OPINIÃO DO LEITOR
Charlie Hebdo: símbolo da liberdade
No último dia 7 três assassinos tentaram apagar a luz mais preciosa do povo francês: a liberdade. Mas o que eles não podiam imaginar é que tamanho feitiço viraria bruscamente contra feiticeiros tão covardes. Eles não mataram jornalistas e cartunistas, eles os eternizaram, tornando-os símbolos da liberdade de expressão, morrendo de cabeça erguida e orgulhosos de nunca terem vivido de joelhos, como dizia um deles, o Charb. Eles não calaram suas charges, eles a tornaram célebres, fazendo-as girar o mundo inteiro e sendo traduzidas em todas as línguas em questão de minutos. O efeito foi, ao contrário, de multiplicação em milhares de outras charges criadas no mundo inteiro em um único dia. Eles não amedrontaram um povo, eles uniram direita, esquerda, cristãos, muçulmanos, judeus, budistas e ateus ao redor de uma república laica. Esses infelizes não sabiam que uma única chama é capaz de acender mais de mil velas, como ocorreu na praça da República e muitos outros lugares de Paris. A "Cidade Luz" fez jus ao nome e iluminou o planeta. Je suis Charlie, je suis Mohamed, je suis Maria, je suis Enzo, je suis Xiaolin, je suis Koishiro, je suis Abraham, je suis la France!
Alguém aí, é Charlie?
Eu não sou Charlie, sou sério, sou pela paz, pelo respeito aos direitos do outro, aos seus ideais, suas crenças. "Je suis Charlie"... que ridículo! Mais uma vez a massa se deixa levar pela prepotência e inconsequência da imprensa. Como ser Charlie, se ele mesmo declarou que não é um jornal sério, que se trata de um jornal provocador, satírico? Eu acrescentaria violento e inconsequente. Ser Charlie, portanto, significa não ser sério, ser provocador, satírico... Que absurdo essa apelação da imprensa francesa encampada pela imprensa mundial e seguida pelos mal informados e alienados cidadãos de várias nações, inclusive por autoridades. Como aceitar a afirmação de Marine Le Pen, "a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada". Essa fala é oportunista e mostra tão-somente o ranço da islamofobia. Parem com essa palhaçada! Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro do atentado, eu não sou Charlie. Continuo sendo sério, respeitoso e ciente dos direitos dos outros; sou cristão católico, aprendi que toda religião deve ser respeitada e basta.
Eu sou Charlie
Malala Yousafzai, adolescente, desafiou os talibãs por defender a educação feminina em seu país. Sim, ela "cutucou o vespeiro com vara curta", tanto que foi baleada na cabeça. Todos conhecem a sua história. Sobreviveu, publicou um livro, cujo título é "I am Malala". Não se dobrou diante das ameaças. Continuou com suas convicções, nos seus direitos em exercer a cidadania. A liberdade de expressão jamais se calará diante da violência. A expressão da verdade, verbal ou escrita, é um meio democrático onde podemos expor os malefícios ou benefícios de nossa sociedade. Seja um texto ou uma charge. Portanto, "I am Charlie".
Vergonha no Enem
Conforme a matéria publicada pela FOLHA, mais de 529 mil candidatos zeraram a redação do Enem 2014 (Geral, 14/01). Isso tudo é reflexo da péssima qualidade do ensino e não conforme o blá-blá-blá do ministro da Educação, Cid Gomes, afirmando que o tema não teve um grau de discussão nacional. A grande verdade é que o sistema educacional no Brasil já foi para o brejo e há muito mais tempo do que a vaca.
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