OPINIÃO DO LEITOR
Indecências continuam
Em tempos de tentativas de moralização político-administrativa com a firme atuação de homens éticos do STF, estamos assistimos, na contramão dessa cruzada moralizadora, vereadores de Apucarana e Curitiba insensíveis a essas atitudes positivas continuarem a chafurdar na lama da imoralidade. A Câmara de Apucarana aumentou de 11 para 19 vereadores: um inchaço escandaloso de 73% do seu quadro. Já a Câmara de Curitiba vergonhosamente pagará o 13º salário aos seus 38 vereadores. Alegam que todas essas medidas estão estritamente dentro da lei. Mas e daí? Quem fazem as leis? Não são eles próprios? As justificativas são as mais bizarras: em Apucarana, o autor do projeto utiliza-se do surrado argumento de "maior representatividade popular", como se quantidade fosse sinônimo de qualidade. Em Curitiba a desculpa é "uma norma interna da Casa que precisa ser cumprida". Em ambos os casos é uma forma bem explícita de manter mordomias, enriquecer às custas do erário, garantir cabides de empregos e onerar os cofres públicos. Isso é malversação de recursos e farra com o suado dinheiro dos nossos impostos. Será que nessas cidades a saúde, a educação e a segurança estão as mil maravilhas?
LUDINEI PICELLI (administrador de empresas) Londrina
Rebatizar o Itaquerão
Com relação ao acidente no estádio Itaquerão, o moderno guindaste sobre esteiras do grupo alemão Liebherr pode ser comparado ao recente avião Airbus 380. As habilitações em suas operações são extremamente severas e requerem horas em simuladores, sem contar as horas técnicas prévias necessárias ao seu correto gerenciamento. Uma das partes mais críticas da obra é aquela próxima do final, quando um único deslize, especialmente em estruturas modulares (tais como pontes, estádios, barragens e edifícios de grande porte), pode desencadear uma reação em cadeia, resultando em colapso parcial ou total dessas estruturas gigantes. A cabine desses portentosos mamutes treliçados possui softwares de apoio, evitando sobrecargas ou inclinações, mas podem ser burlados pela ação humana quando o cronograma de entrega possui prazos apertados e/ou por motivos pífios, como é o caso da Copa "deles", nos envergonhando com a morte de mais dois operários. Não vai salvar a pele dessa gente anônima, nem trazer dois pais (do total de cinco já mortos em obras da Copa) de volta ao convívio de familiares, mas ao menos poderiam rebatizar o Itaquerão como "Pereira & Oliveira".
CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ (arquiteto) - Londrina
Lagarta atômica
Conversando com um produtor rural, declarei minha dificuldade em entender como uma lagarta aparece na Bahia no começo do ano e, antes do Natal, já tira o sono de agricultores de todos os Estados deste país gigantesco. Ele, muito esperto me esclareceu: "Veja o nome dela - Helicoverpa armigera. Helico vem do fato dela adorar viajar de helicóptero, e armigera porque ela é uma arma apontada para a cabeça do produtor rural e vai gerar incontáveis fortunas para os donos dos helicópteros". Isso, é pior que o "mensalão", pois nesse caso nem Ali Babá e nem os ladrões vão para a cadeia. Será?
ALICIO MASSAN (engenheiro agrônomo) - Santa Mariana
Itambaracá
Construir a história de uma comunidade é preciso muita luta e perseverança. Talvez, por não ter nascido em Itambaracá, sempre fico com a impressão de que a cidade não é valorizada como deveria, cuidada como merecia, tratada com carinho pelos próprios itambaracaenses. Pé-vermelho? Já não somos mais. A evolução expõe a finitude da simplicidade. Celular, internet, somos parte do processo de globalização. Tu que comestes o pó das estradas, sofrestes ao lado dos produtores o desatino dos governadores e outros revezes tantos, completa 58 anos.
MÁRIO FUZETO (técnico contábil) - Itambaracá
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