'Eu não sabia'
Nós, o povo brasileiro, estamos aprendendo a conviver com essa sucessão de escândalos. Por mais hediondo ou volumoso que seja o rombo aos cofres públicos, nada mais é capaz de provocar o sentimento de indignação ou revolta. Parece que todo o País foi inoculado com a poderosa droga à base de ''eu não sabia''. Tal droga tranquiliza o cidadão e paralisa as autoridades que, diante desta frase, adormecem por décadas, geralmente até a prescrição dos crimes. A perda da memória é outro efeito desta droga, casos como do juiz Lalau, dos anões do Senado, dos aloprados, do dinheiro na cueca, da Ama/Comurb, da liquidação do Banestado, do contrato dos pedágios, de Celso Daniel, entre outros, já estão adormecidos e fazem parte de um passado nebuloso e inexplicável. Em breve, esses escândalos receberão a companhia de novas aberrações: Mensalão, Cachoeira e Muralha. Um sucedendo o outro, todos dormindo em berço esplêndido.
ROBERTO TEIXEIRA (empresário) - Londrina

Qual a dificuldade em ser honesto?
Não sou tão velho assim, mas me lembro bem dos dizeres de meu pai: ''Se contar uma mentira vai apanhar na boca; te passo pimenta nos lábios; peça bênção aos mais velhos; quando os mais velhos estiverem conversando não fique por perto e nem ouse dar palpite na conversa; na casa dos outros não peça nada; se um dia resolver roubar, só pegue o que te caber dentro dos olhos, ou seja, nada, pois até um minúsculo grão de areia incomoda''. E assim cresci. Será que hoje o ensinamento dos pais é outro, do tipo: ''Tente juntar bens que não sejam seus, pegue o máximo que conseguir pois não sabemos se em uma próxima eleição ou um próximo mandato será reeleito; tente ludibriar a justiça, pois ela é lenta e muitas vezes morosa; seja cara de pau e negue as acusações, mesmo quando tudo te condena; forme um grupo fiel a você e desonesto à humanidade; prive o seu próximo de uma melhoria de vida, pois o que importa é a sua melhoria; seja corruptível sempre que puder, ame o seu dinheiro mais que a si próximo''. Acho impossível em uma família existir pessoas que concordem com tudo isso. Então, qual sensação de um pai, de uma esposa, de uma mãe, de um filho, de um irmão em ver o nome de um ente querido envolvido em situações assim? Sou muito das antigas mesmo, onde ser honesto é princípio e não qualidade.
JOSÉ EDVAL GALDINO (enfermeiro) - Londrina

Civilidade
Dia desses ia do trabalho para casa e, no caminho, o tráfego de veículos era intenso. Liguei a seta para mudar de faixa, quando me tomaram a frente em velocidade incompatível (fui fechado pelo motorista do carro que vinha ao lado). Refleti: por que afinal fazemos tudo o que fazemos? Para que tanta fúria? Quantos bilhões de anos houve antes de nós e quantos deverá haver depois? O que alguns segundos a mais ou a menos, ou metros, para aquele motorista pode significar? As pessoas esqueceram que viver é conviver. O individualismo se transformou em obsessão em vários momentos; a substituição do indivíduo pelo individual. Estão esquecendo que a vida humana é condomínio. Parece que chegamos a um ponto de saturação, não no sentido de termos chegado à plenitude, mas devido à falta de gentileza, de civilidade mesmo. Precisamos reaprender a conviver.
EDUARDO FERNANDES COSTA (médico veterinário) - Londrina

A doença do ego
A doença do ego é contagiosa, pega a todos. É uma doença traiçoeira que promete o paraíso, mas leva a pessoa ao inferno. Sofrem desta doença todas as pessoas que priorizam a ganância, seja pelo dinheiro ou pelo poder. Existe uma frase antiga que diz: ''Quer conhecer o homem, dê-lhe poder''. Aí está a traição do ego. Estamos vendo a toda hora homens se matando por conta desta doença. Ela entra no homem que não percebe as arapucas que o ego arma no decorrer da vida. O homem, que parece ser inteligente, acaba caindo nesta armadilha simples. O ego é uma doença que precisa ser combatida e não é o médico que cura, mas sim o remédio chamado caráter.
SEBASTIÃO CALMEZINI (comerciante) - Londrina

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