OPINIÃO DO LEITOR
Renan Calheiros
Impressionante o poder de fogo de um presidente do Congresso Nacional. Não fosse o habitual servilismo ao governo, poderiam lançar mão de inúmeros recursos institucionais e políticos de que dispõem para ajudar o Brasil a romper muitas barreiras ao seu desenvolvimento. Vemos o atual presidente, Renan Calheiros, desenvolvendo uma gama de recursos para atuar em proveito particular, usando tática de confronto com o governo Dilma para receber cobertura e respaldo para enfrentar os inquéritos da operação Lava Jato de que é alvo. Em apenas dois dias deixou de comparecer ao jantar de confraternização do governo com o PMDB, seu partido. Devolveu ao Planalto uma medida provisória sobre aumento de impostos tachando-a de inconstitucional. Avisou que não aprovará qualquer indicado para a vaga do ex-ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal se não for consultado (já tem seus favoritos evidentemente). Este último item nos remete para a falta de credibilidade de algumas decisões tomadas por esses juízes indicados ao STF somente se forem da confiança dos políticos de plantão. É incompreensível que nosso país aceite esse arranjo prévio para entronizar um ministro no STF.
Campanha da Fraternidade
Sobre a matéria "A política tem que olhar para o povo" (Entrevista, 1/3), concordo com o arcebispo primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, nós viemos para servir e devemos nos penitenciarmos pelas nossas omissões, mas nem por isso devemos ser tão inocentes ao achar que o financiamento público exclusivo vai resolver a falta de representatividade dos nossos políticos assim como a corrupção. Senão vejamos: destinamos anualmente cerca de R$ 350 milhões por ano aos partidos políticos, sem considerar a isenção fiscal da mídia (algo em torno de R$ 1 bilhão) e tudo isso é pago por nós. Com o financiamento público formalizado, as campanhas serão ainda mais caras, pois grande parte dos empresários continuarão a ter seus próprios interesses e vão financiar campanhas e a "sede" dos políticos será maior ainda. Os pobres brasileiros estarão (sem saber) contribuindo para todos os políticos. Basta que a Justiça Eleitoral faça sua parte na fiscalização efetiva dos financiamentos de campanha, não fique no "faz de conta" e que tenha gana na defesa do povo e não dos políticos.
Taca-lhe o pau dom Krieger
As palavras de dom Murilo Krieger sobre a Campanha da Fraternidade trouxe um grande alento. Não só a Igreja, mas muitos outros órgãos aglutinadores de pessoas deveriam ter a mesma iniciativa. Porém, acho que a Igreja Católica (sou católico) deveria fazer um pouco mais que isso. Alguns anos atrás, quando o PT ascendia aos cargos que hoje ocupa, vi padres e outros membros da minha igreja fazendo campanha e pedindo votos a esse grupo, pois eram eles a esperança de um mundo melhor, mais justo e mais distribuição de renda. O mesmo afinco demonstrado antes deveria aparecer agora para uma mobilização a favor do impeachment da presidente Dilma. A reforma não deve ser apenas política e sim de todos os Três Poderes da República, os limites de ganhos e de benefícios devem ficar nas mãos do povo diretamente sem que cada um faça favores uns aos outros.
Mais respeito aos trabalhadores
Na situação atual dos professores que lutam por seus direitos e não têm mordomia de passagens de avião, gostaria que os políticos não aumentassem os próprios salários e cortassem as regalias. A educação, saúde e segurança estão falidas por falta de dinheiro. Sem corrupção teríamos mais dinheiro para tratar os trabalhadores com mais respeito.
Correção
- Na matéria "Impressão 3D cria novas possibilidades de mercado" (Mercado Digital, 5/3), as legendas das fotos foram trocadas.
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