 36 mil. Deste valor 28% são impostos que o governo não precisaria pagar o que derrubaria o preço para R$ 26 mil. Numa conta mais simples, a aquisição das 200 unidades sairia por R$ 5,2 milhões, ou seja, a metade do que o governo vai investir. Quanto a manutenção propalada no anúncio, o revendedor da fábrica nos fornece gratuitamente por mais de um ano. Se os carros forem comprados, depois de um ano teremos um valor de revenda ao passo que com a locação devolveremos todos pura e simplesmente. Se não fosse pela honestidade ilibada dos nossos políticos, eu até pensaria que nessa operação existem interesses inconfessáveis.
EDSON MEDARDO SCARCHETTI (bacharel em Teologia) – Londrina

Lula lá de novo?
Pasmem! Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha, se a eleição fosse hoje Lula seria eleito presidente do Brasil! E ainda nos deparamos com pessoas que crucificam Pelé por dito que o brasileiro não sabe votar.
LUIZ ALBERICO PIOTTO (servidor público) – Cambé

Parlamentarismo
Oportuníssimo o artigo "Hora de discutir mudanças - podemos fazer melhor" (Espaço Aberto, 9/4) do engenheiro Junker de Assis Grassioto. Concordo com suas ideias em gênero, número e grau. O presidencialismo está exaurido em todo o mundo civilizado e democrático. Nem os Estados Unidos o suportam mais. Há que se disseminar informações úteis à sociedade para se criar massa crítica a respeito do assunto. Poucos sabem o que é o parlamentarismo e sua rejeição no passado foi fruto do desconhecimento e por tentar implantá-lo em momento de grande crise política e econômica. Obviamente, que um assunto de tal magnitude não se resolve com "sim" e "não". Há que se demonstrar os valores éticos e morais que o sistema encerra e, a partir de uma séria reforma constitucional, recriar o sistema de representação político-partidária. Hoje, sem qualquer dúvida, é nele que está fincada a endêmica corrupção. As reeleições devem ser limitadas também para o Legislativo. É preciso espancar de vez os "monarcas" do País. Eles estão há 30, 40, 50 e até 60 anos no poder. O voto distrital, como afirmado no artigo, reduz gastos com eleições, compromete o candidato com sua comunidade e evita muitos desmandos de campanhas. Sugiro que a FOLHA, sempre presente nas grandes causas, promova discussões sérias a respeito do assunto. Mudar os atuais governantes é preciso, mas não basta.
ANTONIO BACCARIN (advogado) – Londrina

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