OPINIÃO DO LEITOR
Liberdade, responsabilidade e política
Às voltas com mais um momento de decisão crucial para o País, impossível não filosofar sobre nossos deveres e direitos e sobre o papel do cidadão. Pouco ou muito politizados, somos todos responsáveis por nosso destino conjunto. Em poucas oportunidades a liberdade política é tão bem representada e exercida quanto o momento do voto secreto. Ainda que o exercício do pleito, neste país, não seja uma opção, a possibilidade que engendra o referenda como tal: a opção "final" é efetivamente de seu agente. Quando uma das opções já foi testada, eleição é espaço para demonstrar satisfação, concordância ou não. Referendar mecanismos e resultados ou atestar anseio de mudanças. Votar em candidato e sistema vigentes é prestigiar seus feitos; aprovar-lhes os atos, é compactuar com eles. Endossar sua regência em palcos e bastidores, assinando nova procuração. Buscar outras possibilidades, mais que uma prerrogativa, é dever do insatisfeito. O que pode mudar se o agente da ação não muda? Portanto, ainda que a oferta não pareça estar à altura da demanda, há uma escolha, e ela é decisiva: ratificar o presente ou tentar diferente. Que não se vote em candidato apenas porque isso foi feito antes, no passado. Que o ato importante do voto não tenha a face da acomodação, nem do alheamento, nem da teimosia. Que ele receba, previamente, o mínimo que se deseja do eleito: atenção e respeito. Que tenha peso de ouro agora para que, no futuro, tenhamos orgulho dele e de nós.
JEANINE BERBEL (médica) Londrina
Preço de um voto
No Brasil os postulantes a cargos eletivos ainda compram votos. A moeda de troca pode ser uma botina ou uma dentadura. O candidato entrega um pé do sapato ou a parte de cima da dentadura antes da apuração dos votos. Quando eleito, algumas vezes entrega a parte que falta. Essa parcela da sociedade é a mais carente e classificada como ignorante por muitos. Logo após essa faixa da população estão os eleitores contemplados pelos programas assistenciais: vale gás, bolsa família, vale leite, entre outros. Estes têm o voto comprado pelo moderníssimo sistema do cabresto "high tech": ficam reféns de uma ração mensal que os impede de pensar e produzir. Esse é o maior contrato de escravidão em vigor no Brasil, sem previsão de uma Lei Áurea que liberte esses pobres eleitores. Ainda existe um tipo de cidadão vendedor de voto que consegue ser pior. Embora tenha algum tipo de esclarecimento, ter frequentado boas escolas, ter renda bem superior ao salário mínimo vigente, esse vendedor troca seus ideais, os sonhos de uma sociedade mais justa, compromete a estabilidade econômica do país, aceita a corrupção em troca do seu conforto e segurança pessoal. São, portanto, os pelegos que trabalham para partidos e políticos sem comprometimento algum com a nação, enxergam simplesmente o seu bolso e as vantagens que podem obter. Hoje o Brasil terá a chance de dar um basta a essas amarras que fizeram do eleitor um fantoche manipulado por maus políticos. Vamos esperar que o povo coloque fim nesse teatro.
ROBERTO TEIXEIRA (empresário) Londrina
Metade derrotada, errado!
É hoje o dia! Ouvimos de tudo e, ao que parece, o País ficou dividido. A partir de amanhã ou do dia 1º de janeiro de 2015, manteremos a atual presidente ou teremos um novo. O que esperamos é que a parte dos eleitores vencida esteja errada na sua avaliação das colocações de seus candidatos e que, ao contrário do que dizem que "aqui se torce para o Brasil dar errado", vamos torcer para que dê muito certo, independentemente de quem governará o país. Veja com que garra os dois candidatos buscam o seu voto. Ele vale ouro, portanto, honre seu voto, seja para quem for, pois você é o grande responsável pelo futuro de nosso país.
JOSÉ ROBERTO BRUNASSI (advogado) Londrina
Tenho medo...
Tenho medo que o nosso país se torne uma "terra sem lei". A impunidade está presente e incrustada nos Três Poderes da República. O Executivo nomeia os ministros do STF para defendê-lo dos crimes de corrupção. O Legislativo é uma vergonha nacional, com raríssimas exceções. Antes se escondiam atrás do voto secreto. Quase que o ex-deputado federal Natan Donadon escapou da cassação. Se não fosse a pressão da sociedade exigindo voto aberto para esses casos, estaria belo e formoso ainda na Câmara dos Deputados. O Judiciário se auto presenteia com auxílios diversos, gratificações jamais vistas em países sérios. Aliás, se alguém conhecer um juiz que paga aluguel da casa onde mora me avise; gostaria de dar-lhe meus pêsames! O que me preocupa mesmo não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter e sem ética. O que mais me preocupa é o "silêncio" dos bons. Esse é o meu medo!
WILSON OLIVEIRA TRINDADE (bacharel em Direito) Londrina
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