OPINIÃO DO LEITOR
Viaduto da PR-445
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, veio com esse blá-blá-blá de que as rachaduras no viaduto da PR-445 com a Avenida Dez de Dezembro foram resultado do solo heterogêneo e das chuvas. A realidade é que em obras públicas são empregados produtos e serviços inqualificáveis. Passou da hora do Ministério Público, em conjunto com o Crea e demais órgãos competentes, fazer uma varredura durante a execução e antes da entrega dessas obras, sejam de reformas ou construções. Chega de maquiagem!
LUIZ ALBERICO PIOTTO (servidor público) - Cambé
Defesa de Temer
A respeito da defesa apresentada pelo vice-presidente Michel Temer ao TSE, temos que concordar que partidos da oposição certamente receberam doações das empresas investigadas, dentro de um cenário imoral das eleições no Brasil. O problema está na origem do dinheiro. Se o PSDB e outros partidos de oposição receberam verbas desviadas das estatais dominadas pelo PT e seus aliados, então além de corruptos, temos uma corja de incompetentes. Ou será que desviaram tanto dinheiro para beneficiar também o inimigo? Ou contavam com a "lealdade" das empresas? Toda eleição financiada por "doações" de vulto tem seu preço.
ROBERTO YUTAKA HIRAZAWA (engenheiro civil) - Londrina
Crimes praticados por adolescentes
Nos dias atuais, tornou-se comum a mídia informar e mostrar os crimes praticados por adolescentes. Estes estão sob o manto protetor da lei, ou seja, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em vigor no País há mais de duas décadas. O referido diploma legal encontra-se arcaico, obsoleto nos dias atuais, seu conteúdo caminha sob o viés da lógica jurídica. Seus dispositivos benevolentes encontram-se em choque com os anseios da população em sua maioria absoluta. Seus preceitos por benevolentes constituem expressão infeliz gerada por um instituto esdrúxulo que nos legou o Poder Legiferante, ao colocar no mesmo jaez o "joio e o trigo", daí o nascimento de uma das mais cruentas dúvidas e o mais sinuoso nó górdio com que se defrontam os exegetas e comentaristas da referida lei. A rigor, o legislador ao instituí-la dá incrível salto para trás, qual aloprado e saltimbanco, tantas foram as dádivas inseridas que culminam por conceder alforria ou alvará para a prática de crimes por adolescentes acobertados pela alimentadora impunidade, esta reprodutora da delinquência. Olvidou o legislador de que o mal do protegido é o protetor. O ECA foi criado com visão teleológica para o fim social, notadamente para proteção do menor desamparado. Na aplicação prática, no entanto, há desvio de finalidade, com patrocínio de menores cruéis, verdadeiros lobos com vestimentas de ovelhas na prática de crimes, resultando numa sociedade massacrada, insegura e renhida, na lamentável e costumeira repetição de prantear suas vítimas.
ANTONIO FRANCISCO DA SILVA (advogado) - Ibiporã
Três mosquitos
Desde que os portugueses aportaram por aqui, o primeiro mosquito, de nome furtivo Politcus brasileirus, surgiu e proliferou-se em nosso país. Há quem diga que ele amalgamou influências várias em nosso comportamento e que hoje faça parte de nosso DNA. Refuto esta tese, pois acredito no Brasil e no seu povo. Mas concordo que o ambiente político nacional, lugar onde o Politcus se reproduz, está contaminado. Depois de desenvolverem-se em subgrupos, os segundos, originários do primeiro, espalharam-se pelas câmaras de vereadores e assembleias de deputados, governos de Estado, prefeituras e outros locais onde a máquina pública se faz presente. De nome pomposo, o Parlamentarius inaptus habita locais do Legislativo brasileiro; já o Tecnicus honestis, de nome popular e simpático, encontramos nos prédios dos governos de estados e prefeituras. O terceiro é o famigerado Aedes aegypti. Esperávamos que o Politcus brasileirus e seus fieis seguidores reagiriam a esta invasão do Aedes, mas o que vemos é uma acomodação, uma espécie de convivência pacífica entre os três mosquitos, que, diga-se de passagem, fazem um estrago danado. Os dois primeiros nos cofres públicos e na autoestima do brasileiro, o Aedes então nem se fala. Talvez o que veremos é uma mudança de hábitos. Com a Operação Lava Jato deflagrada pelo Judiciário, talvez os dois mosquitos que habitam o Legislativo e o Executivo possam ser expurgados da vida pública. Mas a solução para a difícil tarefa de combater os três mosquitos só depende de nós, brasileiros.
LIDMAR JOSÉ ARAUJO (professor de Sociologia) - Londrina
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