Opinião Atualizado em 02/04/2016, 23:00
OPINIÃO DO LEITOR
Foi com tristeza e pesar que li a notícia sobre a médica de Porto Alegre que se recusou a continuar dando atendimento ao filho de um casal de militantes do PT e do Psol. E fiquei mais indignado ainda com o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul que disse que a médica deveria ficar orgulhosa de sua atitude. Estamos regredindo e voltando à época das perseguições. Hoje, perseguição política; amanhã, perseguição religiosa, étnica, racial. E isso tudo diante de tantos discursos politicamente corretos e de projetos e ações por parte de órgãos públicos (vide Dia da Consciência Negra, etc.). Até onde chegará a frieza do coração humano e do que ele é capaz? Execramos os grandes massacres da história, os atentados, os talibãs e o estado islâmico e continuamos a alimentar os déspotas e nazistas que se colocam acima da lei para defender interesses pessoais, partidários, em detrimento da vida humana. Aonde vamos chegar? ("Por se multiplicar a iniquidade o amor se esfriará de quase todos..."). Parece que quanto mais esclarecidos, intelectuais e tecnológicos nos tornamos, mais cruéis nos tornamos no tratamento com o outro. Teremos que chegar ao ponto de elaborar leis de inclusão aos militantes de partidos políticos? Haverá um partido oficial? Implantaremos a ditadura invertida em nome de uma pseudo democracia? Pensemos nisso!
ANTONIO CARLOS SILVA MOURA (professor) Londrina
Durante anos muitos se eximiram da responsabilidade do que é viver numa república democrática, sob forma de governo democrático e participativo. Uma conquista a custo de muito sangue inocente. Não basta ir às urnas na data determinada. É preciso discutir sim. E participar. Hoje é claro o reflexo das discussões que não fizemos. Criou-se um campo fértil para que diversos políticos, obviamente de diversos partidos, pudessem efetuar práticas ilícitas inclusive com amparo legal. Não adianta ir às ruas, não adianta compartilhar um "post" da internet, se de fato não houver consciência política. Consciência que só aparece em dia de manifestação não é a mais ideal. Muito menos aquela "consciência" que te faz agredir alguém. É assustador quando testemunhamos que nível de sandice chegou àqueles "catedráticos" frequentadores da casa do senhor. Enquanto houver democracia há esperança.
BRUNO AMARAL (estudante) Londrina
O fim desse governo está próximo! Com ele vai a era do Partido dos Trabalhadores (13 anos de ilusionismo) para, ao que tudo indica, nunca mais voltar. A fórmula do assistencialismo social já dava sinais de esgotamento no segundo mandato do "Filho do Brasil". A democracia impõe aos cidadãos o duro dever da minoria respeitar a vontade da maioria revelada no resultado das urnas. Todavia, o regime democrático também possui, como medida de freios e contrapesos (checks and balances), a regra da alternância de poder que, evidentemente, não comunga com a hóstia consagrada da reeleição. A crise econômica que estamos vivendo já havia sido anunciada no apagar das luzes de 2009 e, agora, só estamos colhendo os frutos dos nossos erros passados. Hoje a maior rede de imóveis comerciais atuante nas cidades do nosso país chama-se: "Aluga-se". O filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau (1712/1778) ensina: "O povo, por ele próprio, quer sempre o bem, mas, por ele próprio, nem sempre o conhece".
RICARDO LAFFRANCHI (advogado) - Londrina
Fomos capazes de criar a física, a química, a matemática e todas as outras matérias sob as quais se movimenta o nosso desenvolvimento cultural e moral. Porém, não estamos sendo capazes de modificar a nossa própria crença nos valores que dignificam e engrandecem o ser humano. Exemplo disso é quando um homem elevado ao mais alto nível material da nossa sociedade chega ao ponto de se referir a outros, iguais a ele e também extremamente importantes e preparados para exercer funções da mais alta relevância, como se fossem "covardes" só porque não pensam como ele. Foi o que fez Lula na sua explanação para Dilma, referindo-se a ministros e deputados. No momento em que ouvi, estarrecido, a gravação muito bem tornada pública pelo grande magistrado Sérgio Moro, comecei a pensar nos valores que nossos pais nos transmitiram. Estamos vivendo dias tormentosos, porém é preciso que as almas mais generosas tenham a condição de manter um debate sereno e moral, como requer a índole do povo brasileiro. Gerenciar nossas emoções na construção de um diálogo elevado e em alto nível.
SERVIO BORGES DA SILVA (advogado) - Londrina





