A um jovem Bolsonaro
Ditadura de 64 a 85? “Pergunte a seus pais ou avós que viveram naquela época”, disse Eduardo Bolsonaro. Jovem Bolsonaro, sou uma avó que também viveu “naquela época”, porém, num Brasil contrário do de sua avó. Pode-se vivenciar a mesma realidade, de modos muito distintos. Os valores de cada um de nós variam, e levam-nos a enxergar os fatos – esses, reais – com enfoques bem diferentes. Os acontecimentos de 64 a 85 mudaram o rumo da vida de muitos, e foram (quase) inteiramente ignorados por outros. Para os do “Eu te amo, meu Brasil...” a fase era maravilhosa; crescimento econômico, estabilidade social, empregos, e nos canais de TV tudo “bombando”. Porém, nos bastidores das notícias, nas entrelinhas das músicas, filmes, espetáculos, aulas, e até mesmo das conversas entre amigos – todas censuradas por um aparelhamento ditatorial gigantesco – havia outro Brasil; preso, assassinado, expatriado, ou, tão somente com medo. Medo de desejar e pensar, de combater a miséria, expor corrupções, propor democracia, denunciar injustiças... Privilégio de poucos, sua avó parece ter vivido nesse Brasil, que não percebeu a realidade de muitos. Felizmente, para você e para os seus; outros perderam tanto, sobretudo a vida. Foram torturados, frustraram seus desejos, seus sonhos, ou, com medo, só torceram, em silêncio, para que a liberdade fosse restaurada. Foi a luta deles que permitiu que você, e seus familiares, fizessem suas campanhas políticas – nas quais os combateram – e fossem assim eleitos, democraticamente.
LUIZA LEONOR C. E SILVA , professora e avó – 72 anos (Londrina)

Vale a pena?
O povo mineiro, que sempre foi referência para o Brasil desde a Inconfidência sobre símbolos de liberdade, se vê agora refém de uma situação de pesadelo com as barragens da vale. Uma mineradora bilionária associada a grandes empresas que lucram com os minérios, mas que apenas deixam o medo como pagamento. Qual o preço de uma boa noite de sono sem ser importunado com o risco do rompimento de uma barragem ou com o barulho de uma sirene no meio da madrugada? O preço da vida vale mais que qualquer emprego ou minério das alterosas. Está na hora de a Vale se mudar para os EUA e deixar a “colônia” brasileira em paz.
MANOEL JOSÉ RODRIGUES, assistente administrativo (Alvorada do Sul)



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