Sistema carcerário: sem solução
O fato real e concreto é que nem os líderes de facções criminosas e muito menos o governo têm interesse em resolver o problema carcerário no Brasil. Para os líderes do crime, as cadeias superlotadas representam oportunidade de negócio. As cadeias tornaram-se uma franquia. Todo o tipo de negócio ilícito ali é planejado: assaltos, sequestros e ataques à sociedade. Os dividendos dessas operações são investidos boa parte em regalias para alguns presos. Alimentos diferenciados, sexo e drogas são mercadorias indispensáveis para o bom funcionamento dos presídios. Na falta de um desses itens, ataques são orquestrados e cidades inteiras param ao simples comando do chefão. Hoje não existe poder público que dê conta de acabar com essa situação, não porque o governo esqueceu de investir em mais presídios, mas sim pelo fato de ter esquecido de investir na educação e no preparo dos jovens que cedo são recrutados pelo crime. Muitos adolescentes nunca passaram um dia sequer na sala de aula, mas com certeza passarão muitos anos atrás das grades servindo ao comandante.
ROBERTO TEIXEIRA (empresário) - Londrina

kits escolares
O maior problema dos kits escolares não é a qualidade, atraso ou preço e sim o aparente favorecimento. Meu pai, hoje diretor-geral de uma das maiores empresas de elétrica e eletrônicos do Brasil, escrevia em papel de pão enquanto estudante por não ter condições financeiras para comprar cadernos. Portanto, o que vejo nessa história não é uma especial atenção à qualidade e sim intenções de privilegiar esse ou aquele. Ora, um tubo de cola de qualidade implica apresentar especificações de registro e validade, pouco importa a cor da tampa, nem tão pouco a cor da impressão da validade da borracha, o que nesse caso, assim que o aluno começar a manuseá-la irá desaparecer. Também não sejamos simplistas em achar que atrasos são problemas exclusivos da Prefeitura de Londrina. Em nosso dia a dia, isso também acontece, mesmo quando planejamos tudo com antecedência. Sugiro então, que a prefeitura reveja sim as exigências para tal licitação e que a população cobre o que realmente importa: transparência.
VIVIANE MESTRE (cirurgiã dentista) - Londrina

Deficiente?
Estamos em uma era em que a tecnologia é capaz de superar barreiras, interpor continentes e minimizar distâncias. Então, faz-se necessário quebrar alguns paradigmas. Todas as pessoas possuem defeitos e qualidades, porém, ninguém deve ser classificado por seus defeitos, pois insta-se caracterizar as pessoas pelo seu conjunto. Muito se evoluiu com a alteração de alguns vocábulos e a criminalização de alguns termos ditos ''politicamente incorretos'', alterando-se a consciência das pessoas para utilizar palavras mais adequadas, como ''afrodescendente'', ''orientação sexual'', bem como o respeito à Constituição Federal ao determinar que seja crime de preconceito tratar pessoas de forma preconceituosa, vexatória ou desigual. Um tema que muito me incomoda, e creio que outras pessoas também, é a classificação de determinadas pessoas como deficientes. O mais sensato e correto é excluir a palavra deficiente do nosso vocabulário. Antes de possuir alguma necessidade especial, as pessoas possuem inúmeros defeitos e qualidades, restando injusto rotular apenas como deficiente. A diferença dessas pessoas não se chama deficiência, e sim necessidade especial.
FERNANDA V. FERREIRA C. DE ALMEIDA (empresária) - Londrina

Educação x segurança
Até quando continuaremos a despejar verba em segurança? Vimos em várias matérias da FOLHA que Londrina e o Paraná continuam investindo em câmeras de segurança, guardas, veículos, o que gera muito gasto para os cofres da cidade, mas que a merenda, ensino em tempo integral, projetos de esporte, primeiro emprego e cursos profissionalizantes ainda têm difícil acesso para os jovens, fora os cortes na saúde. O correto não seria investirmos em educação de qualidade para conscientizar os jovens que há outros caminhos para se conseguir alcançar seus objetivos? Isso sim seria uma política anticrime, e não uma política pós-crime que visa aumentar o número de policiais para colocar cada vez mais jovens atrás das grades (a verdadeira escola do crime). Com isso, sofrem preconceito ao sair e enfrentam dificuldade de acessar o mercado de trabalho.
JEFFERSON FERNANDES (auxiliar administrativo) - Londrina

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