OPINIÃO DO LEITOR
Onde o crime compensa
A nomeação de ministros, em geral, tornou-se a maior e melhor moeda de troca de favores entre os poderes constituídos, dominado pelo Executivo. A decepcionante decisão da Justiça (STF) a novo julgamento de mensaleiros condenados sem a menor justificativa ou fatos novos e ministros agindo como advogados de defesa dos réus transformam em tempo perdido toda a análise de processos anteriores. Com os fatos, amplia-se mais o descrédito à Justiça morosa aplicada de acordo com a conveniência e interpretação de leis criadas por manipuladores, símbolo de proteção, prescrição de processos, impunidade aos criminosos de colarinho branco. Tudo isso endossado pela Suprema Corte, retribuindo favores pelo dote recebido com as recentes nomeações. A cada dia surgem novos casos de desvios no "país de todos", onde o crime compensa para políticos e administradores públicos, desvios esses que comprometem os investimentos nas áreas carentes como saúde, educação, segurança, etc. Diante dos fatos descritos, fica a dúvida: até quando será ignorada a Lei da Ficha Limpa? Eleitores, diante da conivência generalizada, o voto é obrigatório. Nas campanhas partidárias, veiculadas por secretos politiqueiros, cheios de boas intenções, que somente aparecem na época de eleições para faturar o seu voto a fim de continuar na total mordomia.
GUILHERME RODRIGUES PEREIRA (comerciante) - Londrina
Deputados secretários
É comum em todos os Estados, governadores convidar deputados estaduais ou federais para ocupar cargos de secretários. Os convites seriam rejeitados de pronto, não fosse possível a eles optarem por receber o melhor salário. A diferença é pequena: enquanto um secretário de Estado ganha R$ 20 mil, um deputado federal recebe R$ 26 mil. Ficam durante quase todo o mandato do governador patrão; desincompatibilizam no tempo certo; candidatam-se de novo, são eleitos e, devidamente combinado, reassumem a secretaria deixando em seu lugar o suplente, que embolsa R$ 26 mil de salário. Cabe ao povo pagar em dobro essa vergonhosa, imoral e deslavada jogada política. Fiquem em alerta, eleitores, quase sempre incautos, que já está sendo urdida toda a trama desses espertalhões que não sabem viver a não ser às custas do erário.
ANTONIO DA SILVA PINHATARI (bacharel em Direito) - Londrina
Conheci Brasília!
Chegando à capital federal, fui ao Supremo Tribunal Federal (STF) e perguntei se os excelentíssimos ministros estavam presentes. Avisaram-me que cinco deles se retiraram por vergonha do povo brasileiro, mas seis deles davam aula de como se faz lavagem de dinheiro, como formar uma quadrilha que lapida o patrimônio público sem temer a Justiça, ensinando como se safar da lei, mostrando que o STF virou uma chicana. Na plateia estavam Ali Babá, Irmãos Metralhas, Zeca Urubu, Lobo Mau e Darth Vader, pois só eles acreditam nos seis ministros. Cansado daquilo, fui à Câmara dos Deputados e fiquei arrasado: eles discursavam sobre coisas sem nexo; na plateia, os Três Porquinhos, a Cinderela, A Branca de Neve, os Sete Anões. Fiquei envergonhado. Continuei e me deparei com o Senado, que é o quadro do ócio do Brasil, homens falantes, gritando na tribuna, ouvindo atentamente estavam o Saci-Pererê, a Cuca, gnomos e fadas que aplaudiam os parlamentares. Decepcionado, fui embora e ainda me ameaçaram de ser processado por contar mentiras, mas eu nem esquento, tenho direito a embargos. Viva a ilha da fantasia!
SERGIO RICARDO (autônomo) - Londrina
Céu e inferno
Há algum tempo, durante uma aula, perguntei a um grande mestre de Teologia o que era inferno. Ele, então, me respondeu: "Inferno é a ausência total de Deus em nosso coração". Partindo dessa bela lição teológica, podemos afirmar que o céu é a plenitude de Deus em nossa vida. Precisamos entender que o homem não precisa de iates com 50 suítes, casa com mil metros quadrados, carros que custam perto de R$ 1 milhão, e também deixar de nos manter em posição cômoda, e não mais permitir que pessoas enraizadas no poder surrupiem verbas que tanto ajudariam a melhorar o atendimento na saúde, segurança e outros serviços básicos. Se assim fizermos, poderemos conhecer o verdadeiro céu. Em resumo, o céu está mais perto de nós "do que possa imaginar a nossa vã filosofia".
EDSON MEDARDO SCARCHETTI (bacharel em Teologia) Londrina
■ As cartas devem ter no máximo 700 caracteres e vir acompanhadas de nome completo, RG, endereço, cidade, telefone
e profissão ou ocupação. As opiniões poderão ser resumidas pelo jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br





