OPINIÃO DO LEITOR
Movimentos de rua
É bem verdade que se não fosse o trabalho da imprensa 95% da picaretagem da política brasileira ficaria entre quatro paredes. A participação da população em passeatas ainda não atingiu a maioria porque em cada segmento há uma explicação plausível. Na classe A, não se encontra nenhum banqueiro ou empresário insatisfeito com a política econômica (lembrando que, se a economia vai bem, o resto é resto). Nas classes desfavorecidas impera o contentamento que muitos brasileiros têm, que é o de se contentar com o mínimo e não precisar trabalhar. Se trabalhar já é difícil, com o advento da fraude eleitoral chamada bolsa-família, imagine se interessa a algum cidadão pobre estudar. Somado a isso vem a parte principal que é a leitura. Quantos são os brasileiros que leem e se incomodam com a corrupção, com a falta de ética e com o cinismo com que são tratados por seus representantes? De olho nesse vácuo, os políticos sabem que basta uma conversinha mole e o voto está garantido. Um governo que agrada alguns não pode ser bom. Bom é o governo que beneficia a todos. Enquanto isso não acontece, crescem os movimentos de rua. Podem ser poucos, mas já estão tirando o sono dos governistas.
IZABEL AVALLONE (professora) - São Paulo
'Geração IPhone'
Fui criança e não tive IPhone, Wii, Playstation 3, IPad, DSI. Brincava de esconde-esconde, mãe da rua colorida, bola queimada, balança caixão e só ia para casa quando escurecia. Minha mãe não me ligava no celular, só gritava: ''Para dentro!''. Vivia ralado. Brincava com os amigos, descalço, na areia, no barro e não usava sabonete antibacteriano. Na escola me apelidavam de tudo, eu apelidava também e ninguém sofria de ''bullying''. Que infância boa! E olha que sou de 1990.
BRUNO FERRARIS (vendedor) - Londrina
Lei mais rigorosa
Quem mata mais: bêbados aos volantes ou delinquentes drogados? Os bêbados ao volante matam gente de bem e, normalmente, os delinquentes drogados se matam entre eles. Motoristas bêbados atropelam crianças, causam acidentes com mortes, porém não ficam presos. E os delinquentes drogados quando matam outro delinquente ficam presos. Criaram a lei seca, gastaram recursos públicos e continuam gastando com a compra de bafômetros, mas o condutor bêbado não é obrigado se submeter ao teste pois a lei não o obriga a produzir prova contra si mesmo. Então, por que o Congresso não cria uma lei que obrigue a fazer o teste do bafômetro e que aplique uma penalidade mais rigorosa aos que infringirem a lei seca?
TOCHITANE MITSI (gerente de restaurante) - Londrina
Apego ao cargo público
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse que deixa o cargo ''só abatido a bala''. É apego demais pelo cargo público. As ONGs estão desviando a rota do nosso futuro para o próprio bolso. Está provado que a Casa Civil foi apenas a ponta do iceberg. Quem deve estar mais envergonhado ou traído, a presidente Dilma com suas nomeações decepcionantes por indicações políticas ou o povo brasileiro que confiou no governo dela? Ou ela promove uma limpeza séria, usando a mesma régua com todos os partidos, ou essa faxina é apenas uma piaçaba populista, vira fachada. Será que vamos ter a queda de um ministro por mês?
MÁRIO FUZETO (técnico contábil) - Itambaracá
Piso tátil
Em resposta ao questionamento do sr. Mário Menezes (Opinião do Leitor, 6/11), esclareço que a acessibilidade das calçadas é parte integrante do Código de Posturas que faz parte do Plano Diretor do Município, que foi reelaborado pelo IPPUL com a participação popular e está sendo votado na Câmara. Nas calçadas já construídas, a Prefeitura não pode aplicar sanções pela não existência do piso tátil, e assim precisamos contar com a consciência cidadã. Quanto a resposta dada à senhorita Ana Paula Melo foi como fisioterapeuta e deficiente visual que há 19 anos vivencia as barreiras arquitetônicas.
JOSÉ GIULIANGELI DE CASTRO (assessor especial da Pessoa com Deficiência do Município de Londrina)





