Estado laico
Com relação ao comentário do leitor Sebastião Galvão Aureliano (Opinião do Leitor, 20/4), a professora errou ao retirar os alunos da sala pois, enquanto representante do Estado na sala de aula ela não pode excluir pessoas que não comungam da mesma crença. O aluno estava certo ao recusar-se a ficar em pé no momento da oração e não houve nada de desrespeitoso em sua atitude. Os ateus (e nós, agnósticos) não concordamos com a oração em escolas, pois a mesma, quando proposta pelo professor, figura que tem (ou deveria ter) autoridade sobre a turma, pode dar a conotação de imposição dogmática. Nem por isso tumultuamos o ambiente: permanecemos sentados e em silêncio, respeitosamente. Sou professor na rede pública e não prego o agnosticismo em sala de aula, pois sei da influência que exerço sobre os alunos e por também saber que a escola é ambiente de conhecimento científico. No mais, discordo da posição adotada pelo leitor no que diz respeito à errônea visão de que somente pela religião cristã e pelo temor do pecado pode-se andar no caminho da retidão. Soa como se as pessoas não tivessem discernimento, consciência e poder de decisão.
MATEUS PATROCINIO DE OLIVEIRA (músico) - Londrina

Isso não é crime?
Tem um comercial na TV que diz em alto e bom som: ''Tomou ... a dor sumiu''. O locutor pergunta para diversas pessoas todas respondem: ''A dor sumiu''. Só que no final da propaganda quando o anunciante é obrigado, por lei, a dizer ''este medicamento é contraindicado em caso de suspeita de dengue'', a frase é muito rápida e praticamente incompreensível. Isso mostra que o anunciante quer vender seu remédio, ganhar dinheiro e que o mundo se dane. Tem vários anúncios fazendo a mesma coisa. Isso coloca em risco a vida de quem está com dengue. Cadê a promotoria e os órgãos de defesa dos consumidores?
ALICIO MASSAN (engenheiro agrônomo) - Santa Mariana

Cidade Limpa
A Lei da Cidade Limpa deixou Londrina muito mais bonita e elegante. No Centro, edifícios dos mais diversos estilos arquitetônicos que antes estavam cobertos pelo caos das fachadas, foram revelados. Entretanto, para completar o trabalho de embelezamento urbano, falta algo ainda mais importante: o aterramento da fiação aérea. A poluição visual causada é enorme, além de atrapalhar a arborização da cidade, que poderia ter espécies mais altas, que são as mais efetivas no combate à ''ilha de calor urbano''. A Prefeitura de Londrina deveria elaborar uma lei obrigando a Copel (e outras empresas) a aterrar os fios, pelo menos no quadrilátero central. Se os comerciantes tiveram que se adaptar à nova legislação, por que não a Copel? Londrina agradeceria.
YURI ANDRADE (estudante) - Londrina

Anencefalia/eutanásia
A anencefalia é uma malformação que ocorre durante o desenvolvimento embrionário, pelo fechamento incompleto da calota craniana. Com isso, falta parte dos ossos da cabecinha da criança e o desenvolvimento do cérebro também fica prejudicado. Entretanto permanece uma parte variável do encéfalo, que pode garantir, ainda, algumas funções. A eutanásia também é um assunto que gera muita polêmica. Há quem diga que é uma saída honrosa para aquele que se vê diante de uma longa e dolorosa agonia, a partir do momento em que a vida se torna definitivamente vegetativa. O Código Penal do Uruguai, por exemplo, livra de penalização todo aquele que praticar o ''homicídio piedoso'', desde que conte com antecedentes ''honráveis'' e que pratique a ação por piedade e mediante ''reiteradas súplicas'' da vítima. Quem somos nós para criminalizar quem pratica, tanto o aborto do anencefálico quanto a eutanásia? Vamos deixar de bancar os donos da verdade e nos colocar no lugar desses sofredores. E, mesmo assim, não podemos mensurar seus sofrimentos, já que cada um é cada um!
WILSON OLIVEIRA TRINDADE (bacharel em Direito) - Londrina

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