'O melhor emprego do mundo'
No próximo ano inicia-se mais uma corrida por um ''emprego'' concorridíssimo. É ano eleitoral. Fazer parte do corpo legislativo de Londrina é um sonho que pode se tornar realidade para 19 indivíduos. O que tenho que fazer para alcançar uma dessas vagas? É muito simples: primeiro critério, o cidadão deve estar filiado a um partido político (temos vários), deve ser popular, ter um capital para investir na campanha ou arrumar um patrocinador. O ''emprego'' não exige experiência anterior. Quanto à instrução, basta ser ''alfabetizado''. Se eleito, terá um salário de R$ 12 mil (um doutor na universidade não ganha isso). Não há horário fixo de trabalho, não precisa bater cartão. Se você tem outra profissão, pode continuar exercendo sem nenhum problema. Você terá ajudantes em seu gabinete, seus assessores. Deve se reunir duas vezes por semana com seus parceiros para discutir coisas sobre a cidade, como dar nomes às ruas e praças. Uma função importante: você deve fiscalizar as ações do Executivo (se o prefeito for do mesmo partido deve apoiá-lo em suas decisões, mesmo que sejam injustas perante a sociedade). O mais importante de tudo isso: você decide quanto vai ganhar. É verdade! O salário pode ser reajustado em 110% quando você e seus parceiros políticos acharem necessário. É o melhor ''emprego do mundo''!
CLAUDINEI FERREIRA DO NASCIMENTO (professor) - Londrina

Certeza do esquecimento
A humanidade sempre teve medo de animais notívagos. Por não saber explicar seus comportamentos, criou lendas. A dos vampiros é uma das mais conhecidas. Londrina, na noite do dia 19, teve seu patrimônio mais uma vez dilapidado. Na calada da noite, uma espécie daninha, despossuída de valores morais (109,7% de aumento não é moral), éticos e sociais nos surpreendeu pela maneira rasteira com que se autoconcedeu benefícios. Nessa hora, esqueceram suas diferenças, pois vereadores de vários partidos se uniram para aprovar o aumento. Só três foram contrários e um alegremente se absteve. Na calada da noite, notívagos criaram uma nova lenda: a do desprezo ao cidadão, da certeza da impunidade, do esquecimento. Pense nisso na próxima eleição.
EVANIL ANTONIO GURIDO (professor) - Londrina

Não temos voz, nem vez
Que sociedade é esta que aceita tudo calada? Os vereadores de Londrina, pífios representantes do povo, tornaram-se deuses, se autointitularam donos da lei e fizeram crescer milagrosamente seus salários em 110%. Isso pode ser permitido pela legislação, porém é imoral e fere os princípios cristãos de pastor, padre e de qualquer credo existencial da Câmara. Que pena, meu Deus, que haja cabeça tão pequena e bolso tão fundo que nunca enche por mais dinheiro que se coloque nele. O grande líder negro americano Martin Luther King dizia: ''O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons''. É, nós cidadãos londrinenses, ficamos quietos sem voz e não temos vez. Há uma estagnação, falta de visão para projetos e realizações. Londrina quer crescer e se modernizar e me preocupa o silêncio da maioria deixando a minoria fazer o que bem entende. Vamos participar para que tenhamos voz e vez e tudo se transforme para o bem geral da cidade.
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO (jornalista) - Londrina

'Pizza do mensalão'
O escândalo do mensalão vai prescrever sem punir nenhum culpado. Mais uma indigesta pizza. Um jogo com cartas marcadas, uma casta de privilegiados, tudo orquestrado e os infratores sorrindo. Quando prescreve significa que a Justiça falhou. Não importa se o processo tem 50 ou 130 volumes, a sociedade quer uma resposta. Como fazer um Brasil melhor quando a impunidade é a principal aliada da corrupção?
MÁRIO FUZETO (técnico contábil) - Itambaracá

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