Mensalão
Os recursos das condenações de um dos maiores escândalos políticos do Brasil começaram a ser julgados. O famigerado "mensalão" foi inspirado nas mensalidades direcionadas a cada participante de uma inescrupulosa rede de corrupção. A corrupção está arraigada no DNA da política brasileira desde sempre. Este país funciona à base da mensalidade e do agrado. Os poucos políticos que tentam vencer esta barreira acabam vencidos pela maioria corrompida e corrompedora. O mensalão foi apenas a ponta do iceberg, em que todos fingiram estar embasbacados com tanta sujeira explícita. Os porquês de tanta corrupção são muitos, mas um deles com toda a certeza é a impunidade. Assim fica muito fácil ser político corrupto. O sistema, mais uma vez, privilegia o criminoso e pune a população. Ninguém mais acredita que tanto burburinho vai dar em alguma coisa. O mensalão se foi e novos escândalos surgiram. A única coisa que fez algum político ficar de cabelos em pé nesse meio tempo foi a recente manifestação da população contra a falta de respeito que vem sofrendo desde sempre. Esta sim motivou ações rápidas e pontuais. Mas as manifestações se foram, e a calmaria promete se prolongar algum tempo. A esperança que fica é que esse tempo seja curto, e que, na próxima manifestação o povo não grite que acordou, mas sim que não voltará a dormir jamais.
VALMOR PEDROSO DA SILVA (comerciante) – Londrina


Por um país melhor
O Brasil está em constante processo de transformação e cada vez mais a sociedade civil é vista como uma entidade a ser tutelada, controlada, censurada, definida pelo poder do Estado. A consciência política é missão e dever de qualquer cidadão que, por uma questão de solidariedade, deve lutar pelo que é justo e, desse modo, conseguir detectar e corrigir erros do governo, inibindo a continuidade de certas práticas e seus maus efeitos. Para que se concretize o sonho de um país mais democrático e um futuro melhor para todos, é necessário que a participação faça parte do nosso cotidiano. Portanto, todas as gerações devem se manifestar e a multidão que ocupou as ruas recentemente não pode adormecer. Por mais que você não acredite, o povo brasileiro precisa de você para vencer.
LUAN HENRIQUE BELUCO FREITAS (estudante) – Londrina

Pedágios e arrogância
A arrogância que o representante das concessionárias de pedágio demonstra sempre que é entrevistado deixa clara a segurança que elas têm de que os contratos assinados com o Estado são tão leoninos a seu favor que podem tudo sem serem molestadas, mesmo prejudicando os usuários e não realizando as obras esperadas para melhorar as rodovias. Como explicar que, logo no primeiro ano da sua implantação, esses mesmos contratos tiveram o valor das tarifas reduzidas pela metade numa manobra cujo único objetivo foi beneficiar a reeleição do então governador Jaime Lerner que criou o pedágio e assinou as concessões? Que poder superior conseguiu a redução tarifária naquela época que agora são considerados intocáveis? Lerner foi reeleito e, no ano seguinte, as tarifas dobraram de valor! Pela arrogância do tal representante das concessionárias, desde aquela época, dá para deduzir que aquela manobra não foi gratuita. Li nos jornais que a CPI dos Pedágios na Assembleia Legislativa pretende convocar o então governador para explicar por que os pedágios são tão caros no Paraná e as obras correspondentes não são realizadas. Há muita coisa na origem dessas concessões que precisa ser explicada, entre elas, o milagre da redução das tarifas no ano em que pleiteava (e conseguiu) sua reeleição.
EDGAR BAER (advogado) – Londrina

Parlamentares fora da malha fina?
O Senado rejeitou o projeto que inclui automaticamente na malha fina da Receita Federal as declarações de imposto de renda de quem possui mandatos eletivos, como os deputados e senadores. Será que algum brasileiro esperava que esse projeto fosse aprovado? Uma casa corporativa, fisiológica e extremamente imoral não seria capaz de ter a dignidade de colocar seus dados na Receita Federal, no entanto, elabora leis fazendo com que os contribuintes tenham sua vida escarafunchada pela Receita. Que país é este em que alguns são mais iguais que outros? Por que ficar de fora justamente quem não mais tem motivos para esconder os dados? Nossas leis são como as serpentes, só picam os pés descalços. Que horror!
IZABEL AVALLONE (professora) – São Paulo

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