Tempo cíclico ou tempo contínuo
Confesso que, desde tenra idade, sinto-me um tanto desgraçado pelas festividades de fim de ano. As pessoas enfeitam suas casas com trecos de regiões geladas neste calor dos infernos, comem peru (detesto aquela carne!), bebem um espumante qualquer com a ilusão de beberem champagne e - horror dos horrores! - enchem tudo de uvas-passas. Mas isto é apenas uma enumeração da tragédia preanunciada de uma concepção de tempo que me é insuportável: o tempo cíclico. Pessoas que comemoram Natal e Réveillon, querendo ou não, são coniventes com essas concepção de que tudo se renova, de que haverá um novo começo, de que é hora de repensar os erros e buscar os acertos e outros delírios frutos da Ilusão (Sim, o homem é um animal que vive de ilusão. Mais importante do que o pão é a ilusão do pão). Digo-vos, porém, que minha natureza é refratária a renovações cíclicas definidas por uns numerosinhos de um pedaço de papel. Creio num tempo contínuo. Na eternidade de um presente absoluto, com seu peso e desilusão imanentes. Se eu vivesse a ilusão de parcelas de renovação de vida - em verdade, apenas ficamos mais íntimos de um fim cada vez mais próximo - eu não aguentaria olhar para o céu. Seu azul infinito e vazio é o que me incita a levantar todas as manhãs da cama.
Cassiano Russo (mestre em filosofia) - Londrina


Detenção de jornalista
A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) e a ANJ (Associação Nacional de Jornais) protestam com indignação contra a detenção por duas horas do repórter Rodrigo Lopes, do jornal Zero Hora, na sexta-feira (25), em Caracas, na Venezuela. Trata-se de mais um episódio de ataque ao livre exercício do jornalismo, cometido pelo regime de Nicolás Maduro, que há muito abdicou da fachada de aparente democracia. As associações solidarizam-se com o repórter e o jornal Zero Hora, bem como com todos os jornalistas venezuelanos e estrangeiros, que tentam fazer seu trabalho em meio às ameaças do regime bolivariano. Abert, Aner e ANJ esperam que as autoridades brasileiras façam chegar ao governo venezuelano este protesto diante da violência cometida contra um cidadão e profissional do nosso país, em legítimo exercício de sua atividade.
Abert, Aner e ANJ


Correção
iferentemente do que foi publicado na matéria "Respeito e atenção às assembleias" (Folha Imobiliária, edição 26 e 27/01), o nome correto do síndico do condomínio Fontainebleu Residence é Adenoel Zeferino de Santana.

■ As cartas devem ter no máximo 700 caracteres e vir acompanhadas de nome completo, RG, endereço, cidade, telefone e profissão ou ocupação. As opiniões poderão ser resumidas pelo jornal. E-­mail: [email protected]

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