OPINIÃO DO LEITOR
Aprendi com a derrota, e você?
A segunda-feira pós-eleição para mim teve gosto amargo e, como muitos indignados, até pensei em debater sobre fraude, manipulação, discurso do medo. Entretanto, fui mais além. Entendi que cada um vota olhando seu próprio umbigo: os professores votam em quem os favorece, os metalúrgicos e médicos também, enfim todos, e por que aqueles que passam fome, que vivem na miséria também não podem votar assim? Aprendi com a derrota que tive 12 anos para "apadrinhar" um, dois, dez adolescentes, levar comida, livros, ensiná-los a debater, refletir... e o que fiz (você também)? Nada! Com a derrota entendi que não estivemos em escolas sucateadas, bairros miseráveis, não vimos a fome e a miséria de perto, e agora queremos que esses pensem como a gente? Quantas pessoas você visitou, quantas crianças pobres ajudou? Quantas escolas você se ofereceu para levar livros, contar histórias, ajudar? Ora, não se mata a fome e a miséria com discursos politizados, não se mata a fome dentro de casas, lindas mansões e no conforto do sofá! Vamos respeitar o voto de cada um, pois nós também votamos de acordo com nossas vontades. Então, levante-se de seu sofá e venha transformar a realidade à nossa volta, não critique, não culpe, pois decidimos (eu e esposa) a mudar essa realidade à nossa volta, pois não posso exigir que pensem como eu ou você, se não vivem como nós, e se cada um de nós não entender o medo e a fome de cada um deles. Debates, conspirações, intrigas à parte... apenas reflitam: eu perdi, pois fui omisso nesses anos todos. E, agora, vamos fazer a diferença, e você?
CRISTIAN RODRIGUES FRANÇA (advogado) Londrina
Democracia
Encerradas as eleições, o resultado foi favorável à candidata em que a maioria dos eleitores brasileiros votou. Como deve acontecer num país civilizado, o candidato vencido se pronunciou reconhecendo o resultado das urnas e cumprimentou a vencedora. Muito correto. Entristecer-se com o resultado desfavorável é natural para os vencidos. Mas o que se viu em muitos comentários nas redes sociais por parte de alguns eleitores é de uma pobreza de espírito democrático que dá nojo. Chamam os eleitores contrários de burros, ignorantes e outros termos pejorativos. Pior do que isso foi ver na televisão a cara de ódio do senador Alvaro Dias, na hora da apuração numa mesa com jornalistas. E, pior ainda, indagado sobre o que não teria dado certo na campanha do vencido, afirmou: "Fomos pouco agressivos". Então, campanha política é para agredir quem pensa diferente? E, vamos ser sinceros, não agrediram pouco, não. Por ter já cumprido o tempo necessário para me aposentar como eleitor, não preciso mais votar. Por isso, sem tomar qualquer partido, faço esse desabafo esperando que o senador, que foi um ótimo governador do Paraná, deixe de ser o rancoroso que parece odiar os eleitores que não votaram de acordo com seu pensamento. E que os eleitores que se manifestam nas redes sociais o façam civilizadamente sem usar termos de baixo calão. Da mesma forma, os que foram vitoriosos devem respeitar os vencidos e, humildemente, criar condições para que todos se aliem democraticamente para o bem do Brasil.
EDGAR BAER (advogado) - Londrina
Eleições 2014
Houve muita indignação pela reeleição de Dilma à Presidência da República. Temos que perceber que muitas sugestões e projetos de melhoria para a sociedade são "barrados" pelo Congresso Nacional. Nessa instituição há muitas pessoas (talvez a maioria) que (ainda) prometem muita coisa ao eleitor, mas quando se elegem, estão lá, visivelmente, para defender interesses próprios, da classe ou dos seus patrocinadores de campanha. O "protecionismo" existente é visível. Em 2007, um conhecido político "acima de qualquer suspeita" renunciou ao cargo de presidente do Senado para não ser cassado e agora está lá no mesmo cargo. O Brasil, politicamente, ainda é como aquela música do Cazuza: "Brasil, mostra sua cara"!
SWAMI VERONESI (músico) Santo Antônio da Platina
Planta de valores x IPTU
Acho que essa discussão sobre o IPTU está equivocada. Planta de valores é um documento técnico que deve ser elaborada por técnicos, deve retratar os valores corretos e atuais dos imóveis. IPTU é outra coisa. A decisão política sobre o valor do imposto a ser cobrado pode trabalhar as alíquotas, trabalhar os descontos, trabalhar os valores do IPTU sem se utilizar de uma falsa planta de valores. Se um determinado imóvel tem valor atual real de R$ 1.000,00/m², a planta de valores não pode estar dizendo que o mesmo imóvel vale R$ 100,00/m².
VIVALDO VOLTARELLI (engenheiro civil) Londrina
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