OPINIÃO DO LEITOR
Vou tornar-me político
Primeiro, farei parte de uma entidade religiosa. Para isto, treinarei virar os
olhos para cima louvando em alto e bom tom o nome do senhor. Observei que a maioria dos candidatos faz assim, e vou copiar, é claro. Dentro da ordem, vou procurar irmãos empresários para bancarem minha campanha sem contrapartida alguma, logicamente. Até porque isto é contra os princípios religiosos. Espero obter o mesmo milagre ocorrido com o vereador Jamil Janene em sua relação capital/campanha. Logo veremos em carros de políticos a frase: Este cargo é propriedade de Jesus. Dá para ficar calado? Há como pronunciar-se sem uso do escárnio?
RUBENS ROMAGNOLLI (engenheiro civil) - Londrina
Por que só 30 horas semanais?
No Brasil, invariavelmente, a estrutura dos órgãos da administração pública direta difere da empresa privada. A começar pelo número de empregados: geralmente a pública é excessivamente superdimensionada. Distorções como a licença prêmio (legal, mas injusta com as demais classes de trabalhadores), pouco treinamento de capacitação, ausência de uma avaliação de desempenho, pouco comprometimento com resultados e a alta rotatividade de patrões colaboram vigorosamente para tornar a administração pública pesada, lenta e de baixa produtividade. Isso tudo tem muito a ver com o promíscuo relacionamento entre o Executivo e o Legislativo. Leis para benefícios próprios, em detrimento à boa gestão dos recursos públicos, são aprovadas sem nenhuma contestação, pois direta ou indiretamente todos os envolvidos no processo são beneficiados. O toma-lá-dá-cá, o apadrinhamento e outras formas de troca de favores agravam ainda mais a situação. Inserida nesse contexto está a Prefeitura de Londrina, onde seus servidores absurdamente trabalham apenas 30 horas semanais, o que nem nos países mais desenvolvidos isso acontece. Outra aberração são as amarras que impedem reajustar o salário do prefeito (que considero uma merreca pela importância do cargo) para não onerar a folha de pagamento. Até a Guarda Municipal, recém-criada, já se vê no direito de afrontar as ordens do chefe do Executivo. São muitos os direitos e poucas as obrigações.
LUDINEI PICELLI (administrador de empresas) - Londrina
Ciclovia x planejamento
O leitor Bruno Fontaneti Ferreira (Opinião, 16/1) revela desconhecimento
das regras legais que norteiam a instalação de obstáculos, como tartarugas, nas ruas da cidade. Há mais de 12 anos possuo imóvel na Avenida Waldemar Spranger, quando era uma rua sem saída e desprovida de asfalto. Quando o prefeito cassado Barbosa Neto determinou a implantação da tal ciclovia, o fez desprovido de projeto técnico, sem audiência pública e sem dotação orçamentária específica, situação reconhecida pelo Ippul. Caso tivesse projeto, decerto que deveria contemplar ciclovia no canteiro central da via ao invés de impedir o livre acesso dos moradores aos seus imóveis e permitir que ciclistas façam uso indevido de parte do passeio público da via, em detrimento e risco de pedestres e cadeirantes. Portanto, só uma concordância com o leitor: se o ex-alcaide cassado fosse apreciador de planejamento, jamais este arremedo de ciclovia teria sido executado.
CARLOS ALBERTO MARICATO (advogado) - Londrina
Injustiça
Londrina perdeu dias atrás seu ídolo Zequinha, zagueiro dos bons tempos do LEC. No dia em que PMs executaram seu filho com 14 tiros independente, de ser delinquente ou não, foi crime bárbaro. Naquele dia Zequinha morreu junto clamando por justiça. Entre os envolvidos no crime está o Estado que concedeu fé pública aos que deveriam proteger a população. Onde estava o Ministério Público com os rigores das investigaçoes sobre o caso? Será que é só políticos e cidadãos comuns que passam pelo rigor investigativo? Membros de outros poderes, como o Judiciário quando há indícios, não têm o mesmo tratamento de nossos nobres promotores?
EDER DEL PICCOLO SANTINI (comerciante) - Londrina
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