Impunidade explícita
Quando deparamos com a seriedade de conduta e atitudes firmes como as do dr. Sérgio Moro, renovam as nossas esperanças de um Judiciário melhor e consciente do seu dever para reduzir a impunidade no Brasil. Todavia, quando assistimos a presos em regime domiciliar serem beneficiados com viagens de férias nossas expectativas nesse sentido se esvaem. A notícia de que réus da Operação Publicano foram liberados para "um descanso de férias" no Rio de Janeiro, em Guaratuba e Camboriú nos causou estranheza e muita indignação. Isso não tem o menor sentido de justiça. Não dá para entender esse beneplácito com agentes públicos acusados de desviar em torno de R$ 1 bilhão dos cofres estaduais, ao mesmo tempo em que o governador do Estado nos impôs um aumento exorbitante de impostos, sacrificando toda a população paranaense. É justo que essa gente continue em liberdade e, ainda, usufruindo de mordomias com dinheiro passível de recuperação imediata dos prejuízos? Até quando vamos assistir a essas iniquidades e à leniência das nossas autoridades judiciárias? Por que não dar aos réus da Publicano o mesmo tratamento da Operação Lava Jato? A legislação processual não é a mesma? Por mais explicações e justificativas que deem, os cidadãos sérios, e que sonham com uma sociedade mais justa, jamais aceitarão essa aberrante situação. Um contrassenso, uma decisão incompreensível. Um verdadeiro tapa na cara dos paranaenses.
LUDINEI PICELLI (administrador de empresas) - Londrina




Hermenêutica
Acabar ou não com a semana inglesa em Londrina. Isso aconteceu lá nos anos 50 do século 20. Os grandes debatedores na Câmara Municipal eram o dr. Walter Pereira, médico de grande popularidade e trabalhista convicto. Do outro lado, nada mais nada menos que o dr. Aristeu Ribas, um dos maiores promotores da época. Em um determinado momento da discussão, dr. Walter argumenta que até o coração tem um tempo de descanso entre a sístole e a diástole, por que então negar este direito ao trabalhador? Dr. Aristeu pede um aparte e pergunta ao médico o que significam essas palavras estranhas. Imediatamente, dr. Walter responde: "Não estou aqui para dar resposta médica, se quiser saber passe pelo meu consultório". Dr. Aristeu vai à tribuna em discurso inflamado e faz comentários jurídicos e, à luz da "Hermenêutica", entende que a matéria é inconstitucional. Dr. Walter imediatamente pergunta ao promotor o que significa essa palavra. Sem pestanejar responde: "Não estou aqui para dar aula de Direito, passe pelo meu escritório que lhe explicarei". Após essa discussão memorável, foi decretado o fim da semana inglesa em nossa cidade e o comércio passou a fechar às 12 horas aos sábados. Lembrei-me desse termo jurídico muito usado nesses dias de indignação quanto à decisão judicial em conceder a pessoas presas envolvidas sob investigações graves autorização para passar as festas de final de ano nos mais sofisticados locais de lazer. Quem sabe encontraremos na "Hermenêutica" de nossa Constituição alguma interpretação que justifique esses privilégios que a sociedade está rejeitando com veemência.
WALTER COSTA BARROSO (cirurgião dentista) - Londrina




Questão de semântica
Todo ano é a mesma coisa. No último dia do ano o governo anuncia o novo salário mínimo, desfia um rosário de lamúrias e até tem ministro que alardeia ganho para o pobre assalariado. Puro efeito demagógico. O que é dado, mal e porcamente, é apenas a recomposição salarial, com a qual se procura equilibrar aquilo que perdemos durante o ano findo. O cartão corporativo dos governantes não é contingenciado, sendo seu valor liberado e ficamos impossibilitados de fiscalizá-lo uma vez que suas despesas são catalogadas como "segurança nacional". E a imprensa nos informa que foram cortados R$ 10,5 bilhões da pasta da Educação. Para um país que vinha anunciando ser "uma pátria educadora", esse é um golpe mortal na esperança do brasileiro. Quanto mais ignorante o povo, mais fácil dominá-lo.
EDSON MEDARDO SCARCHETTI (bacharel em Teologia) - Londrina




Mistério do pedágio
O que se esconde atrás das taxas absurdas dos pedágios no Paraná? A situação no Paraná é tão revoltante que nem mesmo em férias, quando estamos passeando, deixamos de nos indignar ou analisar o que leva um Estado e seus poderes constituídos permitir pedágios com valores absurdos. Ao chegar a Santa Catarina, como um passe de mágica, o valor do pedágio passa a ser R$ 1,90. Somos tratados como seres incapazes de raciocínio. O que será que se esconde atrás de concessões nebulosas e taxas absurdas e quem será que está lucrando tanto com isso? Caberia aos nossos representantes responder.
JACQUELINE MARÇAL (gestora de projetos sociais) – Londrina

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