OPINIÃO DO LEITOR
Porque o crime compensa
Frustração, decepção e revolta são os sentimentos das pessoas sérias de Londrina ao se depararem com a notícia de que 20 ações criminais envolvendo o ex-prefeito cassado Antonio Belinati no escândalo de corrupção AMA/Comurb podem ser extintas, livrando-o de possíveis condenações. O Judiciário, que deveria ser o principal pilar de sustentação e fortalecimento da democracia, falha e deixa acontecer injustiças que estimulam peremptoriamente a prática da corrupção pelos agentes públicos, fazendo com que o crime compense. Treze anos se passaram e os processos não foram julgados. Uma lei que favorece criminosos ao completarem 70 anos de idade é uma perfeita aberração, uma benevolência dos legisladores, certamente, pensando em causa própria. Como se os canalhas não envelhecessem. Notícia também que nos "embrulha o estômago" é a vontade demonstrada por outro ex-prefeito cassado, Barbosa Neto, em voltar à política, como se tudo aquilo de ruim e traumático que Londrina viveu um ano atrás fosse uma mentira, uma invenção. Ora, esses senhores fizeram parte das administrações municipais que nos últimos 25 anos deixaram a cidade em condição de "terra arrasada". Vejam o fraco desempenho do nosso IDH nos últimos anos: uma prova consistente desse grande prejuízo. Os novos administradores terão muito trabalho para recuperarem e recolocarem o município nos trilhos do desenvolvimento.
LUDINEI PICELLI (administrador de empresas) - Londrina
Prioridades
Para aceitar serem submetidos às precárias condições estruturais oferecidas pelo SUS na grande maioria dos ambulatórios e hospitais do País e ainda receberem menos de R$ 10 por consulta, tem que haver uma razão muito forte para alguns médicos ainda insistirem em trabalhar naqueles serviços. A razão é somente uma: escolheram a profissão, em primeiro lugar, para poder ajudar o próximo e aliviar o sofrimento de seus semelhantes. Embora necessário, já que vivemos em sociedade capitalista, o dinheiro é consequência secundária, quiçá terciária, do trabalho médico. Médico nenhum escolhe fazer Medicina para ficar rico. Além do mais, vai muito longe o tempo em que se trocava consulta por galinha. Então, respondendo à "pergunta básica" do leitor Amadeu Vieira Sobrinho (Opinião, 1/8) sobre por que alguns médicos reclamam do SUS e insistem em trabalhar para o governo ao invés de se demitirem e cuidar de suas clínicas particulares, a resposta é simples: médicos são médicos; corretores de imóveis são corretores de imóveis. Cada qual prioriza os objetivos, em suas respectivas profissões, pelos quais se sentem úteis, felizes e realizados.
ALVARO AUGUSTO DOMINGUES DA SILVA (médico) - Londrina
Ânsia pelo poder
A parábola do dr. Leandro Arthur Diehl (Opinião, 1/8) merece meu mais sincero elogio. Dá vontade de colocá-la num quadro e pendurá-la na parede, à vista de todos. A total falta de competência do governo federal e a ânsia maluca de manter o poder a qualquer preço tem levado às mais disparatadas decisões, sem raciocínio elementar nenhum, a maioria anunciada num dia e denegada dias após. Fosse o governo uma empresa privada e já teria fechado as portas há muito tempo, por completa falta de quadros capazes de gerenciamento básico. Na mesma edição da FOLHA, o leitor Amadeu Vieira Sobrinho foi um tanto equivocado. Creio que após ler a opinião do dr. Leandro, irá rever sua própria maneira de pensar sobre o assunto. Na verdade, nesse plano de Mais Médicos o governo esqueceu, primeiro de tudo, de combinar com os "russos", aliás, com o SUS.
NILO DO CARMO MARTINS (empresário) Londrina
UTI do HU
O atraso na abertura da nova ala de UTI do Hospital Universitário é uma verdadeira falta de vergonha e responsabilidade de todos os setores envolvidos. Utilizar a desculpa da Lei de Responsabilidade Fiscal para justificar os atrasos nas contratações de servidores para colocar a ala em funcionamento é uma piada. Uma dica: é só cortar os inúmeros cargos comissionados (os quais na maioria são cabides de empregos) que a folha de pagamento tem seu custo diminuído e em muito.
ROGEMAR MONTEIRO (servidor público) - Londrina





