A pergunta principal é: como pode um vazio ocupar tanto espaço dentro da gente? Sabemos que a rota de fuga mais comum para os vazios são os mecanismos de prazer instantâneo, e falar sobre isso remete a concepção de laços humanos de Zygmunt Bauman, que muito já esclareceu sobre a necessidade humana de ser visto para se sentir existindo, e em como as redes sociais “suprem”, de forma momentânea, essa carência. Bauman, sociólogo polonês, usava o termo “modernidade líquida” para enfatizar a fluidez e rapidez das relações – os laços humanos – que anteriormente se davam em comunidade. A liquidez, a qual Bauman propõe, vem do fato de que os líquidos não têm uma forma, ou seja, diferente do que é sólido e exige uma força para se moldar. Segundo ele, vive-se entre uma multidão de solitários.

Com tudo isso, é perfeitamente compreensível que programas como Big Brother Brasil tenham tanta visibilidade. De uma forma grotesca talvez, é a representação mais clara de convívio social e humano, e pelo que parece, a edição com mais debates sobre temas que constantemente enfrentamos. Tudo só com a impressão que um tem do outro a partir do que vê, convivendo. Sem filtros.

Fato é que o medo da realidade e a necessidade em se sentir existindo num mundo cheio de padrões estabelecidos, nos faz complacentes com toda a doença social imposta. Aplaudimos de longe o levante de outros países, admiramos uma postura de coragem, mas permanecemos inertes, no sofá, dando likes nesse ou aquele discurso/selfie/hashtag, comprando uma ou outra discussão, e engolindo - junto com o acefato - toda nossa desorganização social, política e sobretudo, humana. Parafraseando Nietzsche, a essência da felicidade é não ter medo.

Emiliana Alvez (professora) - Londrina

A pobre e frágil democracia

A democracia precisa ser defendida. São pequenas atitudes, gestos e falas que vão minando, pouco a pouco, a pobre e frágil cultura democrática brasileira. Neste sentido, as redes sociais podem ser um instrumento legítimo. Recentemente, a determinação da Secretaria de Educação de Rondônia de recolher 42 livros por “conterem conteúdos inadequados às crianças e adolescentes” foi rechaçada pela sociedade civil por meio das mídias sociais, obrigando o governo a recuar. O Estado acredita que pode ditar a moral. Os clássicos como Machado de Assis, Franz Kafka, Mário de Andrade e Edgar Allan Poe ultrapassam a concepção ideológica momentânea e passageira. Os clássicos são eternos.

Luiz Gustavo Tiroli (acadêmico de Direito) - Londrina

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