OPINIÃO DO LEITOR
Je ne suis pas Charlie
Sair como herói após atacar um número enorme de muçulmanos no mundo seria uma controvérsia gigantesca, se o fato não resultasse no assassinato dos cartunistas. É como você insultar um grupo social (pobres, negros, muçulmanos, judeus, cristãos) por longos períodos e, no final, ser a vítima da história. É claro que a resposta à violência iniciada pelo jornal Charlie Hebdo não pode ser respondida com mais violência, até porque na França não se aplica "o olho por olho, dente por dente". Existem outras formas de se solicitar respaldo, seja na justiça, seja tomando a entrada do jornal. Mas entrar atirando contra os cartunistas seria um retrocesso aproximado de 200 mil anos. Talvez, o verdadeiro culpado pelas mortes seja a própria sociedade, que permite a liberdade de expressão ultrapassar o respeito ao próximo.
Rendimento do trabalhador
Conforme trouxe a FOLHA na edição do último domingo, o rendimento do salário mínimo atingiu um ganho real de 76% no espaço de 12 anos (2002 a 2014), tendo uma correção no período de 362%. Porém, para os aposentados ou assalariados que estão na ativa e que ganham acima do mínimo, as reposições ficaram bem abaixo, ou seja 240%, proporcionando um perda real de 122%. Assim, o nosso governo premia os profissionais que se qualificaram para ter um rendimento maior e melhorar sua qualidade de vida, incentivando negativamente aos nossos jovens estudantes que, futuramente, estarão todos nivelados com os assalariados mínimos, amparados pelo corte de R$ 500 milhões mensais na área de Educação para este ano. Será que nós não somos ou fomos trabalhadores também?
Intolerância
O ataque aos cartunistas franceses é uma intolerância sem tamanho, que merece um análise mais aprofundada sobre como reagimos diante de fatos como estes. O que leva pessoas a cometer tamanha aberração em nome de uma religião que todos sabem que prega a paz tendo em seu líder Maomé a legitimação da existência de um deus soberano que a todos quer o bem. Por outro lado, é um risco utilizar de imagens de líderes religiosos como fonte de inspiração para qualquer tipo de satirização através da mídia, quem as utiliza podem servir de um estopim de algo maior que pode resultar na perda de vidas humanas. O que aconteceu na França é fruto de uma mistura perigosa que, na maioria das vezes, o resultado pode ser catastrófico. A violência provocada não se justifica, respeitar as diferenças é um dom que ter que ser cultivado por todos nós.
Inversão de direitos
Enquanto, o cidadão de bem fica preso em sua casa (grade frontal e nas janelas, portas com chave tetra e ferrolho, alarmes, cerca elétrica, etc.), o bandido fica livre para aterrorizar, furtar, roubar, matar. Por obediência imbecil ao governo federal, o cidadão de bem está desarmado,e o bandido fortemente armado, muitas vezes, com arma de calibre superior ao usado pela polícia. Em função disso, e da orientação da polícia e do governo federal, por meio da imprensa, para que o cidadão de bem não reaja aos assaltos, os bandidos nadam de braçada, ou seja, estão cada vez mais motivados, ousados, frios e calculistas. E mais, o policial que ousar "por a mão num bandido" terá contra si, as manifestações do centro de direitos humanos, não sendo a recíproca verdadeira. Com isso, a impunidade que reina em nosso país, nos dá como única opção de segurança, a nossa fé na proteção Divina, visto que, nada poderemos esperar do governo federal, do senado e da câmara federal, por estarem nesse "time", os maiores bandidos do nosso país.
Correção
- O crédito correto da foto que estampa a chamada de capa "Preciosidade" é da repórter fotográfico Gina Mardones.
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