Ministro ou advogado de defesa?
O senhor Ricardo Lewandowski precisa decidir urgentemente se vai agir como ministro revisor do Supremo Tribunal Federal ou como advogado de defesa dos mensaleiros. Seu voto é a evidência escancarada de um STF infiltrado pelos interesses partidários mais mesquinhos. Lewandowski é a prova de que, por meio do regime democrático, é perfeitamente possível promover a depredação das instituições, o seu rebaixamento e a sua desqualificação. Afinal, o presidente da República tem o poder de indicar o candidato ao Supremo. Ao Senado, cabe dizer "amém". O problema não está no voto "sim" ou "não" de Lewandowski, mas na qualidade de seus argumentos, na sem-cerimônia com que despreza os fatos, na arrogância - vênia máxima - meio abusada com que tem se comportado no tribunal.
WILSON OLIVEIRA TRINDADE (bacharel em Direito) – Londrina

Ciclistas sem vez
Na segunda-feira ajudei no resgate de um ciclista atropelado na PR-445, perto da UEL, onde passo todos os dias de bicicleta. Não existe nenhum tipo de infraestrutura para quem usa a bicicleta como meio de transporte por aqui, até porque quem tem dinheiro vai de carro. Afinal, quem se importa com o pobre, com o trabalhador rural ou da construção civil? A rodovia do atropelamento está sendo duplicada. Existe alguma previsão para a construção de ciclovia nela? Londrina está na idade da pedra em termos de mobilidade urbana e vive o caos anunciado: cidade do interior com problemas de capital.
CAMILA DOUBEK (professora) - Londrina

Médico mágico?
Na matéria "Pediatria sobrecarregada na UPA de Cambé" (Cidades, 20/8), a Secretaria de Saúde relata que um pediatra da recém-criada UPA pode atender até 50 crianças num plantão de 6 horas. É só fazer as contas: a criança tem que entrar, ser entrevistada, examinada, um diagnóstico é elaborado, papéis e receita preenchidos e sair do consultório em 7,2 minutos. O que se pode esperar: médico mágico ou atendimento de má qualidade?
MANOEL JOSÉ DE ARAÚJO FILHO (médico) - Londrina

‘Trensalão tucano’
Não fosse a revelação da alemã Siemens, não teria vindo à tona a revelação do propinoduto tucano que se arrasta há mais de 20 anos, passando por Covas, Alckmin e Serra. Esta forma de blindagem mostra quão seletiva são as denúncias. Para um partido, se investiga, para outro tem a blindagem. Para um, chama corrupção, para outro cartel. Para um, delação premiada, para outro acordo de leniência. Desde 2008 vem se tentando investigar, porém a base parlamentar tucana de São Paulo bloqueava toda tentativa, visto que a Alston, outra envolvida no cartel, tem ligações diretas com a privataria tucana, o mensalão tucano originário em Minas, a lista de Furnas e a propina da emenda da reeleição de FHC, bem como com o incêndio criminoso no depósito que guardava os documentos da investigação do "trensalão", como forma de se livrar de parte das provas que incriminavam o ato criminoso. Foram quase meio bilhão de reais drenados dos cofres públicos para irrigar cofres de tucanos. Somente pelo fato do escândalo ser tão grande e ter ultrapassado fronteiras, não foi possível continuar a escondê-lo. Lamentável que aqueles que se postavam como paladinos da ética e da moral embarcaram numa viagem cujo metrô começa a descarrilar.
HELEMILTON DIAS DE OLIVEIRA (advogado) – Londrina

Correção
Diferentemente do informado na matéria "Câmara suspende audiência sobre ‘novo centro’" (Política, 20/8), o nome correto do vereador Gaúcho Tamarrado (PDT) é Joaquim Donizete do Carmo.

■ As car­tas de­vem ter no má­xi­mo 700 ca­rac­te­res e vir acom­pa­nha­das de no­me com­pleto, RG, en­de­re­ço, ci­da­de, te­le­fo­ne e pro­fis­são ou ocu­pa­ção. As opi­niões po­de­rão ser re­su­mi­das pe­lo jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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