Na linha da sobrevivência
Li a reportagem "Na linha da sobrevivência" (Cidades, 23/4) sobre as pessoas que vivem do lixo na zona leste (Morro do Carrapato e proximidades) e quero parabenizar a equipe responsável pela matéria, aliás digna de ser publicada na edição de domingo da Folha de Londrina, pois atingiria muito mais leitores e ajudaria na reflexão sobre a forma de condução das nossas vidas. De forma clara, real e educativa recebemos a informação do quanto somos inoperantes frente aos problemas da nossa cidade. Londrinenses que vivem e sobrevivem do lixo sendo a única "oportunidade apresentada de manter o mínimo de dignidade" e que, apesar da extrema pobreza, demonstram satisfação quando encontram algo que lhes possa ser útil. Não vivem se lamentando, ao contrário, são solícitos, prestativos, dando exemplo de que o pouco é muito quando se tem valores e que ser digno é sim, possível. Reportagens assim é que deveriam ganhar grandes espaços na mídia, pois mostram que temos que mudar nosso jeito de viver para mudar essa realidade onde impera uma desigualdade social muito grande e que é "deixada para lá", pois o individualismo e a ganância do ter é que impera.
EDNA HERMETO DOS SANTOS (professora) – Londrina

‘Pedagiômetro’
É incontestável que o ex-governador Jaime Lerner transitou muitas vezes na contramão dos interesses dos paranaenses, mais precisamente ao criar o famigerado pedágio nas estradas do Estado. Muitos dos administradores públicos eleitos posteriormente tentaram coibir os excessos das concessionárias de pedágio, tudo em vão. Também inquestionável que a contabilidade das concessionárias é uma verdadeira "caixa preta" que ninguém possui acesso. Agora, que um "novato" na Assembleia Legislativa, o deputado Tercílio Turini em brilhante projeto "tentou" abrir a "caixa-preta" divulgando em cada praça o número de veículos, o valor arrecadado e os investimentos realizados, foi literalmente fuzilado. Deputados que votaram contra o projeto, principalmente o presidente da Assembleia Legislativa, sustentaram que o "povo gosta do pedágio", "ninguém reclama", inexiste "caixa preta" e ainda que é livre o acesso à contabilidade das concessionárias, isto porque todo mundo lê o Diário Oficial do Estado e tem acesso a outras informações (!). Ou seja: foi-se Lerner e agora vários deputados defendem a política das concessionárias. Na próxima eleição esses deputados merecem ser reavaliados.
CARLOS HENRIQUE SCHIEFER (advogado) - Londrina
Dia do Trabalhador
Hoje é o Dia do Trabalhador. Mas será mesmo? O trabalhador carrega consigo fatores que o desfavorecem. A contribuição sindical só serve para deixar alguns ricos. O salário é de fome. E os políticos jamais lutarão pelos seus direitos. Que País é este?
MOISÉS DOS SANTOS (entregador de gás) - Londrina

Paulo Vanzolini
A exemplo de Aldir Blanc e de muitos mestres do passado, o compositor Paulo Vanzolini foi cronista apaixonado da cidade em que viveu e do povo do qual sempre foi próximo. Os inúmeros casos de traição, de fuga emocional, de desalento, euforia e reviravoltas que fazem parte de sua obra, marcada pela diversidade do samba e seus subgêneros, são parte também do cotidiano dos bares, dos lares e das ruas brasileiras com seus amores e paixões. Vanzolini disse em uma entrevista que cansou de estar sentado numa mesa de bar e ver uma mulher entrar e procurar por alguém que ela sabia estar ausente. Mas o compositor, falecido domingo, fica para a história da música popular como um autor que superou a alcunha de cronista. E que contribuiu, de forma peculiar, com a história do samba e da música popular brasileira.
ALDO MORAES (músico) – Londrina

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