A pedra fundamental oficial foi lançada em 24 de janeiro de 1923 pelo então presidente da República Arthur da Silva Bernardes, ao sancionar o Decreto Legislativo nº 4.682, alcunhado de Lei Eloy Chaves, em homenagem ao seu autor. Com esse texto legal era criada, para os empregados de cada empresa ferroviária existente, uma Caixa de Aposentadoria e Pensões (CAP), embrião deste grande castelo erguido em todos os cantos do país, nos últimos cem anos: a Previdência Social brasileira.

Hoje transformada no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), se consolidou como um dos maiores instrumentos de redistribuição de renda, quiçá, do mundo ocidental, mitigador dessa mazela chamada desigualdade social.

Pelos números do final de 2022, acima de 37 milhões de aposentados, pensionistas e demais beneficiários das áreas urbana e rural recebem pontualmente mais de R$ 62 bilhões todo o mês.

São pagos mais de uma dezena de espécies de benefícios: aposentadoria por idade, por invalidez e por tempo de contribuição; pensão por morte; auxílios doença, acidente e reclusão, além dos benefícios de prestação continuada (BPC) de caráter assistencial (para idosos e deficientes decorrentes da Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS, e rendas mensais vitalícias por idade e invalidez).

É um cipoal previdenciário que, ao longo dos últimos anos, impediu milhões de brasileiros de caírem no fosso da miséria e da infâmia, abaixo da linha da pobreza e que permitiu alguma dignidade aos cidadãos que contribuíram mensalmente, pouco ou muito, para fazerem jus ao amparo ao final da vida laborativa, na invalidez ou na velhice.

Apesar de quase 70% dos milhões de beneficiários (mais de 25 milhões de brasileiros) receberem até um salário mínimo, a grande maioria dos aposentados e pensionistas segue responsável pelo sustento de suas famílias.

Indubitavelmente, apesar das críticas, das filas e do represamento na concessão, das dificuldades do acesso digital, do abandono e precarização das unidades de atendimento, das carências de recursos humanos e materiais, a Previdência Social continua sendo a mais importante política pública de combate à desigualdade social que grassa em todos os cantos da Pátria amada, idolatrada. Salve, Previdência Social. Mais 100 anos de vida!

Vilson Antonio Romero é presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal

O príncipe Harry e seu livro

Dando mostra que o mundo vive na era das incertezas e dos horrores, quer pelo conflito Rússia x Ucrânia, covardemente invadida, quer pela degradação da natureza e da vida (nossa floresta amazônica sofreu o desmatamento de 101.506 ,km2 em 2022), agora em 2023 o Príncipe Harry lançou seu livro " O Que Sobra", sobre as tramoias e tragédias da corte. Ele abriu a sua metralhadora giratória e disparou para todo lado, pai, madrasta, irmão, tio e cunhada, só faltaram os mordomos, que deve ser outro lançamento. O mais trágico foi ter contado que dentro do seu helicóptero blindado, no Afeganistão, atirou e matou 25 afegãos que corriam do ataque, por isso foi condecorado quando voltou a Londres. O pior de tudo é que isso pode lhe custar caro, como custou ao Salman Rushdie, que blasfemou contra o Islã e pagou caro - em 2022 levou 16 facadas pelo seu desafio, torcemos para que o Talibã não pratique nenhum atentado contra Harry, porque, parafraseando seu Livro, "Pode Sobrar para Ele" nesses tempos difíceis. Esse é o mundo em que vivemos hoje, onde as tramoias das celebridades e dos governantes, quando abertos os baús ou os livros lançados, a população fica louca em busca de mais noticias que alimentem seus egos, sempre sedentos por sangue.

Jose Pedro Naisser (ecologista) - Curitiba

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