Indignação nas ruas até 2014
No terceiro ano de mandato Lula "balançou" no cargo por conta do escândalo do mensalão. Era uma boa oportunidade de pedir o seu impeachment. Mas a oposição, inoperante, calculou que ele iria "sangrar naturalmente" e não se reelegeria. Não só se reelegeu como também fez o seu sucessor. Agora, o fato se repete: no terceiro ano de mandato, Dilma ainda não corre o risco de cassação, mas caiu a máscara dos altos índices de aprovação fabricados pelo seu marqueteiro. O grito das ruas (sem vandalismo) não pode silenciar até as próximas eleições, pois por conta daqueles que têm memória fraca, dos que vivem "mamando nas tetas do governo" e dos bolsistas que recebem sem oferecer uma contrapartida, o fato pode se repetir. Em 2014 temos que mudar o rumo administrativo do País. É preciso oxigenar o poder. Chega desse continuísmo ineficiente. As propostas apresentadas pelo governo, acuado e pressionado pelo calor das manifestações, não sugerem mudanças a curto prazo e à altura das nossas expectativas. As reivindicações da população são de mudanças estruturais, para as quais o governo petista deu de ombros nos últimos dez anos por não possuir um projeto consistente de governança e estar obcecado somente pelo poder.
LUDINEI PICELLI (administrador de empresas) - Londrina

Pênalti e o plebiscito
O estádio lotado, a torcida vibrando como nunca. Instantes finais do jogo e um pênalti...Pepê (político profissional), ídolo da torcida, com contrato renovado por quadriênios, vai bater. Silêncio e a surpresa. Pepê sabendo que não pode errar, pois poderá encerrar sua carreira, corre para a galera e faz um plebiscito: chutar com a direita ou com a esquerda? Bater forte ou colocado? No ângulo, meia altura ou rasteiro? Assim estão agindo nossos Pepês (políticos perdidos) que inventam um plebiscito para o povo decidir sobre tarefas que lhes foram outorgadas pelo voto, mas são incompetentes para executar as reformas. Ao transferirem a responsabilidade, ficam na seguinte situação: enquanto rola o plebiscito, o povo relaxa e acaba esquecendo. Se der certo, foram eles que bateram bem; se der errado, foram os eleitores que escolheram. Enfim, plebiscito é engodo e dinheiro jogado fora.
JAMES BUSSMANN (aposentado) – Londrina

Ações pós-protestos
A mídia mostra a proposta da presidente Dilma em resposta às reivindicações feitas pelos manifestantes em todo o Brasil. Quando nos dizemos céticos quanto à sensibilidade e capacidade de gestão da maioria dos políticos, muitas vezes somos criticados por não contribuirmos positivamente com as mudanças. Na proposta da presidente fica patenteada a pouca capacidade da cúpula do governo em buscar soluções que exigem planejamento de médio e longo prazos. Como pode a presidente da República propor reforma política buscando a moralidade administrativa quando acaba de apoiar projeto politiqueiro que restringe a criação de novos partidos, com a intenção única de dificultar candidaturas de concorrentes nas próximas eleições? Ou falar em lei que enquadra a corrupção como crime hediondo quando ela nomeia ou mantém em seu ministério e secretarias pessoas comprovadamente corruptas ou ligadas e indicadas por corruptos contumazes? Não precisamos de novas leis, mas sim de ações moralizadoras nos vários níveis de administração em todos os poderes. Muitas das reivindicações já estariam atendidas se tivesse esse governo algum compromisso com o desenvolvimento da nação, ao invés de promover ações exclusivamente visando a manutenção do poder. O povo tem a força e deve participar não só das manifestações de rua, mas também na hora de eleger seus representantes e acompanhar de perto suas atuações, ao invés de se deixar levar somente por propostas vazias e propagandas que não se materializam.
JOÃO CATARIN (microempresário) - Londrina

Médicos cubanos
As manifestações contrárias fazem parte do exercício democrático. Mas a reação da maioria das entidades médicas contra a vinda de médicos estrangeiros, principalmente cubanos, foi quase uma declaração de guerra. Médicos de segunda categoria (cubanos?), revolução marxista, viu-se de tudo. Mas por que tanto barulho em relação a uma prática que ocorre em vários lugares do mundo, tais como Inglaterra, Canadá e Austrália, que adicionam profissionais estrangeiros a seus sistemas de saúde sem nenhuma gritaria? Para igualar o sistema de saúde na Inglaterra, que o Brasil adotou como modelo e no qual há 2,7 médicos para cada mil habitantes, o Ministério da Saúde assegura que o país precisaria contar hoje com 168.424 profissionais a mais.
RANILDO DE LIMA FERREIRA (sociólogo) – Londrina

■ As car­tas de­vem ter no má­xi­mo 700 ca­rac­te­res e vir acom­pa­nha­das de no­me com­ple­to, RG, en­de­re­ço, ci­da­de, te­le­fo­ne
e pro­fis­são ou ocu­pa­ção. As opi­niões po­de­rão ser re­su­mi­das pe­lo jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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