Desobedecendo recomendações das autoridades sanitárias, contrariando a lógica de não se aglomerar em tempos de pandemia grave e ameaçadora e até pedido de última hora de Bolsonaro para recuar, o povo brasileiro saiu as ruas no último domingo, em multidões vestindo verde-amarelo, para demonstrar seu descontentamento com a velha e atrasada política do balcão de negócios, da manutenção do poder partidário comandado por manjados caciques políticos, quase sempre envolvidos em corrupção. Longe de julgar se estão certos ou errados, se são inconsequentes ou irreverentes pelo risco de propagar a contaminação pelo coronavirus, o fato é que a atitude desses patriotas sinaliza que a população atingiu uma importante maturidade política e está bem conscientizada da necessidade de influir nas decisões de Brasília. A soberania dos brasileiros probos ficou claramente demonstrada e a mensagem foi direta para Rodrigo Maia, Alcolumbre e Toffoli pararem de atrasar o Brasil. Não suportamos mais esse ranço político no comando das nossas instituições. Nem Bolsonaro segura mais a vontade do povo em manifestar. A pressão pacífica e ordeira das ruas é o terror dos maus políticos e um eficaz instrumento da democracia. Que bom!

Ludinei Picelli, administrador de empresas (Londrina)

O Brasil no avião da Chapecoense

Antes que fanáticos bolsonaristas me acusem de petralha, comunista, parasita, etc., gostaria de dizer que combato o PT e Lula há mais de 30 anos, portanto, antes de muitos adoradores do “mito” de hoje terem nascido. Combati o petismo enquanto Bolsonaro e Sergio Moro votavam em Lula em 2002, enquanto o Carluxo, filho do presidente, se coligava ao PT no Rio, e durante os anos em que o “véio da Havan” mais viu seus negócios prosperarem, vendendo produtos dos “comunistas” chineses, nos governos Lula e Dilma. Pertenci à UDR nos anos 80, escrevi dezenas de artigos e missivas a diversos veículos de comunicação, criticando os desmandos e desvios nos governos petistas, enfim, estive entre os 4% que miseravelmente enfrentavam os 87% de aprovação a Lula nos idos de 2007 a 2013, quando o ex-presidente se deixava embriagar com as ilusões do poder, que parecia eterno. Hoje, Bolsonaro, a despeito de gozar de apenas 30% de aprovação popular, parece esquecer o quão efêmero é o poder, e se lambuza do direito que não tem, de cometer e falar atitudes e infâmias as mais grotescas que um presidente da República já ousou exteriorizar. Nem Fernando Collor e Dilma Rousseff, outros dois presidentes que também se esmeravam em maus modos e provocações, desceram tão baixo quanto o atual inquilino do Palácio do Planalto. Dia sim e o outro também, o Brasil é rebaixado ao nível mais deplorável das republiquetas caricatas latino americanas, sob o aplauso da cada vez mais reacionária e retrógrada elite econômica nacional, que se nega a admitir que o nosso país esteja sob comando de um capitão, que faz lembrar muito o piloto do avião da Chapecoense. Se servir de consolo, ainda estão em tempo de acordar.

Sandro Ferreira, representante comercial (Ponta Grossa)

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