Manifestos e coerência
As recentes manifestações, que vêm ocorrendo no Brasil, não deixam de ser uma legítima demonstração do rompimento com a inércia que o povo brasileiro, a princípio, parecia estar mergulhado. Entretanto, a legitimidade de tais manifestações carece de algo muito importante que é a coerência com as revindicações. Não adianta nada o povão protestar contra o preço das passagens de transporte público e depredar ônibus e estações. Se já é difícil pagar os preços cobrados, pior ainda é pagar preço alto com menos ônibus e sem estações para embarcar. Da mesma forma não adianta a classe média e os empresários ficarem vaiando a presidente pela má gestão, ao mesmo tempo em que se está sentado prestigiando uma das maiores farras com o dinheiro público que são a Copa das Confederações e Mundial de 2014. Brasileiros, coerência!
PAULO DE TARSO CARVALHO (professor universitário) – Londrina

Violência policial
Nas últimas manifestações de rua em todo o País a repressão policial foi muito criticada, inclusive alvo de uma pesquisa feita pelo Ibope com a maioria condenando esses atos. Neste espaço, o médico Álvaro Augusto Domingues da Silva (Opinião, 24/6) criticou com muita propriedade os mascarados que, infiltrados nos movimentos, praticaram atos de vandalismo. Estranhei apenas a expressão "baixar o pau" que, aparentemente, endossa esta violência tão criticada. As polícias hoje estão muito bem dirigidas, treinadas e preparadas para oferecer segurança, desempenhado seu papel na sociedade, sem violência ou atos arbitrários. Como exemplo, temos a Polícia Militar do Paraná que pode servir de modelo para a maioria dos Estados brasileiros.
ANTONIO CARLOS COTRIM (comerciante) – Londrina

PEC 37
Com a desfaçatez que os caracterizam, alguns dos lídimos deputados que defendiam com unhas e dentes a famigerada PEC 37, antes de eclodir o gigantesco movimento popular, votaram pela rejeição e, deslavadamente, tentam justificar suas posições. Outra proposta ardilosa está em vias de ser votada naquela Casa, com pretensões parecidas às da malfadada proposta de emenda constitucional, pois o que se quer é impor limitações na atuação do Ministério Público, único legítimo bastião na defesa dos interesses da população brasileira.
ANTONIO DA SILVA PINHATARI (bacharel em Direito) – Londrina

Reforma política já!
Brasília é o centro de todo o desperdício do dinheiro público. O Senado federal conta com 81 senadores e 3.516 funcionários terceirizados e 2.530 concursados (são 6.046 no total). Na Câmara dos Deputados são 3.449 concursados, 1.413 de categoria especial e 11.034 secretários parlamentares, num total de 15.896 funcionários para 513 deputados. E podem ter certeza não encontramos nenhum ganhando salário mínimo. Existe urgentemente a necessidade de uma reforma política, diminuir drasticamente estes números em todos os sentidos (senadores, deputados e funcionários) e, consequentemente, para as assembleias estaduais e câmaras de vereadores.
EDERSON CAMATA (comerciante) – Londrina

O inevitável confronto
Ninguém mais suporta os escândalos políticos e a recorrente impunidade. Mensaleiros, obras superfaturadas, desvios de dinheiro, falta de escolas e hospitais, estradas sucateadas e pedagiadas. Apenas um desses motivos bastaria para o povo ir às ruas em qualquer país desenvolvido, mas os brasileiros sempre com a realidade mascarada pela grande mídia resolveram esperar o acúmulo de motivos. Dessa vez o motivo da revolta popular ainda não está bem claro, e os reflexos talvez não sejam visíveis num curto prazo. O conjunto de motivos é mais fácil de compreender – descaso do governo, escândalos políticos e gastos com a Copa – e assim, o povo decidiu que era hora de se manifestar. Algo importantíssimo já aconteceu. Pela primeira vez os eleitores mais jovens tiveram o prazer de se sentir verdadeiros cidadãos, participando de uma luta por aquilo que lhes é devido, seus direitos mais básicos e respeito por parte dos governantes.
VALMOR PEDROSO DA SILVA (comerciante) – Londrina

■ As car­tas de­vem ter no má­xi­mo 700 ca­rac­te­res e vir acom­pa­nha­das de no­me comple­to, RG, en­de­re­ço, ci­da­de, te­le­fo­ne e pro­fis­são ou ocu­pa­ção. As opi­niões po­derão ser re­su­mi­das pe­lo jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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