OPINIÃO DO LEITOR
Solidariedade com chapéu alheio
Acho ótimo a iniciativa do governo brasileiro de doar US$ 6,5 milhões para a assistência de refugiados da Palestina. Segundo a Constituição Federal, o Brasil deve pautar-se, nas relações internacionais, pela cooperação entre os povos para o progresso da humanidade. Tudo isso seria muito bonito, válido e necessário, se não tivéssemos nossos próprios problemas internos. Uma quantia como essa resolveria boa parte dos problemas emergenciais de nosso próprio povo. O que não parece soar de bom tom é o fato de o Brasil poder disponibilizar valores para a necessidade de outras nações sem atender as nossas próprias necessidades. Qualquer reivindicação interna para a melhoria da saúde, educação, infraestrutura de qualquer natureza, ou investimentos necessários, são mal vistos e o primeiro argumento do governo é a falta de recursos. Melhoria dos salários dos professores, médicos, saneamento básico ou outros serviços públicos essenciais, por exemplo, ficam sempre em segundo plano. Ou os recursos necessários acabam enchendo os bolsos dos mensaleiros. Solidariedade com o chapéu alheio, dinheiro público que deveria ser internamento aplicado. Não sou contra a ajuda, mas quando temos condições de prestá-la e sem comprometer as nossas próprias necessidades.
LUIZ CARLOS CASTOLDI (servidor público) Londrina
Controle do pedágio
Sobre a reportagem "Rodovias do PR podem ganhar sistema eletrônico de monitoramento" (Política, 16/10), sabemos que o pedágio no Paraná é um dos mais caros do País. O sistema eletrônico de monitoramento seria muito bem-vindo, pois assim haveria informações sobre a quantidade de veículos que passa pelas praças de cobrança e também o real valor arrecadado. Assim, o sistema vai trazer mais dados verdadeiros à população e, quem sabe, os aumentos nas tarifas do pedágio não seriam tão abusivos como acontece hoje. É só esperar para ver se o Departamento de Estradas de Rodagem criará o serviço e o colocará em prática logo.
THIAGO AUGUSTO CALDEIRÃO PIERRO (estudante) Londrina
Reconstrução do Ouro Verde
A história do Teatro Ouro Verde é inesquecível e seu prédio foi destruído por um incêndio, infelizmente. A maioria dos habitantes de Londrina pensa que é muito dinheiro para a reconstrução daquele espaço histórico da cidade. Ao invés de gastar R$ 20 milhões na reconstrução, por que não gastar bem menos na reforma do Cine Com-Tour que pertence à UEL e se mostra propício ao belo teatro que atenda a todas às necessidades artísticas e culturais da cidade? Que tal a
sugestão?
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO (jornalista) Londrina
Conservador ou atrasado?
Há alguns dias, o Datafolha publicou uma pesquisa, na qual relaciona as intenções de voto de acordo com a ideologia do eleitor. A maneira como a pesquisa foi feita denota o atual cenário da direita no País. Por culpa de diversos fatores, hoje, o termo "conservador" (ou "de direita") tornou-se um anátema, um insulto utilizado para designar todos aqueles que, segundo alguns padrões (normalmente de esquerda), seriam homofóbicos, racistas, escravocratas, latifundiários, desmatadores, militaristas, nazistas, etc. Resumindo, toda e qualquer categoria que, de algum modo, retrate o pior de uma sociedade. No entanto, deve-se ter muito cuidado ao rotular alguém de conservador. Na maior parte das vezes, aquele a quem se chama conservador, na realidade, designa simplesmente um indivíduo ignorante e atrasado. Com fulcro nos teóricos de direita, notadamente na Escola Inglesa, o pensamento conservador visa -como bem explicita o seu nome - conservar um sistema (jurídico, religioso, social ou político) posto, tal que baseado em anos de experiência, de erros e acertos. Tal mentalidade advém de um ceticismo, que prega, basicamente, que uma ideia - muitas vezes atraente à primeira vista - se posta sob um crivo mais criterioso, pode se desfazer. Acredita que as mudanças devem ser feitas, não pela solapa de toda uma organização previamente idealizada, mas por meio da utilização de suas próprias regras. O conservador não é contra o avanço, desde que este ocorra de modo ordenado, sem atropelos e desrespeito ao direito alheio.
JOÃO PAULO S. ITIMURA YAGUI (advogado) - Londrina
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