OPINIÃO DO LEITOR
Renúncia do papa
A renúncia do papa Bento 16 surpreendeu a todos, mesmo os não católicos que veem no pastor um homem sério que luta pelas causas nobres. Com a renúncia do papa, a Igreja Católica deixa explícito uma realidade: a obediência e o conservadorismo têm um desafeto, um adversário a sua altura, que é o modernismo e imediatismo. O papa Bento 16 deixou claro, ao longo do seu papado, sua posição contrária diante de assuntos como casamento gay, células tronco, casamento de padres, pedofilia dos padres, moral sexual, entre outros assuntos. Tudo isso foi enfraquecendo o pastor do rebanho de cristãos católicos ao redor do mundo e exercer seu ministério papal tornou-se por demais desgastante tanto fisicamente, quanto espiritualmente mesmo para um homem com tanto conhecimento teológico e filosófico. Ser papa hoje é um árduo desafio já que enfrenta a verdade que está camuflada dentro do coração de cada pessoa, cada segmento social, econômico, político, religioso. Jesus Cristo precisa voltar a ser o centro da fé do católico e sua presença é sentida através da carência de tempo para a oração cujo valor foi resgatado por Bento 16 com o Ano da Fé.
FÁBIO HENRIQUE BARBOZA GALHARDI (jornalista) - Santo Antônio da Platina
Reflexão sobre Bento 16
Foi notória a sintonia de comentários de gente de bom-senso sobre a renúncia do papa Bento 16. Embora surpreendidos pelo gesto, todos concordaram que foi um ato de coragem e humildade, e aqui se inclui a lúcida entrevista do arcebispo de Londrina, dom Orlando Brandes, à FOLHA ontem "Renúncia foi ato de humildade e coragem" (Mundo, 12/2). Homens cultos, conscientes de suas limitações psicossomáticas e em paz com suas convicções (conservadoras ou não) estão aptos a estes gestos. Sua única preocupação é com o julgamento divino. Têm um bom domínio da história e sentem-se protagonistas dela com lucidez. O papa Bento teve a coragem de intervir decisivamente nessa história e dela vai fazer parte como elemento importantíssimo neste terceiro milênio. Falta saber se os cardeais no consistório e o futuro papa entenderão esta atitude e a aprofundarão em todas as suas implicações. A Igreja, além do diálogo difícil com o mundo dominado por uma mudança de época, deve abordar num futuro próximo questões difíceis como a ordenação de mulheres e até de homens casados. A centralidade na Eucaristia e na Palavra obriga a uma presença efetiva de cristãos ordenados para que milhares de irmãos (como hoje acontece) não estejam privados da participação nesses mistérios. O celibato que perdeu terreno com o aprofundamento da teologia matrimonial decorrente do Vaticano 2º, exige uma boa reflexão e quem sabe colocá-lo em nível opcional ou revigorar as ordens religiosas e congregações. Enfim, esta renúncia, é muito mais "presença" do que renúncia!
MANUEL JOAQUIM R. DOS SANTOS (padre) - Londrina
Abdicação de Bento 16
A renúncia do papa Bento 16 soa tão estranha quanto a morte do também pontífice João Paulo 1º, que governou a Santa Sé por apenas um mês. Somente em idade avançada e saúde frágil, conforme alegado, sinceramente, não acredito.
LUIZ ALBERICO PIOTTO (servidor público) - Cambé
Papa e nossos políticos
Que bom se todos tivessem a visão do papa Bento 16 que viu que não tinha condição de seguir como chefe da Igreja Católica e renunciou ao cargo. No Brasil, é o contrário: quanto mais incompetente o político é mais quer ficar no poder. Parece uma sina: dão o poder justo para aqueles que não têm a mínima condição de exercê-lo. Deveriam proibir candidaturas de ímprobos. Eles só ficam fora da política por um tempo e depois voltam ávidos para meter a mão na cumbuca e nunca renunciam. Só o fazem como um golpe para poder se eleger mais rápido, pois o dinheiro que roubam, gastam comprando votos e assim o ciclo nunca
termina.
MARCIO DICESAR BENASSI (aposentado) Sertanópolis
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