Ética no Judiciário
Li recentemente uma entrevista em que o novo presidente do TJ-SP, Ivan Sartori, defende que praticamente todos os juízes podem ser considerados sérios e todas suas irregularidades (assim como as acusações de corporativismo e pagamento de supersalários) são completamente justificáveis por motivos de força maior. Pretendo seguir a carreira jurídica e concordo com o desembargador quanto ao merecimento dos altos salários dos profissionais do Judiciário, já que é uma profissão que exige muito. Porém, apesar de ser injusta a desconfiança a todos por causa de alguns, a punição para os irregulares deve ser, sim, severa. Afinal, o cargo de juiz representa uma das maiores autoridades da lei no País, portanto o nível de reconhecimento deve ser compatível com seu trabalho. Já está na hora de as pessoas que discursam tanto sobre manter a ordem e igualdade no Brasil acabarem com seus tão criticados tratamentos privilegiados quanto a denúncias de desvios e corrupção.
ANA CAROLINA MARTINEZ SEKIAMA (estudante) - Londrina

Defesa Social
Que bom que ainda existem homens com espírito de cidadania, como o delegado Jefferson Dias Chaves, que trocou o salário de R$ 18 mil como delegado por R$ 6 mil como secretário municipal, pela satisfação de servir à cidade de Londrina, onde foi criado e estudou. Parabéns ao delegado! Que bom se todos os políticos tivessem o mesmo espírito de cidadania. Só não entendo por que em uma cidade onde há um batalhão de Polícia Militar com diversos oficiais competentes e diversas delegacias com delegados eficientes o nosso prefeito não encontrou ninguém que possa assumir a secretaria.
TOCHITANE MITSI (aposentado) - Londrina

Greve é ''febre''
Parece que virou festa esta história de greve. Ninguém merece! Que é de direito todo mundo sabe, mas este direito está se transformando em abuso, em boicote, em uma espécie de terrorismo disfarçado... E aí, autoridades? Vão deixar a greve virar rotina? Enquanto uns fazem greve, outros trabalham para pagar os impostos! Quem hoje já agradeceu a Deus por ter um emprego?
MARIA REGINA MINTO REYES (encarregada administrativa) - Londrina

Meu querido Ouro Verde
Para mim, querido Ouro Verde, você deixou de existir quando foi transferido para a universidade. Sempre fui contra a transferência. Mas, quem sou eu para discordar? Eu pertenço àquela classe social que ''é o primeiro que apanha e o último que fala''. Eu só posso hoje ter saudade. Saudade dos tempos idos que eu ficava em frente ao Ouro Verde, a sessão quase começando e a namorada demorando. Olhava para o relógio e olhava para o cinema (como se ele fosse sair do lugar!), até a chegada da princesa. Depois, entrávamos com ar de que nada mais existia, a não ser nós dois. Passávamos pela bombonière, comprávamos um pacote de balas ''toffe'' e íamos procurar o nosso lugar, pisando num belíssimo tapete de quase cinco centímetros de espessura. Como era linda aquela casa de espetáculos! Tudo bem iluminado; cores escolhidas com classe e bom gosto; poltronas estofadas e deslizantes; sistema de ventilação e arejamento perfeitos; organização; luxo; gente educada; ''lanterninhas'' uniformizados, enfim, um ambiente que podemos considerar um presente aos londrinenses da época. Chegada a hora do início da sessão, as lâmpadas do teto iam diminuindo de intensidade, bem devagar, quase imperceptivelmente, até se apagarem totalmente, quando então se dava um espetáculo lindo. Eram as luzes que se acendiam saídas de frestas da parede, da altura do chão ao teto, três de cada lado do recinto, direcionadas para o palco, das cores rosa, azul e verde (se não me falha a memória) ao som da belíssima música, inesquecível, que, se mais uma vez a memória não falhar, era ''O Toureador de Andaluzia''. Quanto às seis frestas, três de cada lado, começavam uma a uma a se apagar, a belíssima e pesada cortina de veludo bordô começava lentamente a se abrir, para dar lugar à exibição dos trailers, do futebol e do tão aguardado filme. Se estou chorando? Estou! Desculpem.
ANTONIO FIORINI MASSARO (técnico de contabilidade) - Londrina

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