Tragédia em Santa Maria
Domingo "morri" de tristeza quando vi, no noticiário sobre a tragédia em Santa Maria, um bombeiro chorar e ser retirado das atividades por não ter condições emocionais de continuar ali. Morri porque os seguranças não deixaram as pessoas saírem por falta de pagamento da comanda. Morri por causa da negligência dos donos. Morri quando um pai ficou na porta da boate por mau pressentimento e, quando viu o acontecido, tentou entrar para salvar a filha e foi impedido porque não tinha pagado a entrada. Morri quando mais um bombeiro falou que os telefones no bolso dos mortos não paravam de tocar e isso doía na alma dele. Morri porque mais de 230 famílias serão mutiladas com a ausência dos filhos, irmãos, primos. Morri porque as pessoas são tão desumanas a ponto de pensarem mais no dinheiro do que nas vidas.
AUGUSTO CEZAR ZANIN CAMACHO (jornalista) – Londrina

Saídas de emergência
Quem, de juízo perfeito, permitiria utilizar sinalizador em um ambiente fechado de uma boate e, ainda mais, em um palco quase próximo ao teto? Mesmo que o ambiente estivesse com todas as licenças em dia a tragédia seria evitada? Não resta dúvida sobre as saídas de emergência que foram pouco utilizadas. Além de coibirem tal efeito nos palcos, faço uma sugestão: que a cada início de show, de jogos (futebol, basquete...), eventos, etc., orientem os presentes onde se localizam as saídas de emergência (além de boas e visíveis sinalizações). Quem já andou em uma aeronave sabe disto.
SADI CHAIBEN (professor) – Londrina

Lamentável tragédia
É triste o acontecido na boate gaúcha de Santa Maria. O que dizer numa situação como essa? Aos familiares tentar palavras de conforto, mas que somente o tempo, misturado com as cobranças da vida poderá levar algum lenitivo, sem jamais, contudo, acabar ou esquecer a dor. Como sempre ocorre nas tragédias, agora surgem os "especialistas" em programas sensacionalistas tentando apontar falhas e culpados. A exemplo de um engenheiro que constrói um prédio e é responsável pela obra ou um motorista de ônibus no caso de um acidente, a autoridade pública administrativa também o é, vez que é de sua competência e responsabilidade a permissão para funcionar e fiscalizar, cobrando inclusive taxas para isso. Que esse episódio infeliz, sob o peso da dor alheia, sirva de alerta para o tamanho da responsabilidade que é governar.
JOSÉ ROBERTO BRUNASSI (advogado) - Londrina

Prevenção a incêndios
Domingo foi um dia de luto a todos os engenheiros de Segurança do Trabalho, principalmente aqueles que atuam diretamente com segurança contra incêndio e pânico e, porque não dizer, para toda sociedade em função da morte de mais de 230 pessoas em um incêndio ocorrido em uma boate no Rio Grande do Sul. Quantas vezes, atuando na elaboração de projetos de prevenção contra incêndios, deparei-me com situações em que o custo e a estética se sobressaem à segurança dos usuários de uma edificação. Que este ocorrido possa fazer com que pensemos mais sobre quanto vale uma vida se comparado à aplicação de sistemas de prevenção e combate a incêndios. Que Deus possa acolher cada um dos envolvidos nesta tragédia e confortar o coração de seus parentes e amigos.
RODRIGO FABRIS CALEFFI (engenheiro civil) - Londrina

Chacina pirotécnica
O incêndio na Boate Kiss em Santa Maria, que ceifou a vida de mais de duzentos jovens, mostra que o famoso "jeitinho brasileiro" continua imperando. Infelizmente precisou acontecer uma grande catástrofe para que viesse à tona algumas proibições, que até então desconhecíamos. Espero que justiça seja feita e que todos os envolvidos nessa chacina pirotécnica sejam severamente punidos.
DEBORAH FARAH (jornalista) – Rio de Janeiro (RJ)

■ As car­tas de­vem ter no má­xi­mo 700 ca­rac­te­res e vir acom­pa­nha­das de no­me comple­to, RG, en­de­re­ço, ci­da­de, te­le­fo­ne e pro­fis­são ou ocu­pa­ção. As opi­niões po­derão ser re­su­mi­das pe­lo jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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