OPINIÃO DO LEITOR
Ser ou não Charlie!
Desde o atentado contra o jornal "Charlie Hebdo" que venho "ruminando" o que queria dizer. Após várias cartas de professoras dizendo que não apoiavam o movimento começado na França e espalhado pelo mundo, começo a me questionar: ser ou não Charlie? Não é questão de ser ou não ser, como já diria Shakespeare. É questão a ser discutida em sala de aula. É uma questão de liberdade de expressão ou não. Sou católico e vi várias charges do papa e dos bispos e nem por isso vou sair matando quem as fez. Ser ateu é um direito que precisa ser respeitado. As religiões estão aí para serem discutidas e questionadas. O que mais me impressiona é termos pessoas, que deveriam estar preparadas para o embate, estarem completamente despreparadas. Vamos à discussão ser ou não Charlie? Estamos preparados ou não? Se não, podemos pensar em mudar de profissão pois ser professor não é trazer respostas prontas (muitas vezes levadas de nossa formação deficiente). Ser professor é instigar, é levar o aluno a se questionar, a pensar, a discutir. Ser ou não Charlie? A decisão é dele (aluno) não nossa.
Também não sou Charlie!
Inteligente e equilibrada a manifestação da professora Thaís T. Vicente (Opinião, 17/1), ao fazer uso do espaço democrático reservado ao leitor pela FOLHA. Penso que uma charge que carrega um humor sarcástico na tentativa de ridicularizar convicções religiosas e sagradas do outro, de forma a criar constrangimento e até humilhação, não deve ser considerada como liberdade de expressão, porque o ataque irônico é a infâmia oculta atrás da insinuação maldosa e, geralmente, parte de pessoas que estão quase sempre em guerra com os outros, justamente por não estarem em paz consigo mesmas. Precisamos é defender o encontro entre a fé e a razão, como condição para se buscar o diálogo entre os povos e suas religiões, e deixar de lado a ironia, tão condenável quanto o fanatismo religioso.
E se a Indonésia fosse aqui?
Quem explica certos crimes em que a vítima não reage e entrega os pertences, e mesmo assim, é assassinada? Prazer em matar? Permissividade e/ou impunidade em excesso? Falta de espiritualidade? Percebemos ultimamente um aumento da violência e dos chamados crimes hediondos, alguns difíceis de explicar. Com relação ao brasileiro executado na Indonésia, o pedido de clemência da presidente Dilma foi baseado nas leis e no "jeitinho" brasileiro. A questão é que o tráfico de drogas não é considerado crime tão grave em nosso país, onde as cracolândias florescem à vontade. Lá é gravíssimo e tem pena de morte. Além disso, o povo indonésio tem outra maneira de ver e agir para o bom funcionamento social.
Indignação
Gostaria de manifestar minha indignação e acredito que a de muitos brasileiros, com a indignação da presidente Dilma quanto à execução de um brasileiro na Indonésia. Gostaria de vê-la indignada e tomando atitudes contra as milhares de execuções que ocorrem em nosso país por conta do tráfico de drogas. Qual a diferença de uma única execução internacional de alguém que, segundo a imprensa, já era contumaz na prática do tráfico frente às que ocorrem em nossos quintais?
Pena de morte
No sábado, o brasileiro Marco Archer foi executado na Indonésia. Lamentável. Não a execução, afinal ele era contumaz traficante de cocaína, conhecedor das leis daquele país. Lamentável foi o esforço que o Itamaraty fez para que se perdoasse o marginal. Infelizmente, o mesmo esforço diplomático não foi feito para atender dois infelizes atletas cubanos que se refugiaram no Brasil anos atrás. Foram presos e mandados de volta para Havana e sabe-se lá onde estarão nesse momento. Este é o governo do PT. Vários pesos, várias medidas.
■ As cartas devem ter no máximo 700 caracteres e vir acompanhadas de nome completo, RG, endereço, cidade, telefone e profissão ou ocupação. As opiniões poderão ser resumidas pelo jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br





