Maioridade penal
Se os políticos quisessem de fato acabar com a violência, não discutiriam diminuir a maioridade penal, mas priorizariam investimentos numa educação de qualidade. Foi isso que fez o Japão, a Coreia do Sul, a Alemanha, a Dinamarca e tantos outros que figuram com altos índices de desenvolvimento humano e qualidade de vida. Diminuir a maioridade saciará a sede de vingança da sociedade, mas nem de longe porá fim à violência. Infelizmente, políticas medíocres preferem caminhos mais fáceis, ainda que ineficazes.

ROMÃO ANTÔNIO M. MARTINS (padre) – Londrina



Educação e burocracia
Quando iniciei minha carreira docente, há 34 anos, não havia muita burocracia na escola. Com muita luta, conquistamos a hora atividade. Acreditava-se, então, que esse tempo seria destinado para leituras, pesquisas, preparação de material didático diversificado, elaboração de práticas pedagógicas inovadoras, cursos, tornando assim, nossas aulas mais dinâmicas, agradáveis e atrativas para o estudante. Infelizmente, não é bem isso o que acontece. A cada ano que passa a burocracia aumenta. As atividades burocráticas são tantas que passamos uma boa parte da hora atividade preenchendo formulários, fichas, pareceres, relatórios, planejamentos e propostas pedagógicas quilométricas e uma infinidade de "papéis inúteis" que, na maioria das vezes, são engavetados. Papéis que nada acrescentam na melhoria da qualidade da educação e que mudam conforme o governo eleito e de acordo com a ideologia do partido político. Ficamos como "baratas tontas" tentando mudar e adaptar propostas educacionais o tempo todo. Enquanto a burocracia imperar na educação pública, esta ficará comprometida e estagnada. Como trabalhar numa "escola para todos", atendendo a "diversidade", com todo esse excesso burocrático? A crise na educação é sempre atribuída ao professor e não ao sistema que também contribui para o fracasso escolar. Tornar a educação pública mais eficiente, com "menos burocracia", limitando-se apenas a papéis realmente necessários, dando a oportunidade para que o professor utilize a hora atividade para realizar um bom trabalho pode contribuir, e muito, para a melhoria da educação pública. Cabe aos órgãos públicos a criação de mecanismos para promover a desburocratização educacional. Quem sabe um dia isso aconteça.

APARECIDA VIEIRA REMES (professora) – Borrazópolis



Oposição ou oportunismo?
Segundo os deputados da oposição, a greve dos professores foi encerrada devido à preocupação com os alunos. Evidentemente, esse foi um ponto fundamental para pôr fim ao movimento. Todavia, participei da Assembleia Geral da APP no dia 9 de junho e vi e ouvi o professor Hermes defender a proposta de reajuste apresentada pelo governo do Estado, ouvi o presidente do sindicato dizer exaltado que a "proposta não era a ideal", mas que iria garantir a reposição inflacionária dos servidores no período de quatro anos. Portanto, votei pelo encerramento da greve pensando em meus alunos e também porque a diretoria da APP defendeu o projeto. Por isso, me estranha muita a posição dos deputados da oposição que estão dizendo que a categoria e sindicato não aceitaram o projeto, por pior que ele seja.

MARCIO LAMEU (professor) - Colorado



No armário
É lastimável ver manifestações contrárias à liberdade sexual. Acho que não precisa ser filósofo para se chegar à conclusão de que tantos os homofóbicos (entre eles parte significativa de nossos representantes políticos e eclesiásticos) bem como os preconceituosos quanto ao exame preventivo de próstata por toque são indivíduos que não botam fé na sua natureza e que se tivessem que enfrentar uma situação ou se expor noutra, se sentiriam inseguros com receios de se porem a descoberto.

JOSÉ ROBERTO BRUNASSI (advogado) – Londrina



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